Futebol Suárez, impiedoso, mata a Inglaterra em São Paulo: 2 a 1


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Suárez, impiedoso, mata a Inglaterra em São Paulo: 2 a 1
O extraordinário artilheiro uruguaio estreou na Copa resolvendo o jogo para a seleção celeste – com dois gols, manteve sua seleção viva no grupo da morte
Giancarlo Lepiani, com fotos de Ivan Pacheco

Jogadores do Uruguai comemoram o segundo gol contra a Inglaterra no Itaquerão, em São Paulo – Ivan Pacheco/VEJA.com
Odiado pelos torcedores de todas as outras equipes da Inglaterra, o artilheiro com extenso currículo de confusões era marcado de perto tanto pela defesa como pelo público: os zagueiros Cahill (do Chelsea) e Jagielka (do Everton, arquirrival do Liverpool) não deixavam o camisa 9 escapar, e ele era vaiado a cada toque

Antes do jogo entre Uruguai e Inglaterra, nesta quinta-feira, no Itaquerão, a grande dúvida era sobre a presença ou não de Luís Suárez, o matador celeste que os ingleses conhecem tão bem. O artilheiro, que voltava de contusão e ainda não tinha estreado no Mundial, apareceu, de fato – e, com uma atuação antológica, decidiu a partida, com dois gols, um em cada tempo: 2 a 1 (Wayne Rooney marcou para o English Team). Em mais uma partida de altíssimo nível nesta Copa do Mundo, uruguaios e ingleses alternaram bons momentos no duelo, marcado por muito equilíbrio. Mas havia um atleta que brilharia muito mais que os outros e faria a balança pesar para o lado uruguaio: o fantástico Suárez brigou muito, incomodou a defesa inglesa o tempo todo, fez jogadas cheias de talento e picardia e deu a vitória à sua seleção, que está de volta à disputa depois de uma estreia terrível (derrota para os costarriquenhos, 3 a 1). Com o resultado, os ingleses esperam o resultado de Itália x Costa Rica, na sexta, na Arena Pernambuco, para saber se ainda têm alguma chance de avançar (terão de torcer por duas vitórias da Azzurra nas partidas que restam). A última rodada da chave acontece na terça, com dois jogos disputados no mesmo horário: Itália x Uruguai, na Arena das Dunas, em Natal, e Inglaterra x Costa Rica, no Mineirão, em Belo Horizonte.

Inimigos íntimos – A partida começou com todos os olhares voltados para Suárez, que tem brilhado intensamente no Liverpool, onde é companheiro de cinco titulares da seleção inglesa. Odiado pelos torcedores de todas as outras equipes da Inglaterra, o artilheiro com extenso currículo de confusões era marcado de perto tanto pela defesa como pelo público: os zagueiros Cahill (do Chelsea) e Jagielka (do Everton, arquirrival do Liverpool) não deixavam o camisa 9 escapar, e ele era vaiado a cada toque na bola. Um grande erro: de tanto vê-lo balançar as redes nas situações mais adversas, os ingleses já deveriam saber que o “Conejo” fica ainda mais perigoso quando provocado. Logo aos 4 minutos, em meio aos xingamentos dos europeus, ele bateu escanteio com efeito e quase fez um gol olímpico. Mas o jogo seria equilibrado: uruguaios e ingleses se alternavam no ataque, sem vantagem clara para nenhum lado. Aos 8, Godín, que foi o capitão na ausência de Diego Lugano, machucado, levou cartão amarelo ao impedir jogada de Sturridge usando o braço, na entrada da área. Rooney bateu a falta com curva e o goleiro Muslera, imóvel, se limitou a torcer – a bola raspou o ângulo da trave.

