Governo e oposição sírios concordam em pontos básicos para negociações


Por Redação, com agências internacionais – de Genebra e Damasco


Criança anda em meio aos escombros em busca de algo para comer, na cidade sitiada de Alepo

As duas delegações sírias que participam das negociações de paz em Genebra concordaram em usar o “comunicado Genebra”, um documento acordado pelas potências mundiais em junho de 2012, como ponto de partida para as negociações, disse o porta-voz da oposição Louay al-Safi nesta quarta-feira, revelando um aparente avanço no diálogo.

– O regime aceitou, mas quer que o governo de transição seja discutido no final. Nós queremos no início… queremos discutir o tamanho do governo de transição e suas responsabilidades. Concordamos que Genebra 1 é a base para as negociações – disse ele, em referência ao comunicado acordado em Genebra em junho de 2012.

O governo e a Organização das Nações Unidas não confirmaram a informação de imediato.

Fome na Síria

Enquanto os dois lados da guerra civil síria discutem em Genebra, em um hotel de cinco estrelas e com até seis refeições por dia, moradores da sitiada cidade de Homs, na Síria, estão tão desesperados por alimentos que têm comido “qualquer coisa que cresça no chão, plantas, até grama”, disse à agência britânica de notícias BBC o sírio Baibars Altalawy. A cidade está sob ataque das tropas do governo há mais de um ano e meio.

Segundo Altalawy, os moradores das partes sitiadas dependiam de alimentos, remédios e combustível enviados ao local quando o estado de sítio foi imposto. Mas esses suprimentos acabaram.

– Se não morrermos por conta dos bombardeios ou dos franco-atiradores, vamos morrer de fome ou frio – disse Altalawy, de 24 anos, via Skype, de Homs.

A população local esperava que a conferência em Genebra, que discute a guerra civil na Síria, levasse à criação de rotas seguras para que os moradores pudessem abandonar Homs – mas Altalawy afirma que, se o regime quisesse ajudar a população a escapar, já o teria feito.

O mediador da ONU, Lakhdar Brahimi, tenta obter acesso humanitário à área sitiada, mas os diálogos permanecem emperrados. A delegação síria exige garantias de que a ajuda humanitária americana não irá para “grupos terroristas armados” na cidade. São 13 distritos, incluindo a histórica Cidade Velha de Homs, que estão “totalmente sitiados”, afirmou Altalawy.

– Há famílias, mulheres, idosos, feridos (ali), e muitos dos idosos precisam de medicamentos para doenças crônicas. Não temos recebido nenhuma ajuda, tudo o que vemos diariamente são confrontos. Os rebeldes nas áreas sitiadas estão fazendo o que podem para impedir a entrada das tropas do regime – prosseguiu o sírio.

Grama

Na falta de alimentos, Altalawy diz que os sírios estão colhendo qualquer tipo de planta ou grama:

– Daí cozinhamos com água, usando madeira (para o fogo), porque não temos gás.

Só que essas gramas e arbustos têm causado indigestão e febre em alguns moradores.

– Alguns dias atrás, um idoso morreu seis horas após comer a grama – relata.

Altalawy afirma também que o bombardeio sobre a cidade não tem tido trégua – e que áreas de população civil estão sendo “diretamente alvejadas” pelas forças ligadas ao presidente Bashar al-Assad.

– Muitos morreram porque não temos equipamento ou medicamentos para salvar suas vidas. O pouco que sobrou de remédio está vencido, mas temos usado mesmo assim – lamenta.

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