Enem: a preparação para o exame já começou

Carla Rodrigues

Enem: a preparação para o exame já começou

Prova pode decidir o futuro de milhões de estudantes. Inscrições terminam nesta sexta-feira

Aproximadamente oito milhões de estudantes de todo o País devem fazer o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) deste ano. As inscrições podem ser feitas até as 23h59 da próxima sexta-feira e já ultrapassam a marca de um milhão. Segundo o Ministério da Educação, serão impressos 18,3 milhões de testes, em 1.699 municípios. As provas ocorrerão em dois dias: 8 e 9 de novembro. Aqui no Distrito Federal, alunos e professores do ensino médio afirmam que o exame é difícil e deve aumentar a competitividade entre candidatos, já que garante vagas no Ensino Superior.

“Vejo o Enem como a minha porta de entrada para a Universidade de Brasília e isso, claro, aumenta a pressão na hora de estudar. A prova é muito inteligente e exige vária habilidades, então, agora, é o momento de dar atenção total ao Enem”, diz Luíza Brito, 17 anos, aluna do 3° ano do Ensino Médio do colégio Marista.

Para ela, o mais difícil é que a prova reúne todo o conteúdo do Ensino Médio. “Em dois dias, eles pegam três anos de preparação. É muita coisa ”, aponta.

Maratona

Os dois dias de provas são encarados como uma verdadeira maratona. “É uma prova cansativa. São mais de quatro horas e isso exige muita disposição da gente. Principalmente porque a redação é só no segundo dia”, salienta Ana Luísa Pires, 17, também aluna do 3° do Ensino Médio.

Para o colega da jovem, João Pedro Queiroga, 17, o novo modelo da prova, instaurado em 2009, trouxe novos horizontes a serem explorados. “A escola é um lugar conteudista por natureza. Mas, a partir do momento em que o Enem trata de competências e habilidades, ele abre espaço no ensino brasileiro para a análise dos fatos. Isso é muito mais do que simplesmente decorar, o que acontece muito no vestibular tradicional da UnB”, afirma.
Bem diferente do vestibular

Para o estudante João Pedro Queiroga, 17 anos, o Enem poderia ser ainda mais completo se focasse em conteúdos regionais, como autores de Brasília. “Por ser nacional, ele não permite que o aluno mostre esse conhecimento regional. Para mim, isso pode fazer falta. Por outro lado, a UnB vai poder fazer mais isso. Mas, de fato, é uma prova muito importante e exige mais dos alunos. Inclusive, ajuda a definir, de uma forma ampla, o que o aluno do Ensino Médio deve aprender”, ressalta.

A UnB reservou 50% das vagas de 2014 para aprovados no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) com base na nota do Enem de 2013. A outra metade foi destinada aos aprovados no Programa de Avaliação Seriada (PAS). O vestibular tradicional será usado para estudantes que se candidatarem às vagas no segundo semestre letivo. Por isso, afirmam alunos do Ensino Médio, a prova tem, agora, uma importância muito maior do que nos anos anteriores a 2013.
“Para mim, é a única oportunidade de ingressar no ensino superior agora. Por condições financeiras, principalmente. Por isso, neste semestre a minha prioridade é o Enem. É um teste cansativo, uma prova extensa e a gente tem que se preparar para isso, para não sermos vencidos pelo cansaço”, salienta Thiago Ruas, 18 anos, aluno do 3° ano do Ensino Médio na escola pública Elefante Branco. Como não tem facilidade em ciências exatas, ele concentra os estudos nas disciplinas de matemática, física e química.
rotina
Com medo de perder o ritmo, o candidato imprimiu uma rotina diária pesada de estudos até o primeiro dia de prova. “São seis horas por dia, divididas em dois turnos, manhã e noite. Nos sábados, me concentro das 8h até o meio-dia, sem interrupções. Agora vai ser assim. Eu quero muito tirar uma boa nota e sei que não é fácil. Então, existe uma pressão tão grande quanto a do vestibular tradicional. Não vejo nem diferença”, diz.

É preciso controlar o estresse

A jovem Renata Moreira, 17 anos, também aluna do Ensino Médio no Elefante Branco, conta que faz cursinho para a prova, fora as aulas normais no colégio. “É uma rotina bem estressante. A gente se divide para dar conta de tudo. E eu acredito que fazendo isso aumentam minhas chances de tirar uma boa nota e seguir meu sonho, que é cursar ciências políticas na UnB”, diz.

Contudo, assim como o colega Thiago, ela reconhece seu fraco nas matérias de exatas. “Aí, agora, meu foco são essas disciplinas, porque é onde eu me vejo mais insegura”.

Recomendações

Para o coordenador pedagógico do colégio Marista, Eduardo Guerra, os candidatos devem ter cuidado com o cansaço e o nervosismo na hora da prova. “Esses dois quesitos são cruciais para a aprovação do aluno”, aconselha. Segundo o docente, o Enem oferece perspectivas para outras oportunidades, além do vestibular, como, por exemplo, o programa Ciência sem Fronteiras, iniciativa que fornece bolsas de intercâmbio a estudantes brasileiros de graduação e pós-graduação com bom desempenho acadêmico em instituições de ensino superior do exterior.

O vice-diretor do colégio Elefante Branco, Marcos Vinicius de Oliveira, diz que percebe uma participação muito maior dos alunos da rede pública nas provas do Enem nos últimos anos. “Antes do Enem, esses estudantes desistiam da tentar a UnB porque não viam a possibilidade de passar no vestibular. Hoje, eles saíram da posição de derrotados e enxergam no Exame Nacional a grande oportunidade de ingressar no ensino superior”, aponta.

Saiba mais

Candidatos travestis ou transexuais poderão usar o nome social para fazer o Enem. É preciso fazer uma solicitação por telefone ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep): 0800-616161.

A novidade foi publicada no site do Enem (enem.inep.gov. br), que traz um passo a passo para a inscrição no teste.
As provas estão marcadas para 8 e 9 de novembro (das 13h às 17h30, horário de Brasília). No primeiro dia, ciências humanas e ciências da natureza. Em 9 de novembro, será a vez das provas de linguagens e códigos, matemática e redação.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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