E as crianças querem mudar o mundo hoje

Carla Rodrigues

Eles são os herdeiros do futuro. Cuidam, dia a dia, para que o mundo seja um lugar melhor. Apesar da pouca idade, já conseguem passar adiante as ideias de sustentabilidade, cidadania e respeito ao meio ambiente. Os pequenos de hoje parecem estar mais conscientes do que muitos adultos.

A confirmação disso foi revelada em uma pesquisa feita pelo Instituto Ipsos, que avaliou o comportamento e hábitos de consumo de crianças de 0 a 9 anos. De acordo com os dados, 46% delas não jogam lixo no chão, 39% fecham a torneira para escovar os dentes e 12% separam o lixo que pode ser reciclado. Foram feitas 2,5 mil entrevistas, nas regiões metropolitanas do Distrito Federal, Goiânia, São Paulo (capital e interior), Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Fortaleza e Salvador.

O avanço no comportamento das crianças, indicam os pais, está ligado ao exemplo dentro de casa e, também, ao ensino nas escolas. Juntos, conseguem passar para eles a importância de se pensar no futuro do planeta. Assim aconteceu com a pequena Nina, de 6 anos. “Ela chega a ser irritantemente conscientizada”, brinca a mãe Erika Garcia, 34 anos. Preocupada com o meio ambiente, a menina desliga as luzes da casa quando sai de um ambiente e economiza água na hora do banho. Na hora de escovar os dentes, ela sempre desliga a torneira. “Quando esqueço uma luz acesa ou o computador ligado ela me diz: ‘mãe, você é a maior inimiga que a natureza tem”, conta Erika, sorrindo.

Ela acredita que Nina já tinha em sua índole a ideia de práticas ambientais, contudo o apoio familiar e o escolar foram importantes para o desenvolvimento da menina. “A gente ensina muita coisa em casa, também. Vem de berço mesmo. Trabalhamos isso no dia a dia. Só não imaginávamos, eu e meu marido, que ela iria levar ao pé da letra”, afirma. Nina tem um irmão menor, de 1 aninho, Joaquim, e jura para a mãe que ele não precisará frequentar a escola: ela diz que ensinará tudo. “Ela é muito engraçada. Tenho certeza de que isso vai para a vida toda dela. Acredito que vai mesmo fazer diferença no mundo”, completa a mãe coruja.

Incentivo dos professores

Na escola Cruzeiro do Saber, crianças de apenas dois anos acabam aprendendo, por meio de aulas de reciclagem, a importância de cuidar do meio ambiente. Buscando a inovação, as professoras buscam diferentes formas de reutilizar caixas de pastas de dente, latinhas e outros materiais.

Em datas comemorativas, como o Dia das Mães, por exemplo, os presentes são criados pelos próprios pequenos e eles podem ser feitos até com singelas tampinhas de garrafas. “Queremos, junto aos pais, ensinar os jovens estudantes a cuidar da natureza. É nosso papel ajudar nisso e a conscientização deve estar sempre presente no dia a dia deles”, explica a coordenadora Sany Vasconcelos, 28 anos.

Consciência ambiental
Segundo ela, a escola é fundamental no avanço da consciência ambiental das crianças. Além disso, o trabalho com os pais ajuda os pequenos a levar adiante o que aprendem nas salas de aula.

Ainda de acordo com a pesquisa, 54% das crianças gostam de brincar com animais de estimação, enquanto só 10% preferem os brinquedos. Além disso, 69% consideram mais divertido brincar ao ar livre do que assistir TV.

“Cortar árvores não é de Deus”

O pequeno Raphael Mello, 5 anos, é desses que preferem brincar ao ar livre a ver televisão. “Ele nunca tem paciência para assistir TV. Segundo o menino, adulto é que gosta de deitar durante o dia”, conta a mãe dele, Virgínia. Entre as práticas preferidas de Raphael, revela a mãe, estão correr, andar de bicicleta e tomar banho de mangueira com o cachorro. “Ele tem uma infância bem diferente, pois mora em casa e num condomínio fechado.”

Além de esportista, Raphael é defensor da natureza. “Hoje, ele falou para mim: ‘cortar árvore não é bom, não é de Deus. A gente pode ficar sem ar, sem ar a gente morre, os animais morrem’”, conta, satisfeita, a mãe.

Consumidores Mirins

Segundo Diego de Oliveira, diretor de contas da Ipsos, os dados da pesquisa revelaram um universo surpreendente sobre as “novas” crianças. E o estudo, que agora será contínuo, objetiva mais do que retratar as crianças como meros “consumidores mirins”. “Trata-se de um levantamento reflexivo sobre elas a partir de uma abordagem chamada de ‘pediocularidade’, que significa ver o mundo por meio do olhar da criança, em diálogo com as necessidades do mercado”, diz.

Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

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