Entrevista Patrício faz balanço de sua gestão e diz que reeleição não fez parte de seus planos


Deputado Patrício (PT), fala sobre a articulação para que o PT continuasse no comando do Legislativo e sobre sua possível saída para o Executivo

Dos dois anos em que você ficou a frente da presidência da Câmara Legislativa do Distrito Federal, qual a conquista que mais te orgulha?
Uma coisa coisa engloba tudo: os projetos estruturantes do governo. Nós conseguimos garantir ao GDF a aprovação de projetos importantes e estruturantes para que o governo possa deslanchar até 2014. Foram aprovados 320 projetos do Executivo, mas projetos que impactam, pois não adianta só a Câmara aprovar e o cidadão não ver, não sentir. Um exemplo é o Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU). O Roriz tentou aprovar e não conseguiu. O Arruda tentou, não conseguiu. Nós, com dois meses, aprovamos. E o governador Agnelo não pagou nada, não deu cargos nenhum. E nós conseguimos aprovação com voto de todos os deputados. São R$ 2,4 milhões para investir no transporte público. Quem ficaria contra? É uma conquista importantíssima para a sociedade. Esse é um dos projetos fundamentais aprovados e que me orgulha. Além dele, o pacote da saúde, que resultou em 7 mil contratações, a renovação das estruturas físicas da saúde, que vai impactar no atendimento ao cidadão, embora seja a longo prazo. …

Mas o Legislativo também aprovou outros projetos que foram importantes para o próprio poder nestes anos, não?
Sim. O ficha limpa em 2011 foi importante, pois instituiu a norma no DF inteiro, em todas as instituições. O fim do nepotismo, que acabou com essa prática no Legislativo, seja com deputado, seja com servidor. Não existe mais nepotismo aqui, nem cruzado. Acabamos com o 14º e 15º salários, em votação realizada no plenário da Câmara.

No começo, quando você assumiu, existia o comentário de que você era um presidente autoritário. Mas agora, dois anos depois, você termina o mandato sendo bem quisto por todos os colegas. Qual foi a estratégia?
Na presidência da Câmara, você tem que flutuar o tempo inteiro. Existem os deputados eleitos com o governador Agnelo no primeiro turno, deputados que vieram para a chapa no segundo turno e deputados que depois de ganharem, integraram a base. Então, nem todos vieram pragmaticamente por um mesmo projeto político. O presidente da Câmara precisa aprovar os projetos do governo para que ele funcione. Uma hora eu tinha que estar mais próximo de um bloco, depois de outro. Tenho bom trânsito com os deputados hoje.

E o PT te cobra por isso…
Esse é o maior problema do PT, mas eu converso com todo mundo. Tenho que ter boa relação, independentemente de partido, por um projeto maior. Não se pode deixar Brasília refém de nenhum grupo político.

Você já pagou preços altos por, algumas vezes, não fazer o que sua base esperava, o que o PT esperava, o que os colegas esperavam. É o ônus da presidência?
Sim. Defendo minha categoria, mas entendi o recado do Palácio do Planalto que disse que não haveria reajuste para os policiais. Cheguei a falar para o governador Agnelo para propor a reposição das perdas para a categoria em 2013 e 2014, porque naquele momento não era possível e pronto. Na época da CPI da Arapongagem, por exemplo, fui chamado na executiva do PT. O deputado Chico Vigilante chegou a dizer, na época, que eu seria expulso do partido. Hoje, faço parte da maior corrente do partido, que é a corrente que defende que não existência de prévia e defende a reeleição do governador Agnelo.

E agora você vai para o Executivo para ajudar neste projeto de reeleição?
Quando viajei para a China com o governador Agnelo eu disse: ‘tudo o que precisava fazer para o governo, eu fiz. O que falta fazer, ainda eu vou fazer até o final do meu mandato, mas vou sair da presidência com o dever cumprido’. Se for preciso que eu vá para o governo para ajudar, eu vou. A ideia é fazer com que o governo deslanche, melhorar a imagem do governador. Os projetos aprovados na Câmara vão garantir que recuperemos a imagem do governo.

