Estado de calamidade

GLAUCYA BRAGA
Flávia Queiroz disse que a estrutura da escola da filha Karine é ruim, mas o ensino é bom
Foto: GLAUCYA BRAGA
Estado de calamidade
Quase 90% das escolas avaliadas pelo TCDF foram consideradas ruins ou péssimas
Lucas Dutra
O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) avaliou instituições públicas de ensino do Distrito Federal e a maior parte ficou abaixo da média. Ironicamente, escolas responsáveis por aprovar ou reprovar estudantes dos ensinos fundamental e médio repetiriam o ano letivo, devido notas vermelhas relacionadas, principalmente, a questões de infraestrutura. O relatório apontou que oito a cada 10 centros de ensino sofrem com problemas diversos – das 653 escolas do DF, 87,4% foram julgadas como ruins ou péssimas. A rede pública de ensino reúne cerca de 550 mil alunos.
Ao todo, 50 instituições foram avaliadas por técnicos do TCDF, entre janeiro e fevereiro de 2011, por meio de amostragem aleatória. Entre transtornos mais presenciados por estudantes em salas de aula ou demais instalações escolares, estão infiltrações, paredes descascadas, goteiras, quadras de esportes desbotadas, mesas e cadeiras quebradas, iluminação defasada, e outros. Após votação do relatório no plenário da Corte, ocorrida último dia 17 de julho, a Secretaria de Educação tem 120 dias para apresentar um cronograma de reformas às instituições que têm problemas estruturais.
Questionada sobre apontamento do levantamento do TCDF, a diretora do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF), Rosilene Corrêa, afirmou que as instituições públicas do DF realmente sofrem com estruturas defasadas e encontram-se em estado muito precário. “Já dei aula onde precisava procurar espaço no quadro para escrever, era todo quebrado. Não conseguia fazer letra legível direito. Eu mesma já tive que comprar um quadro para dar aula. Até compromete o trabalho de aprendizado dos alunos”, apontou.

Manutenção- Com relação ao relatório do TCDF e à determinação de realizar planejamento de reformas, a Secretaria de Educação informou que já possui um cronograma de obras, que será adequado às determinações do Tribunal, após oficialmente comunicada pelo órgão. Também afirmou que “32 obras constantes no relatório já estão em andamento” e que “conta com a assessoria de 10 empresas que fazem a manutenção periódica das 653 instituições de ensino públicas do DF”.
A dona de casa Flávia de Souza Queiroz, 42 anos, matriculou a filha Karina Queiroz, 10, na Escola Classe 314 da Asa Sul, reprovada no estudo do TCDF. A mãe informou que problemas estruturais superficiais, como paredes descascadas, flagradas nos muros da instituição, são insuficiente para fazê-la pensar em mudar Karina de escola. “Considero bom o ensino, não me importo com alguns probleminhas”, revelou. Sua sobrinha, a estudante M.L., 14 anos, revelou que estuda no Centro de Ensino Fundamental 214 da Asa Sul e enfrenta problemas diários. “Lá tem muitas cadeiras e mesas quebradas. Hoje (ontem, 24 de julho), o ventilador da minha sala pegou fogo e os extintores não funcionaram. Os professores apagaram com água”, apontou.

Escolas novas – De acordo com a Secretaria de Educação, quatro centros de ensino foram construídos na atual gestão e cerca de 300 escolas passaram por reformas ou reparos, desde 2011. Inclusive, no último mês de maio, o GDF entregou o Centro Educacional nº 1 da Estrutural e planeja inaugurar mais três escolas em breve, nas cidades de São Sebastião, Planaltina e Brazlândia.

Da Redação do Alô

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