Eles estão atrás do seu carro


Por Mara Puljiz


Os estacionamentos do Parque da Cidade são locais muito visados pelos bandidos, segundo a polícia

Segundo delegacia especializada em roubo de automóveis, esse tipo de crime aumentou nos últimos dois meses na capital federal. Depoimentos mostram o medo dos brasilienses com a insegurança, principalmente após a operação tartaruga. …

A Secretaria de Segurança Pública do DF não divulga desde o início do ano, mas os registros de roubos de veículos no DF subiram significativamente entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano. Essa modalidade de crime tem assustado o brasiliense e engrossado as estatísticas na capital federal. As abordagens costumam ocorrer em estacionamentos próximos de casa ou de comércios. A estimativa da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos (DRFV), da Polícia Civil do DF, é que roubos de carros tenham aumentado entre 30% e 50%, comparado com o mesmo o período de 2013.

Só no Parque da Cidade, 12 veículos foram levados por bandidos no mês passado. Todos acabaram recuperados. A maioria tinha alto valor de mercado, como o i30, o Golf turbo, o Sportage e o Nissan Versa. Taguatinga, Ceilândia, Samambaia e Plano Piloto, nesta ordem, estão entre as cidades com maior número de registros. “Por dia, quando estava em baixa este tipo de ocorrência, tinha uns 10 roubos de carro todos os dias. Acredito que tenha aumentado para uns quase 20”, destacou Eduardo Galvão, da DRFV. Fazendo as contas, levando em consideração o índice mínimo, são pelo menos 300 veículos levados todos os meses no DF.

Durante toda a semana, o Correio solicitou à assessoria de imprensa da SSP-DF dados estatísticos da violência na cidade, entre elas, estava a de roubos de veículos. Na tarde de ontem, porém, a pasta informou que “a rede estava com problema” e não teria os dados para divulgar. Mas a violência está perceptível nas ruas. Todos os dias câmeras de segurança flagram a ação de bandidos.

No Plano Piloto, a Asa Sul tem sido ponto recorrente de encontro dos ladrões. Na última quarta-feira, quatro criminosos levaram a camionete Tucson de um servidor público federal, na Quadra 112 (leia Depoimento), mesmo local onde o brigadeiro João Carlos de Souza, 66 anos, foi assassinado em 3 de janeiro após uma tentativa de os bandidos levarem o carro dele, um modelo i30. “Pode ter sido uma coincidência. É difícil atribuir a uma causa, mas o fato é que, nos últimos dias, a mídia tem noticiado muita coisa. Estava preocupado com a segurança no Lago Sul porque vou me mudar para lá e, de repente, fui assaltado na Asa Sul. Passa uma sensação de insegurança, de que realmente tem ocorrido mais crime”, contou o servidor, que pediu para não ser identificado com medo de retaliações.

Em 14 de janeiro, a servidora pública Raimunda de Jesus Ferreira, 48 anos, também teve um i30 roubado na QE 14 do Guará. “Estacionei e estava procurando um pedido médico. Abri a porta do carro e demorei um pouco. De repente, um homem se aproximou de mim. Achei que fosse guardador de carro, mas ele já mostrou a arma, enquanto o outro entrou do lado. Um deles falou ‘Sai, sai, sai’ e puxou minha bolsa, uma pulseira e meu anel de formatura. Foi horrível”, lembrou.

Há um ano e quatro meses, a psicóloga Carla Fragomeni, 42 anos, também foi vítima de criminosos no estacionamento de um shopping, na Epia. Ela estava com o filho de 5 anos quando dois adolescentes se aproximaram e anunciaram que queriam o veículo, uma Tucson. “Eles me abordaram na hora que ia tirar meu filho da cadeirinha. Não sinto que tenha sido descuidada. Eram 17h, estava claro e tinha seguranças em volta. Fiquei impressionada porque não havia um policial na rua”, criticou.

Menores

Só em janeiro, 18 pessoas acabaram presas pela DRFV e indiciadas pelo crime, uma média de um criminoso detido a cada dois dias. Isso sem levar em consideração a participação de adolescentes. Segundo o delegado Eduardo Galvão, praticamente todo assalto conta com a atuação de menores de 18 anos. “No Riacho Fundo, há vários grupos de adolescentes que roubam carro para dar um ‘rolê’. O menor também é utilizado pelos adultos para o roubo porque em 45 dias ele está na rua”, compara.

O titular da unidade especializada diz ter reparado uma migração: os adolescentes que praticavam tráfico de drogas agora viraram adultos e foram para o roubo de veículo. Apesar disso, 70% dos veículos roubados são localizados, a maioria 24 horas após. “Eles cometem outros crimes e abandonam o carro ou vendem barato. Aqui não existem muitas quadrilhas especializadas em roubo de carro. São bandidos que pegam o carro para fazer um roubo a comércio ou vender algumas peças”, explica. Galvão ressaltou que dezembro e janeiro são meses com mais ocorrências. A operação tartaruga, deflagrada em outubro do ano passado, também contribuiu para a elevação dos dados. “Se eu disser que não influenciou é mentira”, afirmou.

Depoimento

“Passa uma sensação de insegurança”

“Não sei em que momento passaram a me seguir. Estacionei e subi na calçada quando, de repente, só ouvi: ‘Chave, chave, chave!’. Olhei para trás e vi um cara com a arma na mão. Já joguei a chave para ele e me virei para a portaria. Um deles tentou me agarrar pelo paletó e eu consegui me desvencilhar. Entraram no carro e eu me escondi atrás de uma coluna e liguei para o 190. Na hora, eu nem pensei em nada. Aconteceu o crime com o brigadeiro, mas pode ter sido uma coincidência. É difícil atribuir a uma causa, mas o fato é que, nos últimos dias, a mídia tem noticiado muita coisa. Estava preocupado com a segurança no Lago Sul porque vou me mudar para lá e, de repente, fui assaltado na Asa Sul. Passa uma sensação de insegurança, de que realmente tem ocorrido mais crime.”

Servidor público federal,

36 anos, teve o veículo roubado na 112 Sul. Fonte: Jornal Correio Braziliense – 08/02/2014

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