Lava Jato: Corregedoria tenta localizar deputado baiano


A Corregedoria tentaria notificá-lo ontem, mas mudou a estratégia porque não havia ordem do dia.

A Corregedoria da Câmara vai tentar hoje, pela segunda vez, notificar o deputado federal Luiz Argôlo (SDD-BA), flagrado na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, trocando mensagens com o doleiro Alberto Youssef. Ontem, o Correio revelou novos diálogos em que os dois planejam evitar que duas empresas participem de uma licitação, provavelmente na Bahia. Nas interceptações das mensagens, o parlamentar é identificado como LA.

Se o deputado for notificado hoje, terá cinco dias para apresentar a defesa. O prazo para o corregedor parlamentar, deputado Átila Lins (PSD-AM), concluir o parecer e submeter à aprovação da Mesa é de 45 dias. Em seguida, se estiver de acordo, a Mesa representa ao Conselho de Ética. Ontem, o Correio voltou a procurar o deputado Luiz Argôlo. Mais uma vez, a informação repassada por servidores do gabinete dele é de que não havia como localizá-lo.

A Corregedoria tentaria notificá-lo ontem, mas mudou a estratégia porque não havia ordem do dia. Hoje, se o deputado não comparecer à sessão plenária, levará falta. Durante o fim de semana, informações de bastidores apontavam que Argôlo estaria incomunicável em uma fazenda localizada no interior da Bahia…

Em uma das interceptações, registrada em 17 de outubro de 2013, o deputado é taxativo ao encaminhar um torpedo ao doleiro. “Rapaz, você tem que falar com a pessoa. Ele tem que tirar duas empresas do processo que será amanhã cedo. Se elas participarem, o convênio não será publicado”, avisa. Ao ser informado pelo doleiro que “elas têm convênio com ele em Fortaleza”, o deputado justifica o pedido inicial. “Fale mesmo. Se não o pessoal do outro lado trava.” No dia seguinte, 18 de outubro, às 8h09, Argôlo encaminha nova mensagem para Youssef. “Os nomes das empresas são: Eletronor e Cosampa”, avisa. Um minuto depois, envia outro torpedo para avisar a Youssef que o monitoramento está sendo feito e o plano vai bem. “O pessoal já monitorou e sabe que tem relação com ele. Se elas derem preço, o pessoal cancela o outro. Resolvi isso com ele.”

Em 14 de outubro, Argôlo e Youssef trocam mensagens sobre um vinho de R$ 3 mil que tinham tomado na noite anterior. “Foi bom o vinho. Valeu a pena”, escreve Youssef. O deputado pergunta o nome da bebida e o doleiro informa o valor. “Vega Cicilia (sic). 3 pila. Kkk”, responde. Trata-se de uma reserva de 1986 do tinto espanhol Vega Sicilia. “Kkk mesmo. Vou voltar para tomar o resto”, diz Argôlo. Youssef, preso na Operação Lava-Jato, é apontado como líder de um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que teria movimentado R$ 10 bilhões.


Fonte: JOÃO VALADARES – Correio Braziliense – 06/05/2014

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