GDF garante empregos após paralisação


Isa Stacciarini

Depois de uma terça-feira de colapso no sistema de transporte público do DF por causa da paralisação de ônibus que atingiu 11 empresas, rodoviários garantem que não há expectativa de greve para os próximos dias. O sindicato da categoria vai avaliar o impacto da suspensão do transporte que atingiu um milhão de passageiros. Micro-ônibus de sete cooperativas circularam, além da Sociedade de Transportes Coletivos de Brasília, que pertence ao GDF. 

O sindicato reuniu-se com o GDF, no Palácio do Buriti. Segundo o secretário de Transportes, José Walter Vazquez, ocorre uma incerteza dos rodoviários em relação à garantia de emprego. Vazquez garante que no edital das novas empresas há determinação de que eles sejam recontratados. “Isso se tornou obrigatoriedade por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Quando o GDF assina o documento envolvendo a mudança com trabalhadores, empresários e o mundo jurídico, deixamos de dizer que vamos dar prioridade aos trabalhadores para, de fato, contratá-los.”

Segundo ele, o Executivo garantiu os empregos dos rodoviários e, por meio do Tesouro, vai adiantar os recursos de R$ 120 milhões de indenizações. Haverá tentativa de o governo ser ressarcido pelas despesas custeadas a 11 mil trabalhadores. “O GDF tem a obrigação de manter os ônibus, a manutenção de ordem e o direito de ir e vir.”

A primeira etapa será pagar as multas do FGTS para a rescisão do contrato e os empregados retirarem o dinheiro. O presidente do Sindicato dos Rodoviários, José Osório, aponta que a reunião foi satisfatória, pois buscava-se resolver a situação da data-base. Segundo ele, o GDF garantiu acelerar as negociações, abertas desde maio.

Fiscalização

Cerca de 1,1 mil rodoviários do Grupo Amaral demitidos e recontratados por outras empresas já receberam parte da rescisão via GDF.

Os empregados foram novamente contratados na Viação Pioneira – para atuarem em São Sebastião e Paranoá – e Piracicabana, para operarem em Planaltina e Sobradinho.

Amanhã será a vez de 155 rodoviários do grupo Planeta.

Saiba Mais

O MPDFT e a OAB entraram, no início do mês, com Ação Direta de Inconstitucionalidade contra o pagamento das rescisões trabalhistas pelo GDF.

Isso porque, para as duas entidades, o executivo não poderia arcar com dinheiro público as despesas privadas que competem às próprias empresas pagarem. Entretanto, o TJDFT ainda não tem prazo para julgar as ações.

Um dia de sofrimento

Paradas lotadas, plataformas do metrô entupidas e trânsito caótico. Foi assim que o DF amanheceu, ontem, em função da greve. As pessoas tiraram carros da garagem ou recorreram às caronas. Para os que moram em Planaltina e Sobradinho, a situação foi grave, pois por lá não há metrô. Em Águas Claras, Taguatinga e Ceilândia as paradas estavam lotadas. Muitos recorreram ao metrô e ao transporte pirata.

E os piratas aproveitaram. Cobraram R$ 4 pela viagem entre Taguatinga ou Ceilândia para a Rodoviária do Plano Piloto. Em Taguatinga, a enfermeira Vanderleia Chavier, 40 anos, esperou a condução por 40 minutos. “Vou esperar enquanto puder porque não tenho coragem de pegar transporte pirata. Acho perigoso!”, afirmou.

Segundo funcionários do Metrô, houve aumento de 30% no número de usuários. O número de trens foi ampliado – 25 trens circularam no período de maior movimentação. Apesar da liberação das faixas exclusivas para ônibus e táxis ter sido autorizada, ontem, o trânsito estava mais carregado que o normal.

De Ceilândia para Taguatinga, o percurso, feito em 20 minutos, demorou até 1,5 hora. De Vicente Pires para o Plano Piloto, o motorista, que leva 15 minutos, demorava 45.

A volta para casa foi tumultuada e precisou de paciência. Os piratas voltaram a se aproveitar. E cobravam R$ 3 a viagem para São Sebastião. Para Samambaia, R$ 5. E para Santa Maria, R$ 7. Enquanto isso, a situação no metrô estava caótica. As filas para a compra de passagens e embarque ia até a portaria, longe das catracas. Dentro, o corre-corre era intenso para pegar os trens. Seguranças ajudavam os usuários. E todos só queriam voltar para casa…

Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

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