Liliane Roriz aposta na união

POR TIAGO MONTEIRO TAVARES do Jornal Alô Brasília

Formada em administração de empresas e jornalismo, Liliane Roriz foi apresentadora de programa cultural, moda e culinária. Filha do ex-governador Joaquim Roriz, foi eleita em 2010, estando em seu primeiro mandato. Sua atuação parlamentar está focada nas áreas da saúde e no desenvolvimento social. Ao assumir a cadeira no Legislativo, decidiu dar ênfase à redução da grande carga tributária quando apresentou três projetos para beneficiar os contribuintes que estejam em dia com o Fisco. Foi eleita pelo PRTB, migrou para o PSD em 2011 e retornou ao PRTB para disputar as eleições de 2014.

A senhora foi a última filha do ex-governador Joaquim Roriz a entrar para política. Como foi chegar na Câmara Legislativa para um primeiro mandato carregando o nome da família?

Carregar o sobrenome Roriz é um grande orgulho, mas uma responsabilidade que é bem maior do que esse orgulho. Cheguei na Câmara Legislativa muito tímida, pois minha característica pessoal não é a de ser uma pessoa desinibida. Os colegas me receberam muito bem, apesar alguns imaginarem que eu seria apenas mais uma filha do Roriz, que não conseguiria ter um desenvolvimento pessoal como política e não apostavam no crescimento do meu mandato como deputada distrital. No começo, foi muito difícil. Eu não conhecia as pessoas e não entendia o funcionamento do processo legislativo.
Consegui formar um gabinete profissional, que me oferece um leque de problemas e propostas para resolvê-los, que me deixa em condições de tomar uma decisão de forma racional e pautada pelos interesses da população. Essa equipe é a grande responsável pelo meu crescimento como parlamentar.

Qual foi o posicionamento que a senhora adotou para fazer um mandato independente, que permitisse que a senhora não fosse apenas ‘filha do Roriz’?

Me sinto em um desafio muito grande. Logo quando vencemos as eleições, tomei a decisão de que não seria uma oposição tão radical. Ponderei muito e achei que tinha de dar tempo ao tempo para o governo legitimado nas urnas pudesse ganhar a confiança da população. Quando os projetos do Executivo chegam a Câmara Legislativa, eu já decido se ele terá ou não o meu apoio. Ajudei a aprovar projetos importantes do atual governo. O Regime Jurídico dos Servidores do DF é um exemplo, ao qual fui relatora na Comissão de Assuntos Sociais. Imagino que o governo tenha percebido que, se o projeto fosse de interesse da população, poderia contar comigo. Fui uma oposição muito contida.

Três anos se passaram e agora não resta tempo para se achar um caminho perdido. O governador prometeu que seria secretário de Saúde e isso acabou não acontecendo. Após as 7 mortes das crianças no Hospital da Ceilândia eu mudei de posição. Como presidente da Comissão de Saúde, não poderia deixar de cobrar uma maior atenção à área. Me senti desrespeitada quando, naquela ocasião, o governador disse que eu não entendia nada de bactéria, quanto mais de Saúde. O nosso trabalho era de ajudar na percepção dos problemas para que ele pudesse resolvê-los. Não agi em momento nenhum pautada na visão de que eu seria oposição pelo simples fato de ser filha do Roriz.

Qual foi a grande conquista do seu mandato como deputada distrital?

Minha postura junto ao Projeto de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB) foi uma grande conquista. Me dediquei a entender o projeto em tramitação na Câmara Legislativa, me reuni exaustivamente junto às diversas entidades envolvidas no projeto e consegui uma mobilização para levar à população o conhecimento das mudanças que estavam sendo propostas. Antevia que havia pontos obscuros e que precisavam ser revistas. O próprio governo reconheceu isso e retirou o projeto para apresentar suas correções. A manutenção do título de Brasília como patrimônio cultural da humanidade é extremamente importante e, se tivéssemos aprovado o PPCUB como estava, esse título poderia ser retirado da nossa capital.

O trabalho junto à área da Saúde como presidente dessa comissão na Câmara me fez ver que a nessa área que eu queria me dedicar. Passei a fazer visitas técnicas em todos os hospitais e ver as carências que cada um tinha. Fizemos um relatório na Comissão de Educação, Saúde e Cultura pontuando todas as deficiências dos nossos hospitais. Apresentei projetos importantes como a Ficha Limpa da Saúde, que obriga o governo a divulgar a lista de médicos nos hospitais, o estoque de medicamentos, as filas etc. O projeto que cria a obrigatoriedade de ambulâncias UTI para transferência de pacientes de uma unidade de saúde para outra e diversos outros que buscam resolver os problemas que achamos em nossas visitas. Também destaco o projeto que concede 5% de desconto no IPTU das famílias de baixa renda.

A Câmara Legislativa passa por um momento de dificuldades quanto à presença e o trabalho dos deputados distritais. A falta de quórum nas sessões inviabiliza uma maior produtividade. Como a senhor vê essa situação?

