Ho, ho, ho, Papai Noel chegou…

Pelo nome, Nilson Francisco dos Santos, poucos o conhecem. Mas basta falar em Papai Noel de Luto que surge a imagem do homem franzino, de 64 anos, com barba branca, gorro e vestes vermelhas, pedalando pelas estradas do Brasil com sua bicicleta adaptada e com frases de protesto. Com uma bandeira branca, outra do Brasil e a fiel escudeira, a cadela Princesa, ele chega a Brasília para mais uma temporada. São quatro anos de protestos em vários estados. Desta vez, reclama da corrupção e prega mudanças na política. 

Na BR-060, que liga Brasília a Goiânia, ele chamava a atenção. Muitos motoristas, principalmente caminhoneiros, buzinavam e recebiam de volta um aceno. E ele mesmo brinca que se fosse ganhar por buzinada estaria rico. Assim, ora pedalando, ora empurrando a bicicleta, que conta com um espaço especial para Princesa, ele se aproximou da capital, onde pretendia se instalar próximo à Esplanada dos Ministérios.

É a reta final, mas não a última, de uma jornada iniciada em fevereiro, em Pidamonhangaba (SP). Não é, porém, a primeira vez que vem à cidade. Já passou por aqui para protestar contra o descaso com a saúde, por exemplo. E antes de pegar a estrada morou no Distrito Federal por três anos, trabalhando em um ferro-velho.

Princesa

A cadela Princesa tem um lugar especial na bicicleta. Vai sentadinha dentro da “carroça” e só sai de lá se Papai Noel mandar. É ela que garante a segurança dele: “Se chegar alguém perto, ela reage. Por isso, não tenho medo desses drogados que vivem por aí”. Princesa foi encontrada na rua, em uma cidade goiana. A vira-lata estava fraca e doente. Nilson cuidou dela com carinho, alimentou e, assim, conquistou a grande companheira de jornada. “Não vivo sem ela. Ela é meu maior amor”, diz ele, que prefere não falar da família. “Não gosto não. Deixa isso para lá”, justifica.

Uma jornada nada fácil

Nilson começou a trabalhar na lavoura aos oito anos, em sua cidade natal, Cornélio Procópio (PA). Como nunca pagou Previdência Social, não se aposentou ainda. “Dizem que vou ter direito a algo aos 65 anos. Até lá, fico nas estradas, pois assim não preciso mendigar, pedir favores ou depender da família”, explica.

E é contando com a boa vontade das pessoas que ele sobrevive. De alguns ganha um trocado: “Um homem me deu R$ 14”. De outros, recebe comida: “Nunca me negaram refeição”. Muitos param, tiram fotos e fazem doações. A roupa de Papai Noel, por exemplo, ganhou há alguns anos.

Nos postos, procura abrigo para as noites e banho. Na bicicleta, adaptada com uma carrocinha, carrega lona e outros objetos. “Não preciso de muita coisa. Não bebo, não uso drogas. Meus vícios são o café e um cigarrinho de vez em quando”, conta.

A vida de viajante não tirou Nilson da modernidade. Ele tem perfil no Facebook, e-mail, que é informado na bicicleta, e sempre acessa a internet em lan houses. De cidade em cidade, de protesto em protesto, Papai Noel toca vida. Quando cansar e tiver renda garantida pela sonhada aposentadoria, talvez pare. Até lá, continua na estrada, colecionando amigos e histórias.

Saiba Mais
– Em 2013, os dizeres na bicicleta são: “2014 limpa Brasil. Só nas urnas poderemos mudar o Brasil… Limpeza geral na política, chega de sermos palhaços e covardes”.

– Em 2011, protestou pela saúde. “Nas mãos de políticos, somos todos palhaços” era o bordão.

– Em 2008, Nilson vestiu uma roupa de Papai Noel preta e protestou em Curitiba (PR) contra a violência às crianças.

– papainoeldeluto@hotmail.com

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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