Leila Barros


O plano de fazer do Brasília Vôlei uma das melhores equipes do país traz Leila de volta à capital.
Em 2013, ela colocou o time feminino na Superliga

Perfil

Atleta e empresária, 42 anos, casada, 1 filho

Leila Gomes de Barros saiu da casa dos pais, na QSD 39, em Taguatinga, aos 17 anos. Era o fim dos anos 1980 e o voleibol ainda não era o segundo esporte mais popular do país. A mudança para Belo Horizonte, onde faria parte da equipe juvenil do Minas Tênis Clube, era vista com preocupação pelos pais. Queriam que ela estudasse, construísse um futuro mais seguro. Vinte e cinco anos depois, Leila retornou a Brasília em 2013 consagrada como uma das melhores jogadoras que vestiu a camisa da Seleção Brasileira e disposta a mudar, mais uma vez, a história do esporte na cidade.

Ao lado da ex-atleta Ricarda Lima, Leila idealizou e colocou em prática o projeto de uma equipe feminina na cidade: o Brasília Vôlei. Em meses, captaram apoio suficiente para inscrever o time na Superliga, a principal competição do país. Um pequeno milagre que faz a duas vezes medalhista olímpica – bronze em Atlanta-1996 e Sidney-2000 – sonhar com planos ainda mais ambiciosos.

“A emoção de ter ajudado a construir esse time só não é maior do que a do nascimento do meu filho”, compara, emocionada, na arquibancada do Ginásio do Sesi, em Taguatinga. A cidade não foi escolhida como casa do Brasília Vôlei por acaso. Leila queria que a equipe estivesse perto do povo brasiliense, daqueles que, como ela na adolescência, têm dificuldade para se locomover por meio do transporte público.

A questão afetiva também pesou. Foi na rua de casa que ela jogou as primeiras partidas de vôlei. “Riscávamos com giz as linhas. Amarrávamos uma rede velha no poste.”

Depois, passou pelo Centro Educacional 2, pelo Clube Florestal e pelo CID, todos em Taguatinga, antes de ganhar uma bolsa para jogar no colégio Maria Auxiliadora, na Asa Sul. Dali, jogou na AABB antes de atrair a atenção do treinador do Minas. A saída precoce não a afastou da cidade. “Nunca deixei de estar em Brasília. Sempre que voltava de uma competição, era lá que eu ia me refugiar”, conta.

O plano é fazer do Brasília Vôlei uma das melhores equipes do país. Conta com o comprometimento da bicampeã olímpica Paula Pequeno, de Érika Coimbra, ex-parceira de quadras, e do treinador Sérgio Negrão.

Ao lado do pastor Lindolfo Oliveira 
O que mais alimenta os sonhos de Leila, porém, é um projeto, enviado ao Ministério do Esporte, para espalhar centros de treinamento de vôlei por todo o DF. “Quero trabalhar com a base, pegar a criançada das satélites. Sou exemplo de que o esporte pode transformar vidas. Não larguei meu marido, minha vida no Rio para vir aqui brincar. Vim fazer coisa séria.”

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