Eleições DF: voto evangélico pode definir o pleito de outubro

Eleições DF: voto evangélico pode definir
o pleito de outubro

Carla Rodrigues

Uma verdadeira peregrinação já acontece nos bastidores da política local para conseguir os votos de um atraente eleitorado: os evangélicos. Especialistas acreditam que esse segmento pode definir o pleito, pois representa quase 30% da população brasiliense segundo dados da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan). Por isso, os candidatos evangélicos aos cargos de deputado federal e distrital consideram-se em vantagem.

Os postulantes evangélicos reconhecem a importância da religião em suas candidaturas. “Ser evangélico é positivo, sim em uma eleição. Porém, para isso você precisa viver as bandeiras que defende”, diz o candidato a distrital Rodrigo Delmasso, do PTN, que é também pastor de jovens da Sara Nossa Terra.

Representantes

Para o consultor político Alexandre Bandeira, o eleitorado evangélico vem, ao longo dos anos, compreendendo a importância de eleger representantes. “Esse grupo tem pautas muito específicas, assuntos que são discutidos cotidianamente. E eles notaram que é importante ter quem defenda suas causas na política. Ou seja, não basta participar, eles têm que ter voz ativa no governo”, avalia o consultor.

“Diferentemente do que acontece com os candidatos aos cargos majoritários, que evitam declarar as posturas religiosas para não segmentar os eleitores, aqueles que querem se eleger deputados devem segmentar as campanhas”, ensina ele.

Isso acontece porque eles precisam de menos votos para se eleger. “Então, se você se declarar evangélico, nesse caso, é muito bom. É até facilitador porque você organiza a campanha para determinado grupo”, explica ainda o especialista.

O especialista em Ciências Políticas, docente da Universidade de Brasília, Lúcio Renno, acredita que o eleitor precisa de mecanismos para simplificar a escolha. E, por isso, o posicionamento religioso funciona como um filtro.

“Nas eleições para federal e distrital são onde isso mais acontece. São muitos candidatos e o eleitor precisa ter empatia com eles. Por isso, o componente religioso influencia muito”, explica Renno.

Ponto de Vista

Para Leonardo Barreto, especialista em Ciências Políticas e também professor da Universidade de Brasília (UnB), as eleições legislativas estimulam a criação de discursos para grupos específicos porque são eles que acabam definindo o pleito. “Numa campanha para deputado distrital você consegue se eleger com 1% dos votos. Nesse caso, os candidatos não apenas devem, como precisam, assumir defesas claras”, avalia.

O professor acredita ainda que os evangélicos acabam favorecidos na disputa eleitoral. “É um eleitorado que cresceu muito ao longo dos anos e hoje assumem um papel importante. Só aí dá para ter uma noção da vantagem”, diz.
O papel transformador
Mesmo sendo um hierarca de denominação religiosa, Rodrigo Delmasso, candidato a distrital, diz que não se apresenta como pastor durante a campanha. “Não me apresento como pastor. Sou pastor por vocação e não por profissão. O peso de um cargo eclesiástico não deve ser colocado para pedir votos. Agora, se a pessoa me pergunta, eu digo”, disse. Mas reconhece que a maior parte dos votos devem vir dos fiéis. “São pessoas que defendem não só o credo religioso, mas defendem a reestruturação das famílias. Creio que nossos eleitores têm a visão de que a igreja exerce papel de transformação da sociedade e defendem a família como principal fator de desenvolvimento social”, afirma.
A candidata a distrital Sandra Faraj, do Solidariedade, aponta a importância de eleitorado evangélico. “Acredito que nossa representatividade hoje ultrapassa 40% da população. É claro que isso pode definir uma eleição, até para presidente. Em 2010, por exemplo, levamos o pleito para o segundo turno”, ressalta.
Para Sandra, pastora do Ministério da Fé, o fato de os evangélicos terem bandeiras e valores bem definidos, fortalece as candidaturas religiosas. “Existe a vontade em comum de termos lideranças reconhecidas que possam nos representar na política”, diz.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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