DIRCEU NEGA USO DE CELULAR E QUER PROCESSAR FOLHA


Ex-ministro “nega enfaticamente” ter usado celular de dentro da penitenciária da Papuda, onde está preso, para conversar com o secretário da Indústria do governo da Bahia, James Correia, como denunciou nota da coluna Painel; José Dirceu “estuda tomar medidas judiciais cabíveis para reparação da verdade no caso”, informa em nota seu advogado; o secretário esclareceu ter conversado com um amigo que iria visitar Dirceu, e que o repórter de um jornal baiano entendeu que ele estivesse falando diretamente com o petista; juiz Bruno Ribeiro, nomeado pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa, pediu apuração do caso

Brasília 247 – O ex-ministro José Dirceu estuda entrar com um processo contra o jornal Folha de S.Paulo pela acusação de que Dirceu usou um telefone celular de dentro da penitenciária da Papuda, onde está preso, em Brasília, para conversar com o secretário da Indústria, Comércio e Mineração do governo da Bahia, James Correia. A denúncia foi publicada nesta sexta-feira 17 na coluna Painel.

Segundo a Folha, Correia afirmou que teve um diálogo com o petista no último dia 6 pelo celular de um amigo em comum que visitava Dirceu na Papuda, onde a entrada do aparelho é proibida. Em nota, porém, tanto Dirceu quanto o secretário negaram o ocorrido. Correia esclareceu que conversava com um amigo, mas que o repórter de um jornal baiano que estava próximo a ele entendeu errado.

Leia abaixo a nota divulgada pelo advogado de Dirceu, José Luis de Oliveira Lima:

NOTA À IMPRENSA


Em resposta às notas publicadas pela coluna Painel, da Folha de S. Paulo, desta sexta-feira (17.01), o ex-ministro José Dirceu nega enfaticamente que tenha conversado por telefone celular na semana passada com James Correia, secretário da Indústria, Comércio e Mineração do governo da Bahia. Meu cliente afirma também que tampouco recebeu qualquer visita que tenha usado o telefone celular em sua presença no interior da Papuda, o que violaria as regras para visitas no presídio, e que estuda tomar medidas judiciais cabíveis para reparação da verdade no caso.

José Luis Oliveira Lima

E a nota do secretário da Bahia, divulgada nesta tarde pela assessoria de imprensa:

NOTA OFICIAL


O secretário da Indústria, Comércio e Mineração da Bahia, James Correia, esclarece que não manteve nenhum contato telefônico, via celular, com o ex-ministro José Dirceu. No último dia 6 de janeiro, James estava em um evento público quando falou ao telefone com um amigo comum que iria visitar Dirceu. A confusão começou quando um repórter de um jornal baiano presenciou parte da ligação e entendeu, erroneamente, que a conversa era diretamente com o ex-chefe da Casa Civil. No dia seguinte, 7 de janeiro, James Correia já havia desmentido a conversa.
16.01.2014
Ascom/SICM – 71 3115-7816

Denúncia será apurada

A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) investigará a denúncia do uso de celular. De acordo com a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do DF, quem visitou o presídio na manhã desta sexta e determinou a abertura da investigação foi o juiz Bruno Ribeiro, filho de Raimundo Ribeiro, ex-dirigente do PSDB no Distrito Federal.

Em nota, a SSP-DF disse que todas as informações veiculadas por meio da matéria da Folha “serão alvo de um processo administrativo disciplinar aberto na manhã de hoje”. Segundo o texto, as investigações ocorrerão ao longo deste mês, com prazo de até 30 dias para ser concluído. O resultado das apurações será encaminhado para a Vara de Execuções Penais do Distrito Federal.

A secretaria informou, ainda, que se for comprovado que Dirceu conversou por telefone quando estava na prisão, o petista será punido. Porém, a pasta não disse que tipo de punição será aplicada ao ex-ministro.

O juiz Bruno Ribeiro foi nomeado pelo ministro-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, em novembro passado, para assumir a Vara de Execuções Penais (VEP) no lugar de Ademar Silva Vasconcelos, acusado por Barbosa de ter sido benevolente com os condenados da Ação Penal 470. Outro motivo que ocasionou o impasse com o ministro foi o decreto da prisão do núcleo político sem a emissão das cartas de sentenças, o que levou a classe jurídica a manifestar repúdio a Barbosa (leia aqui).

À coluna Painel, James Correia, que é empresário na área de gás e petróleo, afirmou que Dirceu não foi privilegiado. “Ele é uma das pessoas mais vigiadas na questão de não ter regalias. Não houve nenhuma irregularidade”, disse. “Em breve, ele poderá falar o dia inteiro ao telefone, porque estará trabalhando”, acrescentou.


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