Fala Comunidade por Germano Guedes


   O presente texto tem como principal objetivo refletir sobre as dificuldade e os desafios que encontro ao tentar realizar um trabalho de organização da população, a partir de uma proposta comunitária. As reflexões aqui apresentadas tem como base experiências de trabalho desenvolvidas na comunidade Estrutural.

Em primeiro lugar, gostaria de lembrar que um dos principais objetivos de trabalho como líder comunitários é exatamente favorecer o desenvolvimento e a melhoria de condições de vida da comunidade, através da sensibilização e organização da população, visando o resgate de seu papel de sujeito de sua própria história. Nesse sentido, este trabalho procura romper com a visão assistencialista e tutelar, que acaba por tornar a população dependente das Estruturas do Estado ou da Filantropia, buscando desenvolver atitudes reflexivas que favoreçam a organização de uma cidade que busca à sua autonomia ao efetivo exercício da cidadania.

Entretanto, a experiência nos tem mostrado que atingir esse objetivo não é tão fácil quanto parece. Em meu trabalho cotidiano tenho encontrado uma série de dificuldades, que muitas vezes me coloca frente a um complexo impasse:”por que é tão difícil para a população se organizar, mesmo em torno de questões essenciais à sua vida? Será esse um objetivo da própria população ou dos políticos que atuam na área? Como fazer para conseguir chegar a isso?

Os sentimentos de impotência e de frustração muitas vezes chegam a provocar desânimo e levam ao questionamento sobre o meu papel como líder comunitários.

A questão da organização da população, em torno de seus direitos civis, políticos e sociais, tem sido minha principal luta para que os moradores possam entender a dinâmica do desenvolvimento de uma sociedade para reproduzir no nível ideológico e no da ação, as relações de dominação necessárias para a reprodução das condições materiais de vida e manutenção da sociedade onde uns poucos dominam e muitos são dominados, através da exploração da força de trabalho.


Assim, qualquer trabalho que vive a organização da população em função de uma melhor qualidade de vida, deve partir de um processo de conscientização das pessoas sobre razões históricas da sociedade e do grupo social que as levam a agir da forma que agem.

Essa consciência de si, abre à população a possibilidade de alteração de sua identidade social, na medida em que, dentro de grupos a que pertencem e que definem os seus papéis, passam a questionar as determinações e funções históricas na qual passa a cidade Estrutural, identificando e constatando as relações de dominação que reproduzem uns sobre os outros e se tornando agentes de mudança social.

Fazendo uma  visita ao passado, o processo de desenvolvimento, infraestrutura e organização da cidade melhorou e muito. Entretanto, esse processo não é simples, porque os  políticos e os papéis que os definem são cristalizados e mantidos por trabalhos partidários que anulam e amenizam os questionamentos e aços de grupos, em nome de preservação social.

O desenvolvimento da comunidade se dá de forma lenta com avanços e recuos, pois o “sistema social” mais amplo a todo o momento exerce pressões diretas ou indiretas, para a manutenção de soluções individualistas, promovendo a competição, valorizando status e prestígio de posse de propriedades.

Viso uma ação transformadora da história de uma cidade chamada Estrutural.

Até a Próxima Germano Guedes.
Redatora  Ana Rosa Caramonete 

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