Sob frio de 14 graus – temperatura inferior à de Londres e igual à de Montevidéu nesta quinta – a partida ia esquentando: aos 15, Cristian Rodríguez ficou livre para soltar a bomba em diagonal, na esquerda, mas chutou pelo alto; no minuto seguinte, Sturridge arriscou da entrada da área mas o tiro foi desviado pela zaga. Aos 26, em jogada ensaiada, Suárez bateu o escanteio rasteiro para Cavani aparecer por trás da zaga e finalizar firme, mas pelo alto. Quatro minutos depois, o lance mais perigoso da partida até aquele momento: Gerrard cobrou falta da esquerda, perto da bandeira de córner, e Rooney subiu no segundo pau para escorar quase sob o gol. A bola explodiu no travessão. Foi uma oportunidade perdida em péssimo momento – afinal, aos 38 minutos, os uruguaios abriram a contagem. Luís Suárez – tinha de ser ele, claro – recebeu lindo um lançamento de Cavani, a alguns passos da pequena área, e escorou de cabeça, com categoria e precisão, encobrindo o goleiro Joe Hart. O artilheiro, melhor jogador do último Campeonato Inglês, foi às lágrimas com seu primeiro gol nesta Copa, marcado bem diante da maior concentração de torcedores ingleses no Itaquerão. Foi uma recompensa para quem lutou muito para estar no Mundial – há menos de um mês, ele foi submetido a uma cirurgia de emergência no joelho.

Catimba e garra – A Inglaterra tentou reagir rapidamente: aos 40, Rooney acionou Sturridge mais uma vez, e o centroavante soltou uma bomba cruzada. Muslera espalmou para escanteio. Os ingleses avançaram suas linhas, mas os uruguaios marcavam duro, impedindo o oponente de criar novas chances. O primeiro tempo terminava com o Uruguai em melhor situação – além da vantagem no placar, a equipe sul-americana deixava a partida ao seu gosto, com a chance de defender de forma compacta e partir em velocidade para o ataque, aproveitando o talento da notável dupla Cavani-Suárez. A seleção celeste começou a etapa final em ritmo frenético. Logo aos 3 minutos, o incrível Suárez mostrou toda sua ousadia ao arriscar outra tentativa de gol olímpico – e, desta vez, a bola ficou ainda mais perto de entrar, com Hart espalmando quase sobre a linha. Um minuto depois, outra grande chance uruguaia, com Gerrard desviando o disparo de Lodeiro. Mais uma chance dos sul-americanos aos 7, com Cavani, que invadiu a área, ficou frente a frente com Hart e chutou de esquerda, para fora. A Inglaterra reagiu aos 9, com Rooney chutando à queima-roupa quase da marca do pênalti. Muslera caiu para desviar. Sabendo que uma derrota nesta quinta a deixaria quase desclassificada, a seleção inglesa tentou acelerar o jogo; enquanto isso, os uruguaios já apelavam à catimba, atrasando a batida de faltas e laterais.

O técnico Roy Hodgson trocou Sterling por Barkley; Óscar Tabárez tirou Lodeiro para a entrada de Stuani. A Inglaterra trocou de novo, colocando Lallana na vaga de Welbeck. Álvaro Pereira, do São Paulo, quase entrou na fila – mas o uruguaio, com espírito de luta inacreditável, brigou para não ser tirado de campo mesmo depois de levar uma joelhada (acidental) em cheio no rosto. A garra uruguaia, contudo, não foi capaz de impedir o empate inglês, que veio aos 31 minutos, com Rooney, que se redimiu da chance de ouro perdida no primeiro tempo e empurrou para as redes um cruzamento rasteiro do lateral Johnson, pela direita. Inflamados pelo gol, os ingleses seguiram martelando: aos 33, Sturridge testou os reflexos de Muslera com um chute traiçoeiro, que o uruguaio pegou no susto. A seleção de Tabárez tinha recuado demais, chamando os ingleses para seu próprio campo e sofrendo para contragolpear. Mas o dia era mesmo do notável Luís Suárez, que andava meio sumido, mas resolveu a partida aos 40 minutos, recebendo lançamento longo, fuzilando Hart e deixando o Uruguai mais vivo do que nunca na Copa. Assim como no primeiro gol, Suárez chorou ao marcar – e depois, em mais um lance de malandragem, caiu no gramado, reclamando de dores, antes de ser substituído, já no finzinho.


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