INIESTA TEM RAZÃO – E AQUI EM CASA VAI TER COPA


INIESTA TEM RAZÃO – E AQUI EM CASA VAI TER COPA

EDUARDO MARETTI5 DE JUNHO DE 2014 


Um dos componentes que alimentam a torcida para que tudo dê errado, para que o Brasil perca a Copa, para que os estádios desabem, para que nossa realização seja um fracasso e acabe em vergonha é o ódio insano a Lula, ao PT e a Dilma

Tenho lido e ouvido muitas coisas sobre os motivos pelos quais se deve torcer para o Brasil ou contra o Brasil. Esta torcida pelo #VaiTerCopa ou #NãoVaiTerCopa embute muito mais significados do que parece. #VaiTerCopa ou #NãoVaiTerCopa é o sintoma de um país dividido.

Um dos componentes que alimentam a torcida para que tudo dê errado, para que o Brasil perca a Copa, para que os estádios desabem, para que nossa realização seja um fracasso e acabe em vergonha, vergonha incorporada justamente num dos nossos maiores símbolos e orgulho, o futebol, é o ódio insano a Lula, ao PT e a Dilma. Uma das parcelas da sociedade que torcem contra não suporta a ideia da distribuição de renda, e não tolera que um operário tenha tido a ousadia, mesmo sendo conciliador, de mudar alguns parâmetros das políticas públicas etc etc. “Somos contra tudo o que está aí”, dizem. Direitistas insanos e incendiários do PSTU, por exemplo, dizem, ou expressam, a mesma coisa.
Há outros que torcem contra porque simplesmente virou moda e também os que torcem contra sem saber por quê, o que no fim dá no mesmo. Não falo em moda à toa. A Ellus, conhecida marca de roupas usada por jovens, lançou uma absurda campanha na São Paulo Fashion Week este ano em que se viam camisetas pretas (que são vistas nas ruas hoje) com a frase estampada em letras garrafais: “Abaixo Este País Atrasado”.

Esperta como é, a indústria da moda ou pega carona em uma onda que vê se formar, ou ela mesma, se for capaz de criar essa onda, a cria. Não vou discutir estratégias de marketing aqui. Só não custa lembrar que a Ellus é acusada de utilizar trabalho escravo em sua produção. Esse é só um tipo de gente ou empresa que fomenta a moda segundo a qual o Brasil não presta, que vai dar errado, que tudo o que tem a ver com a Copa do Mundo é uma merda.

Se o Brasil não presta, vamos protestar. Vamos protestar contra tudo, vamos quebrar pontos de ônibus, vamos quebrar e incendiar ônibus, bancos, vidraças e lojas, vamos despedaçar nosso orgulho, nossa fama de país pacífico que recebe todas as raças e credos de braços abertos, vamos vilipendiar nosso futebol e nossa seleção, afinal para que serve o futebol a não ser para 22 otários correrem atrás de uma bola, não é mesmo?

De que servirá ganhar a Copa do Mundo se isso vai instaurar um clima positivo no país justamente às vésperas das eleições, e isso vai beneficiar a reeleição de Dilma Rousseff? Estão em jogo bilhões de dólares apenas no que vale a Petrobras.

Mas não é só isso, claro. Há os “politizados”, que protestam porque é importante protestar, porque protestar é um direito constitucional, porque, segundo dizem, o país está uma merda, a saúde está aos frangalhos, o transporte público não funciona, a educação idem, falta teto para morar, e os sem teto resolveram que agora, no período de Copa do Mundo (quando os protestos ganham mais visibilidade) e durante a gestão de Fernando Haddad, é a hora de botar pra quebrar. Vamos botar pra quebrar! Mal se lembram dos sistemáticos e estranhos incêndios que vitimavam comunidades e favelas até antes de Haddad tomar posse.

Recentemente, o meia Iniesta, um dos maiores jogadores de futebol do mundo na atualidade – aliás, autor do gol que deu o título à Espanha na Copa de 2010 na África do Sul – se manifestou sobre os protestos no Brasil: “É a Copa no país do futebol e não há nada mais belo do que isso. Todos deveriam festejar. Não sou ninguém para falar dos outros, especialmente sobre os problemas do Brasil. Só digo que é algo muito estranho”, disse Iniesta.

