Ex-sapateiro fatura R$ 150 milhões ao ano com rede de ensino


Ex-sapateiro fatura R$ 150 milhões ao ano com rede de ensino
Após perder tudo em um assalto, empresário retoma vida empreendedora com franquia

Patrícia Basilio – iG São Paulo

O empresário Wilson Giustino, conhecido como Sr. Wilson, começou a trabalhar aos 12 anos e acumula no currículo experiências das mais diversas. Já atuou como entregador de calçados, sapateiro, vendedor e gerente de materiais elétricos, empresário do ramo de joias, divulgador de escola de informática, entre outras. Hoje, aos 53 anos, é dono da rede de ensino profissionalizante Cebrac e fatura R$ 150 milhões ao ano.

Tudo na vida de Giustino começou muito cedo. Aos 12 anos, ele entrou no mercado de trabalho para ajudar na renda familiar, tornou-se gerente aos 16 anos e aos 20 montou o próprio negócio, uma loja de joias em São Paulo.

O que veio rápido, contudo, acabou rápido também, segundo o empresário. Dois anos após abrir a joalheria, foi assaltado e perdeu tudo, inclusive peças já pagas pelos clientes. Com dívidas estimadas em R$ 1 milhão, Giustino teve de mudar para Campinas, no interior paulista e começar tudo do zero.
Divulgação

Wilson Giustino tinha loja de joias e perdeu tudo em um assalto; hoje é dono da rede Cebrac

“Procurando emprego no jornal, achei uma vaga de divulgador em uma rede de ensino de informática. Fui contratado e consegui reerguer minha vida. O que não imaginava é que o destino me levaria para outro ramo que jamais imaginava trabalhar e empreender”, conta.

Giustino trabalhou na rede de informática por um ano. Lá, aprendeu não só a divulgar os cursos oferecidos, mas também as estratégicas de captação de clientes e retenção de alunos. Observador — como ele afirma ser —, não perdia a chance de agregar experiência e conhecimento ao currículo.
“Agradeço ao meu pai por ter me deixado trabalhar desde cedo. Foi por ele que adquiri a experiência e a humildade para ser quem eu sou hoje

Foi então que a vontade de empreender voltou. Com afinidade pela área e a expansão das redes de ensino na década de 1980, ele decidiu abrir sua própria unidade, que, desta vez, não possibilitava grandes prejuízos com assaltos. “Pedi para o meu chefe me ensinar os macetes administrativos, e ele se dispôs a me ajudar”, afirma.

Em 1985, Giustino abriu sua primeira escola de informática, em Poços de Caldas, Minas Gerais, hoje chamada de Cebrac. “A demanda era tão grande que decidi ampliar a oferta de cursos e oferecer também qualificação em secretariado e contabilidade. Foi um ‘boom’ no mercado porque poucas escolas ofereciam esses treinamentos. Cheguei a abrir uma unidade por ano”, explica.

O sucesso do negócio — até então “inesperado“ — gerou interesse nos próprios professores, destaca Sr. Wilson. “Eles pediram para usar a minha marca na forma de licenciamento e abrir outras unidades pelo País. Foi o primeiro passo rumo ao franchising”, relembra.

Até 2003, segundo o empresário, havia 42 unidades no modelo de licenciamento. Para formalizar e padronizar o modelo de negócio, no entanto, ele decidiu contratar uma consultoria e franquear a marca Cebrac.

“Em 2004, a marca se associou à Associação Brasileira de Franchising (ABF) e os dois professores que haviam pedido para licenciar a marca se tornaram meus sócios”, diz o empresário.

Hoje, o Cebrac conta com 145 unidades no País e prevê dobrar esse número até 2016, devido, principalmente, à Copa 2014 e à Olimpíada de 2016, que serão realizadas no Brasil. A rede fechou 2012 com um faturamento de R$ 115 milhões e calcula terminar o ano com R$ 150 milhões.

“Agradeço ao meu pai por ter me deixado trabalhar desde cedo. Foi por ele que adquiri a experiência e a humildade para ser quem eu sou hoje”, avalia Giustino, que promete lançar novos cursos em 2014, sem revelar quais serão eles.

Primeira unidade do Cebrac, quando a escola ainda era focada em cursos de informática. Foto: Arquivo pessoal


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