Entrevista – Cristovam Buarque: “Um estádio que drenou os recursos da cidade”


Suzano Almeida

O mais caro palco da Copa do Mundo de 2014 e sede da abertura da Copa das Confederações não foi um bom investimento, avisa o senador Cristovam Buarque (PDT). “Trata-se de um estádio que drenou os recursos da cidade”, desabafa. Ele avaliou, em uma conta rápida, que com o montante de R$ 1,6 bilhão empregado na empreitada poderia ser dar educação para 15 mil alunos, com estrutura de primeiro mundo. Ex-aliado do Buriti, o senador analisa que a “revolução” proposta pela coligação Um Novo Caminho não vingou e sugere o nome do deputado federal José Antônio Reguffe (PDT) para a disputa do Buriti em 2014.

O que acha de se fazer a Copa no Brasil?

Desde o começo eu tenho tido uma posição contra, a meu ver, ao da opinião de 200 milhões de brasileiros. Eu acredito que não era à hora de a Copa vir para o Brasil. Para mim era melhor deixar a Copa para daqui a alguns anos, depois que nós tivéssemos feito investimentos necessários em educação, em uma indústria com tecnologia, em infraestrutura urbana satisfatória. Nossas metrópoles são na verdade monstrópoles) e nelas e que nós vamos fazer a nossa Copa. Quando diziam que a Copa era a maneira de melhorar as cidades eu sempre desconfiei e sempre achei que era preciso fazer as obras da cidade sem ter que se esperá-la. Agora a própria Fifa está dizendo que as obras urbanas não estão sendo feitas, que estamos fazendo apenas o Estádio.

A construção do Estádio Nacional foi um bom investimento

Sempre lamentei muito que o governador Arruda tenha escolhido o caminho de construir um novo estádio com 71 mil lugares, em vez de reformar o Mané Garrincha, haja vista que a tradição futebolística do Distrito Federal não justifica o estádio desse tamanho. A ideia de arena, que será usada para outras atividades, me faz muito cético sobre se o estádio terá uso alternativo que compense o tamanho dele. Quando a gente compara o custo das cadeiras daqui com o Maracanã ou com outros estádios, fica sem saber como explicar porque custou tanto o estádio de Brasília. Acho que nem os estádios do Catar, que terão ar-condicionado, custarão quanto esse nosso.

Esse dinheiro poderia ser melhor empregado?

A partir desse R$ 1,6 bilhão, fiz a seguinte conta: peguemos R$ 135 milhões, que é o necessário para ter mil alunos em uma superescola – uma escola que paga R$ 9.500 a cada professor, com todos os equipamentos mais modernos e em horário integral – e ainda sobraria mais de R$ 1,4 bilhão. Se empregarmos esse dinheiro a 4% ao ano e pegar o valor dessa escola por 12 anos, o tempo que leva do 1º ano a última série do ensino básico, poderíamos colocar 15 mil alunos em uma superescola. Se considerarmos que cada menino desse terá no futuro R$ 4 mil de salário, no final de 35 anos que é a vida de trabalhador desses meninos, temos o equivalente a 17 estádios. Ou seja: é muito mais econômico investir em educação do que num estádio. Essa é a minha visão para dizer que o governador Arruda não tomou uma boa decisão para fazer esse estádio, nem o governador Agnelo, que decidiu ampliar o estádio e gastar duas ou três vezes mais do que o Arruda pensava. Criticamos tanto o Roriz por conta da Ponte JK, que custou mais do que o orçado e o Agnelo fez o mesmo no Estádio.

Qual a opinião do senhor sobre a educação no DF?

Ela vive uma total desorganização. Mesmo pessoas da Secretaria de Educação e até do PT dizem isso. O Agnelo foi eleito, na verdade eu digo que nós fomos eleitos, pois estávamos na mesma chapa, para fazer uma revolução na educação e como ele dizia, em seis meses pôr ordem na saúde e ele não fez isso. Nós ganhamos, mas ele não fez, porque ele me deixou fora do governo desde o primeiro dia.

De quem foi a decisão de afastar o senhor

Foi ele quem decidiu isso. Hoje agradeço, mas não foi eu quem quis ficar de fora. Eu queria ter ajudado. Dentro do governo ele tomou a decisão de considerar que quem falava pelo PDT era o deputado Israel. Então ele rejeitou completamente ao Reguffe, a mim e ao PDT. Deixou-nos de fora e hoje eu fico feliz que isso tenha acontecido.

Como o senhor analisa o governo, olhando de fora?
Acho que a opção política do Agnelo, ter uma base de quase cem por cento dos deputados, 21 dos 24, cobrou um preço muito alto a ele, que teve que distribuir cargos para todos os deputados. No meio de tantos, tem gente que pensa completamente diferente do que nós defendíamos no Novo Caminho. Ele descaracterizou o governo. Também acho que a maneira como o governo trata o Tadeu Filippelli, que foi um dos caras mais importantes da campanha. Não estou dentro e não sei. Eu achei que o vice-governador teria uma participação mais de acordo com a participação que ele teve na campanha.

Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

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