Lar dos Velhinhos: Encontro de gerações


Isa Stacciarini

A música que transforma a vida de crianças e adolescentes de comunidades carentes do Distrito Federal que fazem parte do Movimento Sinfônico e Coral Juvenil no Centro-Oeste Brasileiro (MovSinfo) também leva alegria e cultura às pessoas de mais idade. O grupo de músicos-mirins é formado por meninos e meninas de oito a 18 anos em situação de risco e vulnerabilidade social. Mas a coragem e a meta de tocar instrumentos clássicos renova a vontade dos estudantes em aprender coisas novas a cada dia.

Em clima de fim de ano o grupo levou boa música aos 64 idosos do Lar dos Velhinhos Francisco de Assis, onde vivem pessoas com idades entre 60 a 108 anos. A tarde de domingo foi diferente para crianças, jovens e idosos.

Concerto

O concerto, composto por sete músicas do repertório clássico e natalino, foi apresentado por aproximadamente 20 adolescentes e crianças que formam a Orquestra Acadêmica Brasiliense. Moradores da Estrutural, Santa Maria, Gama, Guará, Cruzeiro e Candangolândia, os músicos são atendidos pelo Centro Sócio Educativo Santo Aníbal.

Para fazer bonito eles têm treino pesado. Meninos e meninas ensaiam duas vezes na semana por cinco horas. A escola também não pode ser deixada de lado e, por isso, muitos já apresentam um desempenho positivo nas aulas e têm boas notas. Além deles, o Coro de Câmara de Brasília, composto por cinco cantores, também soltaram as vozes no concerto. A apresentação emocionou idosos e funcionários da instituição que também acolhe pessoas com deficiência física.

Há quase dois anos o trabalho social fundado pelo maestro Ricardo Castro se apresenta em diversas regiões administrativas e faz concerto em eventos particulares. Mas, desde o fim do ano passado, surgiu a ideia de levar a música para instituições que atendem idosos, crianças e pessoas com deficiência a cada mês de dezembro. Pelo segunda vez consecutiva a apresentação acontece no Lar dos Velhinhos Francisco de Assis.

Saúde e qualidade de vida

Além da visita em si em que muitos adolescentes e crianças acabam mantendo contato com os idosos, a apresentação é uma oportunidade de as pessoas de mais idade saborearem a música. As ondas sonoras contribuem para a saúde e a qualidade de vida”, destaca o maestro Ricardo Castro.

Castro ainda ressalta que a atividade orquestral contribui para o desenvolvimento intelectual e de habilidades sociais. Segundo o maestro, a atividade auxilia os estudantes a elevarem em até sete pontos o Quociente de Inteligência (QI). “Tem adolescentes que mudaram inclusive o comportamento e se tornaram outra pessoa na escola. A música incentiva aos estudos”, explica.

Mudança de rumo

Essa é a realidade de Lucas Cardoso, 16 anos. Aluno do Centro Educacional 1 do Guará II ele faz parte do MovSinfo e toca viola clássica. O estudante está no grupo desde o início da sua fundação há quase dois anos e conta que antes nunca tinha escutado e nem tocado um instrumento clássico. “Entrei para a orquestra e hoje gosto muito. Eu era jogado no mundo, aprontava, e hoje sou outra pessoa. Meu comportamento está renovado tanto na escola quanto na vida”, afirma.

“Melhor tocar que ficar na rua”

A mais nova no grupo de músicos é Camila Abreu, oito anos. A menina toca violino. Ela entrou na orquestra após o pai ter conhecimento do MovSinfo e já aprendeu a tocar cinco músicas que fazem parte do repertório de apresentação. “Tocar violino é muito legal e acaba sendo uma diversão. É muito melhor do que ficar na rua o dia inteiro”, destaca.

Os idosos do Lar dos Velhinhos ficaram emocionados com as músicas e a apresentação. A aposentada Maria José Ferreira, 71 anos, aprovou a orquestra. “Foi lindo e maravilhoso. Esse maestro é um anjo que Deus mandou para essa juventude e para nós também, porque trouxe alegria e uma tarde diferente para todo mundo. Eu também tenho uma viola caipira e até deu vontade de aprender a tocar”, destaca.

Morador do Lar dos Velhinhos Francisco de Assis há quase cinco anos, Luiz Moura Fernandes, 74 anos, também ficou encantado com o concerto. “Foi tudo bem bonito e as notas musicais estavam todas certinhas. Eu sei porque estudei música por muito tempo”, ressalta.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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