Líder da Igreja Católica recebe Russomanno



Líder da Igreja Católica recebe Russomanno

Encontro acontece nove dias após dom Odilo Scherer soltar nota com ataques ao candidato, que diz que a polêmica é ‘letra morta’
Cardeal aguarda ‘passos seguintes’, e ordem de entrevistas após reunião fechada não permite fotos dos dois juntos
DE SÃO PAULO

O candidato do PRB à prefeitura paulistana, Celso Russomanno, foi recebido ontem por dom Odilo Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, e disse que a polêmica com a Igreja Católica é “letra morta”. O cardeal, no entanto, afirmou que esperará “os próximos passos”.
O encontro, de duas horas, ocorreu nove dias após a arquidiocese divulgar uma nota afirmando que a eleição de Russomanno, cujo partido é ligado à Igreja Universal, era uma ameaça à democracia.
O texto foi feito após a circulação de um artigo de 2011 do presidente do PRB, o bispo da Universal Marcos Pereira, vinculando a Igreja Católica ao chamado “kit gay”, cartilha contra o preconceito que o governo distribuiria em escolas e que foi vetada após protestos de evangélicos.
O encontro foi fechado. Na saída, Russomanno tentou desvincular sua campanha, coordenada por Pereira, da manifestação do dirigente.
“Nossa campanha é independente. Acho que isso
[o conflito com os católicos] é letra morta. Já está resolvido”, disse Russomanno.
O candidato afirmou ter dito a dom Odilo que foi coroinha e estudou em duas escolas católicas. “Na história da minha família, que começa no ano de 1250, houve vários padres”, completou.
Também participaram da reunião o candidato a vice, Luiz Flávio Borges D’Urso, e o deputado estadual Campos Machado, ambos do PTB.
A igreja organizou as entrevistas de modo que a imprensa não fizesse imagens de Russomanno com o cardeal.
O candidato falou no jardim da Cúria Metropolitana, na região central.
Minutos depois, dom Odilo recebeu os jornalistas em uma sala decorada com obras de arte sacra. “Espero que de fato seja letra morta”, disse, ao ser questionado sobre a avaliação que o candidato fez sobre a polêmica.
O cardeal disse ser “natural” que Russomanno e D’Urso tentem se dissociar do artigo de Pereira. “Como católicos, não podiam estar felizes com o que se dizia da igreja naquele texto.”
Ele evitou declarar “satisfação” com o encontro: afirmou que acompanhará a campanha na expectativa de que não ocorram novas polêmicas. “Agora a gente precisa ver os passos seguintes.”
GAFE RELIGIOSA
Durante o processo para contornar a crise com a igreja, a campanha de Russomanno cometeu uma gafe.
No e-mail enviado na quarta passada à arquidiocese pedindo a audiência de dom Odilo com Russomanno, Campos Machado, coordenador político da coligação,
fez loas à “Igreja Católica Apostólica Brasileira”.
O nome oficial da igreja é Católica Apostólica Romana. A Igreja Católica Apostólica Brasileira é uma dissidência fundada em 1945 e não reconhecida pela igreja de Roma.
Os católicos tradicionais pregam, por exemplo, que o batismo de uma criança na igreja brasileira não é válido.
O erro foi detectado por um dirigente e uma retificação foi enviada à arquidiocese.

(DIÓGENES CAMPANHA)

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