Entenda o caso envolvendo Neymar


Presidente do Barcelona Sandro Rosell é acusado de fazer pagamentos secretos à família de Neymar para garantir que o jogador assinasse com o Barcelona.

(Foto: David Ramos/Getty Images). 

O então presidente do Barcelona, Sandro Rosell, e o atacante Neymar. Rosell renunciou nesta quinta-feira após denúncias de irregularidades na contratação de Neymar 


A contratação do maior nome do futebol brasileiro da atualidade deveria ser uma grande vitória da gestão do presidente do Barcelona, Sandro Rosell. No entanto, foi o contrato assinado com Neymar que o derrubou. Por conta de uma transação cheia de mistérios e indícios de irregularidades, Rosell anunciou nesta quinta-feira (23) sua demissão. O caso, que tramita na Justiça espanhola, pode também colocar Neymar e sua família no centro do escândalo. Entenda quais são as acusações que derrubaram Rosell e como isso pode afetar o camisa 10 da seleção brasileira.

Quem é Sandro Rosell?

Sandro Rosell é um dirigente do Barcelona. Já morou no Brasil, trabalhando como diretor da Nike, e também atuou na ISL, uma empresa de marketing da Fifa que faliu e foi acusada de pagar propina para dirigentes brasileiros, entre eles o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira.

Rosell se tornou presidente do Barcelona em 2010. Sob seu comando, o clube conquistou um grande número de títulos, entre eles o Mundial de Clubes e a Liga dos Campeões da Europa, e manteve-se no topo do futebol mundial. Seu mandato, no entanto, também foi turbulento, com várias acusações judiciais de opositores.

Qual é a acusação contra o presidente do Barcelona agora?

Rosell é acusado de apropriação indébita por não ter declarado parte do dinheiro utilizado para fechar o contrato entre Neymar e o Barcelona.

As primeiras dúvidas surgiram pouco depois da compra de Neymar, quando o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, desistiu do negócio pelos altos valores. Acontece que, oficialmente, o Real Madrid havia oferecido uma quantia maior do que o Barcelona.

Há uma “cláusula de confidencialidade” no contrato que permite ao clube não revelar os valores da transação de Neymar. Jordi Cases, um dos membros do Barcelona, entrou na Justiça para ver os documentos, e o Ministério Público Espanhol aceitou a denúncia. A promotoria acredita que Rosell fez pagamentos secretos à família de Neymar.

Quem mais está envolvido no escândalo?

Além de Rosell, a N&N, empresa da família de Neymar, e o empresário André Cury. A denúncia foi feita por Jordi Cases, um membro de oposição do Barcelona. O Barcelona, o Santos e o Grupo Sonda-DIS, patrocinador do Santos que tem um braço para administrar carreiras de jogadores, podem ser considerados vítimas.

Quais os valores envolvidos?

O jornal espanhol El Mundo teve acesso aos documentos da Justiça. Segundo a reportagem, os valores da campra de Neymar pelo Barcelona são estes:

Valor divulgado: 57 milhões de euros (R$ 180 milhões)

Valor real: 95 milhões de euros (R$ 300 milhões)

Quantia não declarada: 38 milhões de euros (R$ 120 milhões)

Onde foi parar todo esse dinheiro?

Os promotores espanhóis ainda estão investigando. Mas Cases não acha que o dinheiro tenha sido usado para enriquecer as contas do presidente do Barça. A principal suspeita, portanto, cai sobre a família de Neymar. Segundo o jornal El Mundo, esse dinheiro foi pago à família do jogador Neymar, na forma de comissões secretas, para assegurar que o brasileiro fechasse o contrato com o Barcelona e não com clubes rivais. Segundo a denúncia, a maior parte do dinheiro foi para a família de Neymar, mas também houve pagamentos para empresários e até para um projeto social do jogador em favelas brasileiras.

Quais as repercussões no Brasil?

O Santos e o Grupo Sonda estudam entrar na Justiça brasileira para tentar receber parte dos recursos da família de Neymar. No contrato com o Barcelona, o clube e a empresa deveriam receber uma porcentagem pela venda. Se ficar provado que a transação foi maior do que a divulgada, a porcentagem deles deverá ser maior.

A família de Neymar, por enquanto, não se manifestou sobre o caso.

Fonte: Revista Época – 24/01/2014 

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