Achei muito interessante o que disse o craque espanhol. E me remeteu imediatamente à lembrança de um jovem espanhol que conheci há cerca de um ano no centro de São Paulo, exatamente na rua São Bento. Esse jovem estava na companhia de um meu colega de trabalho na Rede Brasil Atual. Conversamos um pouco, ele contou que estava no Brasil à procura de uma chance na vida, que na Espanha estava “una mierda, sin trabajo, sin possibilidades de vida”. E que veio para o Brasil porque tinha parentes que lhe contavam que aqui dava pra começar a vida, que tinha trabalho para um jovem. “Para un joven”!

Nunca mais o vi, mas era um menino quase imberbe, igual a esses que formam a multidão de jovens brasileiros mal ou bem intencionados que protestam, protestam e protestam, sem saber por exemplo que há até estrangeiros que vêm se tratar de Aids no Brasil, porque em seus ricos países não têm condições de pagar, e aqui encontraram o SUS.

Me lembro também de Nelson Rodrigues, e aqui reconheço que estou apelando a um clichê. Nelson que, revoltado com a babação dos brasileiros diante do futebol dos gringos, criou a expressão “complexo de vira-lata”, para se referir aos que viam o próprio esplendor, no futebol dos outros, diante do nosso pobre futebol de pernas tortas.

A palavra “complexo” me remete a outro tema. A psicologia, a psicanálise, a psique de um certo tipo de brasileiro que não quer dar certo. Freud tratou desse tema, na abordagem de indivíduos que boicotam a si mesmos, mas, se me permitem a licença, transponho esse conceito a um plano geral, para falar de um outro indivíduo, o brasileiro com complexo de vira-lata, característica de uma multidão composta por muitos:

1) os de “direita”, como os da banda da massa cheirosa e seus discípulos espirituais, que acreditam que tudo pode ir no rumo de seus desejos se nosso futebol fizer jus ao epíteto da Ellus, e querem que o Brasil pegue fogo, fracasse, perca a Copa do Mundo, que os estádios desabem;

2)querda”, que, por má-fé, ingenuidade ou adolescência tardia, e por um problema psicanalítico, querem que o Brasil pegue fogo, fracasse, perca a Copa do Mundo, e que os estádios desabem. Muitos desses “se acham”. Consideram-se de “esquerda”. Até votaram no Lula e na Dilma, mas entendem que é muito importante protestar, que é legal, que é daora, que é constitucional, que é revolucionário, que é politicamente correto, que é quase assim como um gigantesco grafite em cinemascope, um grafite em movimento, tá ligado? Assim, se tudo der certo, um dia talvez sejamos uma imensa Cuba.

Então, dizem eles, #NãoVaiTerCopa. Também dizem: “somos contra tudo o que está aí”.

Alguns desse tipo conhecem história mas estão confusos, não sabem se comemoram o gol de Neymar ou se apoiam os protestos que comandante Fidel aprovaria (alguns vão a Cuba e voltam mais confusos ainda). Outros não conhecem história e não sabem que muitos foram torturados e mortos para que chegássemos aonde chegamos. Outros, ainda, não gostam ou não entendem nada de futebol, e embarcam na onda porque se sentem apoiados no seu não gostar

Disse Lula a CartaCapital esta semana: “O jovem hoje com 18 anos tinha 6 anos quando ganhei a primeira eleição, 14 anos quando deixei de ser presidente da República. Se ele tentar se informar pela televisão, ele é analfabeto político. Se tentar se informar pela imprensa escrita, com raríssimas exceções, ele também será um analfabeto político. A tentativa midiática é mostrar tudo pelo negativo. Agora, se nós tivermos a capacidade de dizer que certamente o pai dele viveu num mundo pior do que o dele, e se começarmos a mostrar como a mudança se deu, tenho certeza de que ele vai compreender que ainda falta muito, mas que em 12 anos passos adiante foram dados.”

Enfim, acho triste, triste mesmo, que nossa Copa do Mundo tenha que ser assim. os de “es

ou não entender de futebol.
Iniesta tem razão.

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