GDF demite administradores acusados de corrupção Por nota, governo disse não admitir servidores envolvidos em irregularidades


Tamanho da Fonte TATIANE ALVES

Foto: mary lealDelegados explicam a operação durante coletiva de imprensa na Delegacia de Polícia EspecializadaNo início da manhã, foi deflagrada a Operação Átrio, com expedição de mandados de prisão dos administradores de Águas Claras, Carlos Sidney de Oliveira (já detido), e de Taguatinga, Carlos Alberto Jales (considerado foragido até o fechamento desta edição). A prisão foi decretada pelos promotores de Justiça Criminal de Taguatinga, com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, e da Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado (Deco) da Polícia Civil.

As investigações apontam corrupção de agentes públicos por violarem exigências urbanísticas e ambientais referentes a diversos empreendimentos imobiliários nas regiões administrativas de Taguatinga e Águas Claras. Além da concessão ilegal de alvarás, os empreendimentos causaram danos urbanísticos, provocando transtornos à população local.

O GDF demitiu os envolvidos e declarou em nota oficial que é “princípio deste governo não pactuar com atos corruptos, nem admitir em seus quadros de funcionários a permanência de agentes envolvidos em irregularidades”. A exoneração dos administradores será publicada ainda hoje em edição extra do Diário Oficial. Ainda por nota o GDF afirmou que é “decisão deste governo exonerar imediatamente os agentes públicos que tiveram prisão temporária decretada” e que a “operação tem o total apoio desta gestão e está sendo feita em sintonia com os princípios norteadores da transparência exigida”. “Caso haja outros servidores públicos relacionados à questão, serão imediatamente afastados, para evitar qualquer obstáculo às investigações”, informou.

O diretor geral da Polícia Civil, Jorge Luiz Xavier, disse que quanto aos administradores, eles auferiram vantagem. “Se houve cobrança ou oferta, vamos descobrir mais à frente. Fundamentalmente, foram reunidas provas indicadoras do enriquecimento ilícito, que se deu por extorsão, compulsão, ou corrupção”, informa.

Além dos mandados de prisão contra os administradores, foram expedidos mais dez mandados de condução coercitiva. Entre os quais, um obriga o empresário e ex-governador Paulo Octávio a prestar depoimento na delegacia. O advogado de Paulo Octávio, Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay), disse que veio até a delegacia para saber de que se trata o inquérito. “Eu não conheço nenhuma acusação contra o Paulo. Sei que existe dois mandados de prisão contra os administradores de Taguatinga e Águas Claras e que a Justiça tem interesse em que ele seja ouvido. Ele tem todo interesse em esclarecer, me ligou e deve se apresentar no início desta tarde”, afirmou. A condição coercitiva foi solicitada ao Judiciário como estratégia para evitar combinação de depoimentos.

Dentre os mandatos estão Marfisa Adriane Gontijo Jales, Elaine Wetzel, Gilda Patricia Fonseca Cabrera, Larissa Queiroz Noleto, Gabriela Canielas Gonçalves, Fernanda Castelão Sorgi Barral, Luiz Felipe Hernandes Guerra de Andrade, Laurindo Modesto Pereira Júnior e Carlos Antonio Borges que, de acordo com o Ministério Público, são presumidamente inocentes até prova em contrário.

Crimes – Os administradores responderão por crimes de falsidade ideológica, corrupção passiva (recebimento de vantagem), e crimes que vão desaguar na esfera do crime contra a administração pública por expedição de documentos sem a observância da lei. Se o administrador de Taguatinga, Carlos Jales, não se apresentar ainda hoje, os delegados vão pedir a sua prisão preventiva. O prazo da prisão temporária é de cinco dias. No caso da preventiva, ele poderia permanecer preso até o final das investigações.

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