Jogo de empurra: Polícia, MP, Prefeitura e Atlético-PR fogem de responsabilidade após barbárie em Joinville


Jogo de empurra: Polícia, MP, Prefeitura e Atlético-PR fogem de responsabilidade após barbárie em Joinville
Três torcedores presos, quatro feridos levados para o hospital e centenas de envolvidos em uma briga generalizada que paralisou o jogo entre Atlético-PR e Vasco, neste domingo, na Arena Joinville…

Reprodução/ESPN.com.br

Trechos do contrato assinado entre a Prefeitura de Joinville e o Atlético-PR

Três torcedores presos, quatro feridos levados para o hospital e centenas de envolvidos em uma briga generalizada que paralisou o jogo entre Atlético-PR e Vasco, neste domingo, na Arena Joinville. As fortes cenas de violência na última rodada do Campeonato Brasileiro rodaram o mundo, mas as autoridades fugiram da responsabilidade pela confusão. Em um verdadeiro jogo de empurra, Polícia Militar, Ministério Público de Santa Catarina, Prefeitura e o clube paranaense, mandante da partida, jogam a culpa para o outro lado e negam ser responsáveis pela segurança no estádio.

O ESPN.com.br teve acesso ao contrato assinado pelo prefeito de Joinville, Udo Döhler, e pelo presidente do Atlético-PR, Mario Celso Petraglia, para a utilização da Arena Joinville. Pelo documento, o clube paranaense, que pagou R$ 25 mil pelo aluguel do estádio, teria a responsabilidade de garantir a segurança do jogo. Quatro artigos da cláusula terceira do contrato mostram exatamente as obrigações da diretoria rubro-negra:

“c) providenciar o aparato policial militar com o recolhimentos dos custos correspondentes; d) providenciar segurança privada com contingente suficiente para garantir a segurança do público; e) providenciar serviço médico, de enfermagem e ambulância conforme regem as competições; i) contartar seguro para cobertura de riscos; responsabilidade civil, obrigatórios na realização de eventos, danos pessoais de invalidez e assistência médica de eventuais sinistros que possa ocorrer no dia do jogo”.

A principal polêmica após a pancadaria nas arquibancadas aconteceu por causa da ausência de policiais do lado de dentro do estádio. O procedimento teria acontecido devido a um pedido do Ministério Público de Santa Catarina para que a PM não fizesse a segurança de eventos particulares, como é o caso de uma partida de futebol. Esta decisão, no entanto, ainda não teria sido aprovada judicialmente, segundo explicação de Marco Aurélio Braga, secretário de comunicação da Prefeitura de Joinville.

“Tudo é uma questão de interpretação. O MP entrou com uma ação civil pública dizendo que nãoé responsabilidade do Estado ou da Polícia a segurança de eventos privados. Foi dada a entrada nessa ação agora no dia 2 de dezembro, e isso foi repassado à PM, que resolveu não enviar mais agentes para o estádio. Mas ainda não houve nenhuma decisão judicial sobre o caso, a Prefeitura nem sequer foi notificada ainda”, explicou o secretário, que ainda falou sobre o contrato assinado entre a Prefeitura e o Atlético-PR.

“O Atlético-PR era responsável por contratar a segurança, isso está no contrato que foi assinado. O clube sabia que os policiais não poderia entrar dentro do estádio e contratou 90 seguranças particulares, número que foi discutido e aceito pela PM”.

Além dos 90 seguranças de uma empresa privada, a Polícia Militar colocou 180 homens trabalhando apenas do lado de fora do estádio. Depois do início da briga entre atleticanos e vascaínos, que paralisou o jogo ainda no primeiro tempo, os policiais entraram para tentar separar a confusão nas arquibancadas e tiveram muito trabalho, usando bombas de gás lacrimogêneo. Antes disso, apenas uma corda, uma pequena grade e três pessoas faziam a separação entre as duas torcidas adversárias, o que facilitou o confronto no local. No total, o público pagante neste domingo foi de 8.978 pagantes.

A PM de Santa Catarina, no entanto, rebateu o Ministério Público e se isentou de culpa pela segurança nas arquibancadas durante a partida.

“Houve consenso da PM de Joinville que não seria feito o policiamento dentro do estádio e essa decisão foi ratificada pelo Ministério Público de Santa Catarina. Mas avisamos que, se fosse necessário, haveria uma pronta intervenção dentro do estádio. A segurança deveria ser feita por seguranças privados por ser um evento privado. O Atlético-PR solicitou esse policiamento, mas confirmamos que não seria feito”, disse o comandante da PM, Adilson Moreira.

Em entrevista à rádio do Atlético-PR, o presidente do clube, Mario Celso Petraglia criticou a ausência de policiais dentro da Arena Joinville e também não assumiu a responsabilidade pelo comportamento dos torcedores vândalos.

“Como que a gente vem mandar o jogo aqui em Santa Catarina em condições de ter seguranças próprios se eles não têm o poder de polícia? Aquele grupo de marginais e quantos seguranças teriam que ter? E quem paga isso? O ingresso a cinquentão?”, questionou Petraglia.

A briga entre torcedores paranaenses e cariocas levantou mais uma vez a questão sobre a responsabilidade da segurança em jogos de futebol e sobre a ação de policiais dentro do estádios. Na Inglaterra, por exemplo, depois de muitos problemas e violência com os hoolingas, medidas severas foram tomadas e punições aplicadas. Atualmente, apenas os chamados stewards (seguranças privados) atuam na parte interna dos estádio, com um chefe do policiamento observando o comportamento dos torcedores em uma sala de monitoramento com TVs.

Após o reinício do duelo em campo em Joinville neste domingo, o Atlético-PR goleou por 5 a 1 e confirmou a vaga na Libertadores, enquanto o Vasco foi rebaixado para a Série B do Brasileiro.

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