Estadão denuncia mentira de Serra sobre caminhoneiro

Estadão denuncia mentira de Serra sobre caminhoneiro

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A história registrará José Serra como o maior manipulador da verdade que a política brasileira jamais conheceu, um caso crônico de megalomania, fantasia e da certeza da impunidade: com a blindagem que recebia da velha mídia, podia jogar na vala comum da luta política, todas as denúncias contra ele.
O caso do caminhoneiro José Machado, com catarata, merece entrar na antologia das grandes mentiras de Serra – e, espera-se, sem impunidade.
Foi assim:
  1. O PT divulgou a história de um caminhoneiro de 67 anos, padecendo de catarata, há um ano esperando uma consulta na rede municipal de saúde.
  2. A Secretaria Municipal de Saúde rompeu o sigilo médico do caminhoneiro, divulgando sua ficha. Com base nessa suposta ficha, Serra e Kassab acusaram a campanha de Haddad de ter mentido sobre a doença, que não seria catarata mas pterígio (pele que cresce sobre a cornea.
  3. A repórter Julia Dualibi, do Estadão, saiu a campo e constatou que o caminhoneiro tinha ambas as doenças. Na entrevista que deu ao Estadão, Serra passou uma carraspana nos jornalistas, acusando-os de ter embarcado na campanha de Haddad.
  4. Hoje o Estadão traz nova matéria de Julia Dualibi e Débora Alves, com base no prontuário do hospital que atendeu o caminhoneiro, confirmando a existência das duas doenças.
Em países civilizados, haveria punição pela quebra do sigilo médico de um cidadão, pelas falsas acusações imputadas a ele próprio (que deu depoimento dizendo estar com catarata) e à campanha adversária. O Secretário de Saúde seria punido pelo Conselho Regional de Medicina e os candidatos incursos em crimes de difamação.
Por aqui, a punição a Serra será a pior de todas: a possibilidade de leitores do jornal, não afeitos ainda à Internet, saberem mais sobre a personalidade real do candidato. E isso no jornal que, nos anos 70, consagrou-se mostrando Paulo Maluf como Pinóchio.
Do Estadão

Caminhoneiro sofre de catarata, aponta exame 

Documento contradiz Prefeitura em polêmica sobre doença de homem que apareceu em programa de TV petista criticando a saúde municipal

JULIA DUAILIBI DÉBORA ÁLVARES 
13 de setembro de 2012 | 3h 05
Resultado dos exames oftalmológicos realizados no caminhoneiro José Machado, que apareceu na campanha de TV do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, criticando o sistema municipal de saúde e dizendo sofrer de catarata, constatou que ele sofre mesmo da doença.
Os exames foram feitos no último dia 30, e o laudo foi assinado em 4 de setembro pelo médico Pedro José Monteiro Cardoso, do Instituto Cema, conveniado à Prefeitura. O resultado do exame foi encaminhado para Machado, que autorizou, por escrito, a divulgação dos dados pela equipe de campanha do petista.
No programa do PT em agosto, Machado havia dito que sofria de catarata e que esperava há dois anos na fila pela cirurgia. Na esteira das declarações, a Secretaria Municipal de Saúde acessou as informações do prontuário do paciente e divulgou que o caminhoneiro não tinha catarata, mas pterígio (crescimento de tecido sobre a córnea). O Estado revelou à época que a administração municipal havia acessado e divulgado dados do prontuário, sem autorização de Machado, a fim de contradizer a propaganda petista. O PT acusou a Prefeitura de violar o sigilo médico para favorecer o candidato do PSDB, José Serra, e pediu à Justiça a abertura de inquérito policial.
Serra e o prefeito Gilberto Kassab (PSD) disseram à época que Machado não tinha catarata e que a campanha petista havia mentido sobre o tempo de espera para a realização da cirurgia.
“O tempo de espera relatado e o tratamento indicado durante o programa eleitoral são notoriamente inverídicos”, disse a secretaria numa nota oficial. “Vocês (do jornal) pisaram no tomate, francamente. O PT saiu falando ‘pega ladrão, pega ladrão’, e vocês caíram nessa. Esse cidadão não tinha catarata”, disse Serra ao Estado no dia 31, em referência à reportagem sobre o acesso ao prontuário do caminhoneiro. “(A Prefeitura) já identificou, nos limites do que pode ser divulgado por conta da ética, que ele não tinha catarata”, disse Kassab.
O Relatório de Exame Oftalmológico, do Cema, constata que Machado tem em ambos os olhos “opacidade nuclear de cristalino” e “opacidade cortical”, além de pterígio. Opacidade do cristalino é o termo técnico usado para designar a catarata.
Em 30 de agosto, dia do exame, a mulher do caminhoneiro, Natalices Santos, que é do conselho gestor da UBS onde Machado foi atendido inicialmente, afirmou que a perícia apontava que ele tinha catarata e pterígio. Não havia, porém, documento que comprovasse a afirmação.
Em resposta, a secretaria questionou em nota mais uma vez as informações ao afirmar que eram “inverídicas”: “Se o caso fosse de cirurgia de catarata, o paciente certamente já teria sido operado, uma vez que no Cema não há fila de espera. O prazo médio para a realização desse tipo de procedimento é de 30 dias”. O Estado voltou a procurar a pasta ontem, que disse manter “as informações enviadas ao jornal”.
A assessoria de imprensa da campanha de Serra repetiu ontem que a questão central é o fato de a campanha do PT ter levado ao ar uma mentira ao dizer que o caminhoneiro esperava dois anos para fazer a cirurgia.
Haddad disse que “o comportamento e as declarações de Serra sobre o caso demonstram falta de compromisso com a verdade”.
No relatório, o Cema diz que Machado fará a operação do pterígio no dia 27. “Após reavaliação, se constatada a necessidade de cirurgia, será realizada facoemulsificação (para retirada de catarata).” Informado sobre o resultado dos exames, o oftalmologista Paulo Melo Filho, da Unifesp, disse que Machado tem catarata em nível intermediário, que deve ser tratada após a cirurgia de pterígio. “O pterígio dele é recidivado, ou seja, já fez uma retirada antes, e o pterígio voltou. Quando isso acontece, vem mais agressivo.”

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