Há mais do que “pedrinhas” no caminho da Família Sarney

Da Redação
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Santificado o seja por ele mesmo

O Estado do Maranhão sustenta uma das últimas oligarquias da política brasileira. Além dele há vestígios no Tocantins, com os Siqueira Campos, e um quê de sobrevivência do clã Magalhães, na Bahia. Mas o Estado mais ao norte, que concentra 26% dos miseráveis do Brasil, é seguramente o que mantém mais fiel o estilo monárquico do qual o país imaginou ter se libertado com a Proclamação da República em 1889.

Um vídeo produzido pela reportagem da Folha de São Paulo atingiu o Calcanhar de Aquiles de uma gestão dos Sarney que tem se pautado pela carnificina de detentos do Presídio de Pedrinhas, em São Luiz. Só este ano, mesmo sob vigilância da Força Nacional de Segurança, as matanças prosseguem e dois presos já foram executados por outros detentos. O ano passado encerrou com mais de duas dezenas de presos barbaramente mortos.

Mas muito longe dali, de uma concentração humana capaz de desafiar a lei física da impenetrabilidade (dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço), no chamado Convento das Mercês, é que o escândalo político em estado permanente mostra uma faceta tão ou até mais cruel. O convento foi expropriado para abrigar a Fundação José Sarney. Guardados sob o manto da “sala reservada”, quadros de autoria desconhecida reúnem imagens da família Sarney e de seus mais próximos colaboradores. Ministros, ex-ministros e o ex-todo-poderoso da Bahia e do Brasil, Antônio Carlos Magalhães – a versão de José Sarney da Bahia. O deboche ganha ainda mais colorido quando se percebe que o artista rabiscou os modelos explorando imagens sacras.

Família e o amigo de fé: Edison Lobão

Depois de criar uma Fundação para preservar sua memória Republicana, o ex-presidente, que construiu sua carreira política durante a ditadura militar, viu o acervo ser transferido para o Estado. Obra e graça da sua filha, Roseana Sarney, a atual governadora, que também tem imagem “santificada” no óleo sobre tela guardado na Fundação.

O custo anual para a manutenção da Memória do colaborador da ditadura que virou presidente por obra do acaso (também conhecido como morte de Tancredo Neves) custa aos cofres do combalido Maranhão é de R$ 3.229.272,00 por ano. Muitos funcionários e pouco ou quase nada a se fazer.

Mas dinheiro parece não faltar. Pelo menos na cabeça da governadora. Ela não usou a verba federal destinada para melhoria e ampliação do Sistema Carcerário do Estado. Parte da tragédia penal pode-se atribuir a esta omissão. Mas isso não foi problema. O Réveillon, na casa da família, na badalada praia do Calhau, foi animado. Embora, para alguns otimistas, tenha se assemelhado ao Baile da Ilha Fiscal – o último baile do Império.

O vídeo produzido pela Folha faz uma passagem rápida pela vida pública de Sarney e o culto a imagem tão própria das oligarquias brasileiras. Veja o vídeo:

Segundo a mesma Folha, a Fundação José Sarney abrigou, em 2001, a mostra dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, organizada pela Brasil Connects. O conselho da empresa é presidido por Edemar Cid Ferreira, dono do Banco Santos e amigo de Sarney. Três meses depois, os dois viajaram juntos para Veneza.

Na época, a oposição acusou a governadora Roseana Sarney de ter gasto R$ 4 milhões para reformar o prédio da fundação para sediar a mostra, e outro R$ 1 mi para prorrogá-la duas vezes, alegando sucesso de público. Pavilhão. O Convento das Mercês, que abriga a Fundação Sarney, também foi palco da convenção do PMDB em 2006, na qual o partido definiu apoio às candidaturas ao Senado de Roseana e Edison Lobão, pelo antigo PFL.

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