Em debate, no Rio, Franklin Martins volta a defender ‘mídia técnica’


Em debate, no Rio, Franklin Martins volta a defender ‘mídia técnica’

Por Redação – do Rio de Janeiro

Franklin Martins defende a ‘mídia técnica’ como parâmetro para investimentos do governo em publicidade

No debate promovido por uma iniciativa do Instituto Casa Grande, em um teatro na Zona Sul do Rio, encerrado no início da madrugada desta quinta-feira, o ex-ministro Franklin Martins, secretário de Comunicação Social durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, voltou a defender os parâmetros da ‘mídia técnica’ como condição para os investimentos do governo no setor. O tema gerou polêmica.

Questionado sobre a eficácia do método, Franklin Martins apontou a necessidade de parâmetros técnicos capazes de permitir que cada veículo de comunicação receba o volume de publicidade condizente com a sua audiência. Na opinião do jornalista, “é preciso, agora, um ajuste nestes parâmetros, pois estão visivelmente defasados”, diante das novas preferências do público quando aos meios que utiliza para se informar.

Na resposta ao editor-chefe do Correio do Brasil, jornalista Gilberto de Souza, sobre o apoio maciço aos veículos conservadores, principalmente a Rede Globo, “que apoiou, e ainda apoia, a ditadura”, como afirmou, Martins lembrou que, ao assumir o posto no governo Lula, os critérios da ‘mídia técnica’ permitiram uma redução de mais de R$ 400 milhões no repasse à Rede Globo. Desta forma, lembrou, tais recursos passaram a ser distribuídos para um número maior de jornais, revistas e sites na internet que, até aquele momento, não constavam entre as prioridades do Núcleo de Mídia da Presidência da República.

O ex-ministro, porém, não levou em consideração que, para atingir a posição de liderança que ainda detêm no cenário midiático nacional, a Rede Globo e suas empresas afiliadas receberam um volume de recursos ainda não dimensionado durante os governos ditatoriais, capaz de permitir a formação da maior fortuna que uma família detém no Brasil, com mais de US$ 40 bilhões, segundo a revista norte-americana Forbes.

– Para que os critérios da mídia técnica possam ser justos, efetivamente, o governo deveria, mais do que agir como um anunciante comercial, fomentar o crescimento de uma mídia independente, capaz de neutralizar, ao longo do tempo, os efeitos maléficos que a ditadura impôs à sociedade brasileira ao carrear um volume gigantesco de dinheiro apenas para aquelas empresas que apoiaram o golpe de Estado. Uma delas, a Folha da Manhã, que edita o diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, emprestava seus veículos para o transporte de prisioneiros políticos até os porões do Doi-CODI, onde muitos morreram torturados e, a exemplo da Rede Globo, também age agora como vestal da democracia – disse o editor do CdB.

Franklin Martins, ainda em sua resposta, chegou a cogitar a necessidade da formação de “um fundo, com recursos destinados a apoiar” novas iniciativas no setor, mas sem oferecer mais detalhes sobre o plano.

Reforma política

O debate, intitulado Comunicação, democracia e reforma política, que teve a mediação do ex-senador Saturnino Braga, visou também ampliar discussão sobre a necessidade de um novo contexto político-eleitoral no país. Ao lado do ex-presidente da OAB e atual presidente da Comissão da Verdade-RJ , Wadih Damous, e do coordenador da Consulta Popular, Ricardo Gebrin, o ex-ministro Franklin Martins lembrou que, mais ou menos 10 anos atrás, toda a imprensa brasileira defendia a reforma política. Entretanto, nas discussões atuais sobre esse tema, não se verifica mais tal unanimidade. O jornalista contrastou a eficácia das eleições majoritárias com a dificuldade em se compreender, na sua totalidade, o processo das eleições proporcionais, no Brasil.

– Enquanto que as eleições para presidente, governadores, senadores e prefeitos são bem compreendidas pelos eleitores, as eleições para deputados federais, deputados estaduais e vereadores são tidas como absolutamente confusas. É precisamente esta confusão que tem servido para frear o Poder Executivo – disse Franklin Martins.


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