Fiscal diz que secretário de Haddad recebia mesada


Antonio Donato deixou a Secretaria de Governo de Fernando Haddad nesta terça-feira após ter o nome novamente relacionado aos fiscais investigados

Antonio Donato (PT), secretario municipal do governo de São Paulo (Marcelo Brammer/Brazil Photo Press/Folhapress)

O ex-auditor fiscal Eduardo Horle Barcellos, um dos investigados no esquema que desviou 500 milhões de reais da prefeitura de São Paulo, afirmou em depoimento ao Ministério Público Estadual que pagou 20 000 reais, mensalmente, de dezembro de 2011 a setembro do ano passado, ao vereador Antonio Donato (PT). A revelação foi feita pelo Jornal Nacional, da Rede Globo.

Nomeado para a Secretaria de Governo após a eleição de Fernando Haddad (PT), Donato era um dos homens fortes da gestão até a tarde desta terça-feira, quando teve de deixar o cargo após novas denúncias citarem suas relações com os fiscais suspeitos. Ele também foi coordenador da campanha de Haddad e era o elo da administração municipal com o PT.

De acordo com o depoimento de oito horas prestado por Barcellos – uma delação premiada ao MP -, o dinheiro entregue ao vereador era obtido com desvios no recolhimento do Imposto sobre Serviços (ISS). O pagamento, de acordo com o fiscal, foi feito como “investimento futuro”, ou seja, a promessa de assumir cargos de confiança numa futura gestão de Haddad. Após ser preso, Barcellos foi exonerado do cargo de diretor do Departamento de Arrecadação e Cobrança. O fiscal repassou números de telefones que, segundo ele, eram usados para falar com o vereador na época.

Nesta segunda-feira, a Corregedoria Geral do Município determinou a abertura de uma sindicância para apurar a ligação entre Donato e os auditores fiscais investigados. Segundo a prefeitura, Donato prestou depoimento ontem. Nesta terça, ele apresentou seu pedido de demissão a Haddad, que aceitou. O nome do substituto ainda não foi divulgado.

Radar on-line: Donato reclamou com Haddad de fogo amigo petista

Denúncias – Reportagem do jornal Folha de S.Paulo mostrou nesta terça que o auditor Eduardo Horle Barcellos trabalhou três meses na equipe de Donato. O nome do vereador e agora ex-secretário municipal também apareceu em escutas autorizadas pela Justiça como suposto beneficiário de 200 000 do esquema de propina para sua campanha a vereador em 2008, o que ele nega. Integrantes do governo municipal pressionaram para que ele deixasse logo o cargo para minimizar o desgaste de Haddad.

Desde a semana passada, cresceu no PT e na cúpula da administração municipal a avaliação que o escândalo respingou na própria gestão. Além disso, tanto Lula quanto a presidente Dilma Rousseff temem que o desgaste constante do governo Haddad – já chamuscado pelo aumento do IPTU – tenha impacto negativo nas eleições do próximo ano. Hoje, o principal objetivo do PT é justamente tentar desalojar o PSDB do governo estadual e alavancar a candidatura à reeleição de Dilma no maior colégio eleitoral do país.

Leia a íntegra da nota da assessoria de Donato:

O secretário do Governo, Antonio Donato, comunica que está pedindo afastamento do seu cargo na Prefeitura de São Paulo e reassumindo o mandato de vereador na Câmara Municipal, de onde poderá, com a mais ampla liberdade, se defender de denúncias infundadas atribuídas à quadrilha de servidores municipais que fraudava o ISS (Imposto Sobre Serviços) e que a administração do PT desmantelou por meio da Controladoria Geral do Município. Donato reafirma que, desde o início da apuração, colaborou de forma direta com o trabalho conduzido pelo corregedor Mário Vinicius Spinelli, incluindo o cronograma de exonerações dos servidores investigados. Ressalta que a própria CGM, bandeira da campanha do PT, foi estruturada no âmbito da Secretaria de Governo até obter ela mesmo o status de secretaria, em abril passado. Ao identificar uma orquestração por parte dos servidores investigados para envolvê-lo de forma leviana e, assim, atrapalhar o curso das investigações, o secretário comunicou no final da manhã de hoje ao prefeito Fernando Haddad o pedido de afastamento imediato — inclusive para evitar o risco de a quadrilha tentar atingir o governo do PT na cidade de São Paulo e prejudicar o andamento das investigações.


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