Dissidentes fundam a direta do PT

Dissidentes fundam a direta do PT
Da redação

Jornal da Comunidade A criação de uma nova tendência dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) agita o cenário político local. A pouco menos de um ano para as prévias de 2013, o Movimento Militância Viva (MMV), articulação liderada pelo se…
Jornal da Comunidade
A criação de uma nova tendência dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) agita o cenário político local. A pouco menos de um ano para as prévias de 2013, o Movimento Militância Viva (MMV), articulação liderada pelo secretário de Administração do Distrito Federal, Wilmar Lacerda, e pelo presidente local do partido, Roberto Policarpo, divide as opiniões e coloca ainda mais lenha na fogueira das articulações políticas para as eleições de 2014. Ainda há quem diga que a facção descortina uma tendência de direita dentro da sigla, o que poderia criar transtornos na próxima corrida eleitoral.
Outros nomes que estão no grupo são: o presidente da Câmara Legislativa, deputado Patrício; a suplente de deputada distrital e secretária da Criança do DF, Rejane Pitanga; do ex-distrital Chico Floresta; do ex-presidente do PT-DF, Raimundo Júnior; e do sindicalista Cicero Rôla.

No documento publicado na página do partido, o MMV defende a “possibilidade de organizar internamente uma só tendência para atuar nas instâncias e nos fóruns do partido”. O deputado distrital e líder da bancada petista no Distrito Federal, Chico Vigilante, se manifestou totalmente contrário a esta nova articulação e analisa o movimento como uma forma de dividir o PT.

O distrital ainda argumenta que a dissidência, além de desnecessária e absolutamente negativa, tem como objetivo a tentativa de barganhar mais cargos dentro do governo local. “São pessoas que não estão satisfeitas com o espaço que ocupam no partido e criam uma nova tendência para barganhar cargos. É um governo compartilhado e não é correto querer todos os cargos”, dispara o distrital, complementando que a insatisfação com a derrota nas eleições para a presidência da Central Única dos Trabalhadores (CUT-DF) pode ter sido um dos motivos para a criação do Movimento Militância Viva. O PT-DF se divide em 9 facções internas (Unidade na Luta, CNB, Alternativa Militante, Avança PT, Base Petista, MAS/PT, PT na Base; e setores independentes) que se movimentam em busca de espaço, prestígio e força nas articulações partidárias. “Não tem fundamento nenhum a criação desta tendência. Precisamos que o partido tenha mais unidade para dar sustentação ao governo, ainda mais agora que começam a aparecer os resultados”.

Tendência pretende hegemonia

De outro lado Policarpo (foto) afirma que a intenção do novo movimento é aglutinar e não dividir o PT. A opinião do ex-deputado federal é conferida no manifesto “Militância Viva”, publicado no site da sigla. Segundo a carta, o objetivo do bloco é “reduzir a grande fragmentação de tendências presentes hoje no partido em Brasília possibilitando a organização internamente de uma só tendência para atuar nas instâncias e nos fóruns do nosso partido”, além da defesa do projeto petista no GDF, “com o fortalecimento da liderança pessoal e política do governador Agnelo”. “Não queremos cargos, mas uma união maior para o nosso partido. Como pode haver uma divisão se estamos na verdade juntando grupos dentro do PT?”, questiona Roberto Policarpo.

Disputa

A queda de braço, segundo alguns cientistas políticos, abre espaço para a multiplicidade e pluralismo de tendências. Para Paulo Kramer, a primeira vista o fato seria bem vindo, mas na prática quase nunca é assim. “A história do PT com as tendências é muito antiga. O que há de comum é que as facções do partido são quase todas divorciadas da democracia em seu discurso e em sua prática. Outros abraçam regimes de coaptação, onde aqueles que estão dentro do partido dizem quem entra e quem não entra”, analisa Kramer. 

A dissidência pode ter um sabor de barganha, segundo o também cientista político Antônio Flávio Testa. “Como o Policarpo e o Wilmar perderam espaço dentro do partido, é uma tentativa de barganhar mais espaço de sobrevivência. Não acredito que isto possa enfraquecer o PT, mas a busca por mais participação pode aumentar nas próximas eleições ao ponto que esta tendência cresça. Mas isto apenas o futuro pode configurar”, analisa Testa.

Já para David Fleisher, uma divisão pode trazer fatores negativos. Olhando pelo cenário político local, que já está enfraquecido, uma divisão teria um impacto, lembra o estudioso. “Antigamente, nas décadas de 80 e 90, as tendências tinham cunho ideológico, mas hoje são lealdades pessoais e desentendimento entre pessoas. Um partido para funcionar é melhor que seja unificado. As tendências têm um aspecto de direita, esquerda ou centro. Você tem isto muito óbvio dentro do PMDB, que tem 27 facções. No PT este espaço não estava ocupado, fato que pode abrir processo para pensamentos direitistas”.
Articulação faz plenária contra o discurso de dissidentes


 O anúncio da dissidência dentro da tendência Articulação – Unidade na luta no Distrito Federal provocou a realização de uma plenária marcada para terça-feira (dia 17), às 19 horas, no Teatro dos Bancários. A Articulação divulgou uma nota de esclarecimento à militância do PT contestando o discurso dos dissidentes em que diz que “ao abandonar a nossa corrente, esses companheiros estão, ao contrário, aumentando a divisão e, o que é mais grave, abdicando da nossa história de luta e de protagonismo na formulação e implementação de estratégias”. A nota é assinada por parlamentares e inúmeros petistas preocupados com os rumos do partido no DF.

Em outro trecho da nota, a tendência Articulação informa que “em vez de oxigenar a corrente Articulação – Unidade na Luta e o PT, fazendo a autocrítica, reconhecendo limitações no atual quadro político e propondo o debate para a correção de rumos, esse grupo escolheu o caminho aparentemente mais fácil, mas com uma série de equívocos e consequências que contrariam os supostos objetivos do bloco dissidente”.

A nota continua: “Impossível deixar de registrar que este novo grupo não apresenta diretrizes do PT no que diz respeito às relações dos governos com os movimentos sociais. Aliás, muitos de seus integrantes participaram diretamente do desastre que se revelou as tratativas com a recente greve dos professores e outras campanhas de servidores públicos do GDF”.

Assinaturas

Entre os nomes que assinam o documento estão: a deputada federal Érika Kokay; o deputado distrital Chico Vigilante; Jervalino Bispo, presidente do Sindicato dos Vigilantes), Jacy Afonso, dirigente nacional da CUT; Rodrigo Britto, presidente da CUT-DF; Jacques Penna, ex-presidente do Sindicato dos Bancários  e presidente do Banco de Brasília (BRB); João Osório, presidente do Sindicato dos Rodoviários; José Luis, presidente do PT Plano Piloto; Jeová Rodrigues, presidente do PT Ceilândia; Francisco Hollanda, presidente do PT Guará; Florismar Vilarindo, presidente do PT Santa Maria; Eduaro Araújo, presidente do Sindicato dos Bancários; e Roberto Miguel, dirigente da CUT-DF, entre outos.

PT-DF e sua divisão

Articulação Unidade na Luta
Construindo Uma Nova Brasília (CNB)
Alternativa Militante
Avança PT
Base Petista
MAS/PT
PT na Base
Independentes

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