Família de modelo em coma mobiliza Facebook para garantir ordem judicial


Família de modelo em coma mobiliza Facebook para garantir ordem judicial
Por três vezes governo do Amapá descumpriu determinações da justiça.
Jovem está em coma desde novembro e precisa de transferência médica.

Dyepeson Martins e Abinoan SantiagoDo G1 AP

Rarison Ricardo está em coma desde novembro de 2013 quando sofreu acidente de trânsito (Foto: Arquivo Pessoal/Facebook)

Familiares do modelo amapaense Rarison Ricardo, de 25 anos, criaram uma campanha na rede social Facebook para exigir que a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) faça a transferência do jovem para uma unidade de terapia semi-intensiva com tratamento neurológico, serviço indisponível no estado. Rarison está em coma no Hospital de Clínicas Alberto Lima (Hcal) desde 28 de novembro de 2013, quando sofreu um acidente de trânsito que lhe causou traumatismo crânio encefálico. Por três vezes a justiça expediu decisão obrigando a Sesa a transferi-lo, porém, nenhuma das ordens foi cumprida.

Campanha organizada pelo Facebook teve mais de 300 compatilhamentos (Foto: Arquivo Pessoal/Facebook)

A tia do jovem, Ludimila Miranda, de 31 anos, foi quem iniciou a campanha pelo Facebook, que desde sexta-feira (28 de fevereiro) teve 339 compartilhamentos. Ela e amigos do paciente intensificaram as publicações com a hashtag “#SesatransfereoRarison” após o governo do estado emitir nota alegando a existência de especialidade em Reabilitação Integrada e Neurológica na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hcal. Ludimila declarou que a família desconhece a existência da unidade, pois, segundo ela, “tal especialidade sequer foi mencionada em quaisquer das reuniões realizadas entre médicos”.

Rarison Ricardo, de 25 anos
(Foto: Arquivo Pessoal/Facebook)

“Iniciei a campanha para dar foco também na decisão judicial. A nossa indignação continua até que a ordem seja cumprida. Depois da decisão do juiz apareceu um profissional que nunca viu o meu sobrinho. É necessária uma equipe multiprofissional, não apenas de fisioterapeutas, como a Sesa quer fazer parecer”, declarou Ludimila, destacando que o sobrinho ainda corre risco de morte.

O titular da Sesa, Jardel Nunes, informou que não foi possível o cumprimento das três decisões da Justiça Federal por causa da indisponibilidade de vagas em leito no Hospital Israelita Albert Einstein, para onde a justiça determinou a transferência. A última decisão foi emitida em 28 de fevereiro e estipulou prazo de 48h para o cumprimento da norma. Nunes garantiu que modelo está sendo atendido por um neurologista especialista na área do paciente, um intensivista e uma equipe de fisioterapeutas especialistas em recuperação integrada.


Jardel Nunes, secretário de Estado da Saúde
(Foto: Dyepeson Martins/G1)

“Ele [Rarison] está sendo bem tratado, mas é claro que é preciso a transferência de espaço. Nós estamos atrás de vagas para ele, principalmente em outros hospitais do Brasil que possuam uma unidade com tratamento neurológico. (…) o que não podemos é realizar transferência de forma inconsequente, sem a garantia de que há vagas no referido hospital”, explicou Jardel Nunes, acrescentando que o governo articula com o Hospital Metropolitano de Belém do Pará, para que, havendo abertura de vaga, o paciente seja encaminhado imediatamente.

Auxílio
Além de necessitar do tratamento adequado, a família do jovem diz que não foi oferecido nenhum medicamento durante a internação de Rarison Ricardo. Todos os remédios foram comprados com a ajuda de familiares e amigos, com o nome e CNPJ do Hospital Alberto Lima devido a indisponibilidade em farmácias. A última medicação, por exemplo, custou R$ 2,3 mil, segundo os pais do jovem.


Rosely Miranda, de 48 anos, mãe de Rarison
(Foto: Arquivo Pessoal/Facebook)

“O meu filho não morreu porque estamos comprando as medicações e aparelhos que deveriam ter no hospital”, reclamou a mãe do modelo, Rosely Miranda, de 48 anos, em entrevista ao G1 no domingo (2).

Jardel Nunes disse que a família do modelo está sendo ressarcida financeiramente pelos gastos com a compra de medicamentos não disponibilizados na Sesa. Contudo, a mãe do paciente afirmou que o auxílio “nunca chegou” às mãos da família. “Cadê essa ajuda que nunca chega às nossas mãos?”, questionou.

“Está sendo oferecida toda a ajuda necessária. (…) não podemos cometer nenhuma irresponsabilidade. Precisamos de todas as garantias”. Não podemos definir prazos, mas estamos tentando até mesmo junto ao Ministério da Saúde ”, ressaltou o titular da Sesa.


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