É dada a largada para o projeto do trem que liga Brasília-Luziânia


Carla Rodrigues

   Finalmente começam a ser dados os primeiros passos para melhorar a vida dos usuários de transporte público da Região Metropolitana do Distrito Federal. A Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) assinou contrato com as empresas que farão os estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental para a ampliação da linha do trem que vai ligar Brasília a Luziânia, em Goiás.

O prazo de cumprimento da análise é de dez meses, já a partir de janeiro de 2014. Caso aprovado, o Governo Federal deve liberar R$ 1,8 milhão para dar início a uma antiga reivindicação dos moradores das cidades vizinhas ao DF.

“Precisamos muito disso. Hoje, levo duas horas para chegar ao trabalho. Isso se não tiver trânsito pesado ou o ônibus não quebrar. É um absurdo”, reclama Maurício Caetano Júnior, 19 anos, morador de Luziânia. Ele é estagiário na Secretaria de Trabalho e, todos os dias, enfrenta o caótico trânsito da cidade para o Plano Piloto. “Saio às 5h30 de casa para chegar aqui 8h, aproximadamente. E, fora os gastos, que chegam a quase R$ 10 por dia só em passagem”, conta.

A linha que liga Brasília a Valparaíso, na verdade, já existe há 23 anos. Contudo, só transporta cargas. Ela será ampliada com o novo projeto.

Melhoria

A ideia, explicou o diretor-superintendente substituto da Sudeco, Cleber Ávila “é melhorar o trânsito na região entorno sul do Distrito Federal, que abriga quase 500 mil habitantes”.

Se o projeto for adiante, o trem deve atravessar o trecho de 80 quilômetros, entre uma cidade e outra, em apenas 50 minutos, já que sua velocidade deverá ser média.

“Não importa a velocidade. O importante é sair do papel”, brinca o operador de caixa José Hamilton Alves, 20 anos, , morador do município de Luziânia.

Saiba Mais

A Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) divulgou nesta semana a primeira Pesquisa Metropolitana por Amostra de Domicílio (Pmad), com o perfil socioeconômico da população da Região Metropolitana de Brasília.

A pesquisa mostrou que enquanto um terço dessa população busca os hospitais do Distrito Federal para tratamento, menos de 0,3% utilizam os serviços ofertados em Goiânia, Anápolis e outros centros do estado vizinho.

Quase toda a população do Novo Gama (92,58%) utiliza os serviços de saúde do DF. Moradores de Águas Lindas (58,75%) e Valparaíso de Goiás (23,09%) também recorrem aos serviços de saúde da capital.

A renda domiciliar média mensal dos municípios é de três salários-mínimos, ou seja, um pouco mais de R$ 2 mil. A renda per capita média é de R$ 703 mensais.


Uma etapa de cada vez

O trem deve ir e vir do centro de Luziânia até a estação da antiga Rodoferroviária. O estudo de viabilidade técnica será divido em duas etapas. Na primeira, subdivida em outras três, haverá um diagnóstico de caracterização da área, dos aspectos físicos e socioeconômicos. Depois, começam as pesquisas para identificar maneiras de atrair passageiros que usam carro e ônibus. Por último, os técnicos deverão definir qual a alternativa de ligação ferroviária mais viável.
“Se já existe a linha, acho que deve facilitar o trabalho, né? Tomara que tudo seja feito no prazo estipulado, porque a população realmente precisa disso”, diz a professora Adriana de Jesus, 35 anos. Ela chegou a largar o emprego no Plano Piloto por conta das horas perdidas no trânsito. Hoje, só vai ao centro de Brasília a passeio. “Cansei, né?”, desabafa.

Outros estudos

A segunda etapa do estudo deve detalhar o trecho da ligação ferroviária recomendada na primeira parte da análise. Depois, serão feitas avaliações ambientais, estimativas de custos e de receitas, bem como o prazo de término e início das obras. “Só poderemos falar em todos esses passos depois de dados os primeiros”, esclareceu a representante do consórcio Vetec Engenharia, responsável pelo estudo, Sara Lúcia Batista.

Ponto de Vista

Para o especialista em mobilidade urbana Carlos Penna, o trem “é uma necessidade fundamental para o desenvolvimento da região Centro-Oeste”. Ele avalia que o transporte dos passageiros deverá ter “qualidade, fluidez, e baixo custo”. Por isso, a população só deve ganhar com a iniciativa. Ele reforça, inclusive, a necessidade de estender a malha ferroviária a outras cidades. “Entre Goiânia e o DF, temos aproximadamente sete milhões de habitantes, com perspectiva de chegar a 10 milhões. Por isso, nada mais natural do que fazer com que essas pessoas possam se deslocar com segurança e rapidez, que são características do transporte ferroviário”, destaca.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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