Enem causa polêmica


Júlia Carneiro

Mais uma vez o método de avaliação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é motivo de debate. Desta vez, quem se mostrou insatisfeito com o resultado foram os donos de colégios que ficaram fora do ranking nacional e solicitaram reexame de cálculo das notas. Dentre os 11 pedidos deferidos desde a liberação da lista no começo da semana, está um colégio particular de Brasília que alcançou a 27ª posição, colocando o DF entre os top 50. 

Além dos colégios insatisfeitos com os resultados iniciais, os pais de alunos matriculados nas melhores escolas também ficaram decepcionados e surpresos com a colocação dos colégios que utilizam instrumentos de avaliação como ferramenta de publicidade justificando os altos preços, que são equiparáveis, ou até mais altos, aos três melhores do ranking nacional.

Por isso a publicitária Ana Paula Messeder esperava uma nota bem melhor para a escola na qual a filha é matriculada. “Não faz sentido. O ideal é que ela estivesse em uma colocação muito maior”, reclama. Ainda mais se for considerado o preço da mensalidade, de R$ 1.990. Apesar de a escola estar no 82º lugar, a mensalidade é R$ 100 mais barata que o primeiro colocado, de São Paulo, e R$ 500 mais cara que o segundo colocado, em Minas Gerais. “A escola é cara porque é pequena, são quatro turmas por série e colocam para o aluno todos os recursos de ensino. Eles cumprem a promessa. Vale o preço”, aponta Ana.

Incentivos

A filha de Ana, Isabela Fialho, está no segundo ano do Ensino Médio e ainda não teve a chance de fazer o Enem, mas se considera preparada graças aos incentivos dos professores. “Sempre fui muito bem recebida. Tenho dificuldade com exatas, e sempre tem algum professor pronto para tirar dúvida. Estou me empenhando muito mais nesse colégio e todos os dias eles falam do Enem”, conta Isabela.

Segundo o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinepe) os preços não têm ligação direta com a classificação frente aos outros ensinos fundamentais do País. “A escola fixa a sua mensalidade mediante proposta pedagógica e planilha de custos. Sua estrutura física, tecnológica, recursos humanos e folha de pagamento devem ser considerados no preço. Também tem relação com o número de turmas, de alunos, se é regular ou integral”, explica Fátima de Mello, presidente do Sinepe.

Apenas 30% participam do Enem no DF

Para o Sinepe, a colocação não deve ser feita de forma isolada, pois não indica todas as capacidades de uma boa instituição. E o tamanho da amostragem é algo a ser considerado, já que só 30% dos alunos das escolas particulares participam do Enem no DF. “A avaliação é pontual, um único instrumento que mede alunos de terceiro ano do Ensino Médio que aderem por espontânea vontade a fazerem a prova”, diz Fátima de Mello, presidente.

Dentre as exigências para a escola entrar no ranking estão a de que mais de 50% dos alunos matriculados no 3º ano façam a prova e que as salas tenham mais de dez pessoas. Os dirigentes de escolas que não entraram na lista têm até 4 de dezembro para solicitar o reexame.

Revisão

Em Brasília o primeiro colocado em 2012 solicitou revisão do Ministério da Educação e alcançou, agora, o 27º lugar. Apesar de o Inep afirmar que menos de 50% dos alunos tenham feito a prova, a diretoria indicava que havia participação de 90%. O Inep informou que o ranking ainda pode ser alterado.

Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

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