Instituição que ensina arte para as crianças do Paranoá pede socorro


A idealizadora do programa, Elisa Lemos, 45 anos, confessa que já não consegue mais arcar com as despesas do local, que chegam a quase R$ 15 mil por mês
Carla Rodrigues

Os quadros e as cores espalhadas pelo pequeno espaço de aproximadamente 50m² em uma das ruas do Paranoá são provas do esforço dos alunos e professores do Instituto Mãos de Arte (IMA). Há quatro anos, a ONG promove ações de inclusão social voltadas a portadores de necessidades especiais. São 70 estudantes, entre crianças e adultos, tentando recomeçar a vida por meio da arte e seus mais diversos tons. Entretanto, tudo isso pode acabar a qualquer momento devido à falta de apoio financeiro.

A idealizadora do programa, Elisa Lemos, 45 anos, confessa que já não consegue mais arcar com as despesas do local, que chegam a quase R$ 15 mil por mês.

Gastos

“Hoje, pagamos R$ 1 mil de aluguel. Só que o dono do espaço já me adiantou que vai aumentar o valor para R$ 2 mil. É impossível arcar com todos os custos. Muitos chegam aqui com fome, porque não têm comida em casa. E comida é dinheiro também, infelizmente. Além disso, tem as contas de luz e de água. A gente compra todo o material que eles usam também”, diz Elisa. Por isso, pede a professora: “Precisamos urgentemente de ajuda financeira”.

“Sempre que vou vender um quadro não esqueço de falar do instituto. É importante as pessoas saberem que existe um lugar que acolhe pessoas ‘diferentes’ e deixa a gente mais seguro, de cabeça em pé”, conta Valber Melo, 29 anos. Há dois anos na entidade, o rapaz, que tem um problema genético nos ossos, conseguiu, aos poucos, refazer sua vida.

“Além da doença, sou negro e pobre. Tudo isso faz com que algumas pessoas me olhem de um modo estranho. Chego a acreditar que elas têm medo de mim. Isso já me machucou muito, mas hoje decidi simplesmente relevar. Eu sei o que eu sou e o que eu posso. O IMA me fez ver isso”, relata.
Local para novos amigos e solidariedade

Diana Silva, de 26 anos, conta com o amigo Valber Melo na hora de fazer algumas atividades. Por conta de uma meningite na infância, a jovem não mexe uma mão, o que dificulta, mas não impede, que ela faça seus artesanatos com miçangas. Na hora de colocar as pequenas peças no cordão, Valder, gentilmente, auxilia a amiga. “É difícil de fazer. Exige paciência, mas a gente não desiste”, falam.

Educação complementar

Diana frequenta o IMA há três anos. Com déficit de aprendizagem, ela chegou ao local por indicação da escola, que a aconselhou a procurar atividades terapêuticas. “Aí, eu vim pra cá. E gosto, adoro. É divertido. A gente aprende, ensina, divide. E aqui eu aprendi a fazer meu dinheirinho. Hoje, faço e vendo chaveiros de miçanga. Vendo cada um por R$ 10 e isso já é uma ajuda grande em casa”, explica a jovem.

Trabalho exige antes de tudo muito amor

Um dos professores do Instituto, João Batista, 58 anos, conta que a ideia principal do projeto é a reabilitação emocional dos alunos e o incentivo à transposição de suas barreiras. “E tudo isso exige, antes de mais nada, amor”, frisa. Formado em Artes Plásticas, o educador integra o projeto desde o início e, destaca: “Para mim, esses meninos são como filhos”. “Tem aluno meu que chegou aqui sem saber fazer um rabisco e hoje pinta telas lindíssimas”, ressalta.

O espaço oferece outras alternativas de envolvimento e aprendizagem. Para aqueles mais “virtuais”, a entidade reserva alguns computadores para lecionar. Por meio do programa Pincel Virtual, os estudantes desenvolvem sua criatividade, comunicação e autoestima, além de aprender a digitar.

Perspectiva

“É muito bom. Além de aprender, sei que vou poder levar isso adiante e conseguir, por exemplo, um emprego de secretária”, afirma Rosilda Rosa de Jesus, 34 anos. Vítima de tentativa de homicídio, ela perdeu o movimento das pernas depois de levar 15 tiros. “Minha família achou que eu ia morrer. Minha mãe pedia para desligarem os aparelhos. Fiquei quase um ano internada”, lembra. Porém, ao decidir superar seguir adiante, ela acabou encontrando Elisa, que a convidou para participar do projeto. “Foi um anjo na minha vida. Eu tenho prazer de vir pra cá. Esse lugar salvou 70 vidas”, diz.

Para doar

Instituto Mãos de Arte
Banco do Brasil
Agência 1230-0
Conta 34.808-2
BRB – Banco de Brasília – 070
Agência 0204
Conta 204.023339-8

CONTATOS DO IMA
contatos@maosdearte.org.br
ENDEREÇO
Quadra 34 Conj. E, Lote 11, Ed. da Rádio FM Paranoá – Paranoá/DF
TELEFONES: (61)3369-1808 (62)9618-6265

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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