Não posso responder pelos meus colegas. Quanto a mim, estive presente na maioria das sessões e disposta a debater qualquer assunto que se fosse colocado. Acho que os desencontros entre o governo e sua base aliada é que, na grande maioria das vezes, acabam inviabilizando a presença dos deputados no Plenário e, logo, a deliberação de projetos que aguardam votação. Independente da minha presença e da minha postura, os debates não estariam inviabilizados por uma questão de oposição ao governo, muito pelo contrário. Passei janeiro inteiro acompanhando as reuniões do PPCUB que estavam acontecendo aqui na Casa, queria saber cada detalhe do que estava sendo debatido.

Muitos afirmam que a oposição está desencontrada, que não há união. Como a senhora avalia essa posição? Acredita em entendimento dessas forças?

Eu acredito que estamos chegando a um entendimento. No Brasil inteiro, o processo político está muito confuso. Alianças que outrora não seriam discutidas e que hoje são feitas deixam o cenário político refém de uma opinião negativa. O resgate dessa situação se faz necessário em todos os lugares.

Em Brasília, ao contrário do que as pessoas estão pensando, estamos conversando e não acredito em uma desunião da oposição ao governo do PT. Espero que possamos juntar um grupo que tenha propostas diferentes para a cidade. Chegar a um consenso é entender que se, não houver uma união, não chegaremos a ter condições de apresentar propostas diferentes e viáveis.

Imagino que todos estão pensando no bem da cidade e que cada um poderá abrir mão de certas posições pensando no bem comum. Todas as pessoas que se posicionaram como oposição ao atual governo estão demonstrando que podem abrir mão de um projeto pessoal para que possamos formar uma chapa vitoriosa. Um governo mal avaliado nos deixa em uma postura diferente, pensando em ajudar a construir um projeto novo.

A senhora se consolidou como a representante da família Roriz em uma eventual chapa de oposição. Os olhos de todos estão voltados para a sua postura. O que esperar de Liliane Roriz como a possível candidata do seu pai?

Desde pequena eu convivo com muita gente dentro da minha casa. Brinco que estava no berço pedindo voto. A política sempre foi um assunto da família. Minha mãe e meu pai sempre estiveram conversando sobre política e nós sempre participamos dessas conversas. Aos finais de semana, os almoços eram “regados” à política, o que sempre fez com que eu e minhas irmãs estivéssemos envolvidas no processo político.

Fico feliz das pessoas enxergarem em mim uma pessoa que dá continuidade ao trabalho do meu pai. Todos têm suas peculiaridades e eu também sou muito diferente dele. Entendo que o objetivo é um só, o de cuidar para que a cidade possa se desenvolver, dando continuidade ao sonho de Juscelino Kubistchek, que abraçamos desde que chegamos a Brasília. Quero preservar nossa cidade e cuidar das pessoas menos favorecidas, como meu pai sempre fez. Se isso for da vontade de Deus, estarei pronta para seguir o trabalho dele.

Nunca somos candidatos de nós mesmos. É preciso articulação e do reconhecimento das pessoas da cidade em depositarem sua confiança, acreditar que você tem condições de ser um governante. Estou disposta a enfrentar qualquer desafio, mas dependo da aprovação das pessoas.

Não se fala em outra coisa nos bastidores da política depois que veio à tona uma possível aliança entre os ex-governadores Joaquim Roriz e José Roberto Arruda. Todos querem a “cabeça de chapa”. Será possível uma aliança entre os dois?

As coisas estão sendo colocadas e debatidas. Tem-se que agregar muita gente nesse debate, que não pode ficar fechado ao apoio apenas dos dois. O jogo ainda está em aberto, não há nada definido, embora tenho certeza de que as forças políticas da cidade estarão juntas. Quem estará em qual posição é o de menos e é o que está em aberto. O importante é reunir aqueles que tenham voto.

Quando se fala em unir Roriz, Arruda e Luiz Estevão, forma-se uma questão emblemática na cidade. Há um estigma em torno deles que precisa ser bem colocado para a população. Isso tem sido pensado? Como a senhora avalia essa situação?

Agente acompanha tanta coisa, quem poderia imaginar que aconteceria o Mensalão? Que os culpados seriam condenados e iriam para a cadeia? Penso que os três, Roriz, Arruda e Luiz Estevão são pessoas que conhecem muito a cidade, conhecem seus problemas, suas demandas e possuem o mais importante, conhecimento de gestão pública.

Essas pessoas estão dispostas a colocar seus conhecimentos a favor da cidade, a colaborar mais e ajudar a encontrar um caminho que faça o Distrito Federal voltar a ser reconhecido pela sua qualidade de vida.

Embora, nenhum dos três precisasse fazer isso nesse momento, já mostraram que são capazes. Eles acreditam num futuro melhor para a cidade. Faltou você citar o nome do Paulo Octávio, que também pensa da mesma forma e acredita no futuro de Brasília. Elas podem estar dentro do contexto de coalizão para melhorar a cidade, independente de qualquer estigma.


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