E irá mesmo para a Sedest?
Pode ser a Sedest, mas pode ser também a Secretaria de Governo, vai depender do que o governador Agnelo quiser. Ainda não chegamos a essa conclusão, se fico na Câmara ou se vou para o Executivo. O foco é 2014, e isso está acima de qualquer projeto de qualquer deputado.

Secretaria de Segurança está descartada?
Que político assumiria a Secretaria de Segurança? E eu ainda teria um problema sério. Eu sou deputado hoje, mas sai da polícia como cabo. Se eu assumir, delegado e oficias terão que obedecer minhas ordens. Quem estiver na função, tem o comando. Mas existe uma cultura e muitos teriam dificuldades em aceitar ordens de um ex-cabo.

Por que não levou até o final o projeto da reeleição?
Eu poderia ter chamado uma coletiva e ter anunciado logo no primeiro semestre para dizer que eu não era candidato à reeleição da presidência da Câmara. Mas avaliando a conjuntura política, percebi inclusive que nós poderíamos ganhar a presidência e o governador sairia fortalecido. Eu disse ao Agnelo: ‘a tática é essa. Deixa todo mundo achar que eu vou para a reeleição e, no final, a gente da uma guinada’.

Então foi um jogo para fortalecer o governador Agnelo Queiroz?
Sim. E foi um marco essa vitória do governador na eleição da Mesa para o segundo biênio. Uma prévia de 2014. A eleição na Câmara é uma prévia de 2014. Você tem o chefe do poder Legislativo que tem que estar em harmonia com o chefe do poder Executivo. E o governador ganhou por unanimidade. Tinha muita gente querendo bater chapa, mas discutimos, dialogamos, e conseguimos o consenso.

A escolha do nome do deputado Wasny também teve a sua participação?
A minha defesa sempre foi de que a presidência deveria ser do PT. E construímos com o governador o nome que havia maior possibilidade. Os espaços são definidos, cada partido tem o seu. Só mudam os personagens, mas o PT tinha que ficar com a presidência da Câmara. Sempre foi assim. No Governo Cristovam foram dois presidentes petistas. No Governo Roriz, a base. No Governo Arruda, a base. O sistema é presidencialista, o PT ganhou o governo, tem a maioria, e deveria ter a presidência do Legislativo.

Mas o deputado Wasny almeja vaga no Tribunal de Contas. Caso ele saia?
Continuo defendendo que o próximo presidente seja do PT. Se o presidente sair, o vice assume e tem que convocar nova eleição em sete dias.

E o próximo nome, neste caso, seria o da deputada Arlete Sampaio?
A Arlete voltou para a Câmara para ser candidata à presidência, mas eu não participei dessa negociação. Fiquei sabendo antes de ela voltar. A única coisa que eu disse foi: ‘se existe a pretensão de elegê-la, é preciso que ela volte logo no segundo ano. E é preciso construir’. Era preciso que ela tivesse sido líder do governo desde o dia 1 de janeiro deste ano. Aí ela teria construído durante o ano.

E quanto ás suas pretensões políticas?
Minha ideia é ser candidato a deputado federal. Mas o Paulo Tadeu não virou conselheiro do Tribunal de Contas e abriu mão de um projeto pessoal por um projeto maior?

Então você também pode virar conselheiro do TCDF?
Por quê não? Se eu for ficar na Câmara, serei o deputado Patrício que sempre fui, que defenderá o fortalecimento da Casa, mas sem o ônus da presidência. O fato de ser base não significa que não se pode cobrar algumas coisas. Mas se eu for para o Executivo, é para trabalhar para ajudar na reeleição do governador Agnelo em 2014.

Por Lívio di Araújo
Fonte: Jornal Alô / Redação 

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