“Indo para a África. Espero que não pegue AIDS”: a saga de um post racista e os nossos dias

Por Kiko Nogueira,


Se você achava que era impossível bater os humoristas brasileiros em matéria de piada de baixo nível, pense de novo.

Foto: Reprodução/Twitter

A americana Justine Sacco conseguiu essa façanha e virou, num dia, uma das pessoas mais famosas do mundo, numa prova de que: a) a velocidade da informação mudou para sempre; b) privacidade é algo que não existe; c) estamos todos conectados; d) não há limite para a burrice.

Nas redondezas do aeroporto de Heathrow, em Londres, a caminho da Cidade do Cabo, Justine escreveu no Twitter o seguinte: “Indo para a África. Espero que não pegue AIDS. Brincadeira. Eu sou branca!”

Em pouco tempo, a relações públicas da IAC — grupo que controla sites como Vimeo, Tinder, CollegeHumor e Dictionary.com — estava sendo comentada nas redes sociais. Tudo aconteceu enquanto ela estava no avião, numa relax. A IAC divulgou um comunicado: “É um comentário ultrajante, ofensivo que não reflete a visão e os valores da IAC. Infelizmente, a funcionária em questão está fora de contato num vôo internacional, mas essa é uma questão muito séria e nós estamos tomando as providências necessárias”.


Ao chegar a seu destino na África do Sul, já era uma celebridade. É um tipo de ação e reação dos nossos dias. Uma executiva desconhecida posta uma besteira; as redes sociais repercutem e viralizam; em um dia, ela fica famosa; em dois, perde o emprego e é esquecida.

Foi um massacre. Anônimos e celebridades fizeram troça de Justine. A companhia aérea Gogo criou um slogan: “Da próxima vez que você for falar algo estúpido antes de decolar, certifique-se de que está voando com a Gogo”.

A piada fez com que se desenterrassem outras coisas que ela escreveu no passado. Por exemplo:

“‘Alemão esquisito: você está na primeira classe. É 2014. Arrume um desodorante’. Monólogo interior enquanto eu cheiro sovaco. Obrigada, Deus, pelos cosméticos”

“Eu tive um sonho erótico com um garoto autista na noite passada”

“Eu não posso ser demitida pelas coisas que eu digo quando estou intoxicada, certo?”
Jornais e revistas tentaram entrevistá-la, mas ela ainda não quis se manifestar. Ao menos algo de positivo seu ato falho fez surgir: alguém transformou seu nome no domínio de um site com diversas entidades de combate à AIDS na África. Clique emhttp://justinesacco.com. O autor deixou um recado: “Justinesacco.com: não associada com a ajuda à África; mas você deveria ser”.

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