Dia da mulher: palhaças roubam a cena


Dia da mulher: palhaças roubam a cena

No picadeiro elas eram minoria, mas agora ganham espaço. No DF, grupo do Circo Brasilina encanta

Júlia Carneiro

No teatro, por muitos anos, era o homem que monopolizava o palco, chegando até a se travestir para representar personagens femininos. No circo não era diferente. Quando as mulheres começaram a atuar como palhaços, o personagem tinha que ser masculino. Mas essa história está mudando e o grupo de palhaças do Circa Brasilina representa bem a classe. Essa é a terceira e última reportagem da série do Jornal de Brasília em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. 

A assistente de produção Carol Voigt lembra de como era ser palhaço antigamente: “Elas tinham que se vestir de homem e até fazer voz grossa. Tenho uma colega que ficou com um problema na garganta de tanto forçar a voz. Agora, elas podem vir aqui de saia e serem simplesmente palhaças.”

Personagem de filmes e histórias brasileiras há tanto tempo, o palhaço sempre foi um símbolo que traz lágrimas e risadas de uma só vez. Caísa Tibúrcio, a palhaça Ananica, enxerga o Dia das Mulheres da mesma forma: “É uma vitória que deve ser comemorada, mas ao mesmo tempo nos lembra de todo o sofrimento que já foi passado para termos a liberdade que temos. Isso só reforça a necessidade de um luta constante para alcançarmos nossos direitos”.

Alegria

Para ela a conquista de poder ser uma palhaça é algo a ser celebrado. As mulheres só começaram a aparecer no picadeiro como intérpretes cômicas a partir dos anos 90, uma mudança de que hoje Ananica pode fazer parte. “Eu me emociono em ver esse monte de mulher junta fazendo o que a gente faz. Isso significa muita coisa”, confessa.

“A gente não escolhe. Somos escolhidas”

Desfilando toda orgulhosa com seu vestido rosa de bolinhas, a atriz Felícia Castelo Branco, 35 anos, também chamada de palhaça Cenoira, lembra da época em que as mulheres do circo eram apenas um adereço. “Elas só ficavam lá, lindas, glamourosas e o Bozo levava toda a fama”, comenta, com jeito desengonçado para não sair da personagem. Ela e a irmã Manuela Castelo Branco se lançaram no teatro de rua muito cedo. “Não é uma coisa que a gente escolhe. Somos escolhidas”, comenta.

Um pouco mais discreta e tímida que Cenoira, a palhaça Marinez se empolgava entre as crianças enquanto comia algodão doce com as colegas de cara pintada, durante uma apresentação no Parque da Cidade. “A gente se encontrou na vida para ser palhaça”, assume a atriz Mariana Neiva, que estudou Artes Cênicas na Universidade de Brasília. Para ela, o palhacismo também veio quase sem opção: “Sabe quando você é desajustada em outras coisas e não se encaixa de jeito nenhum nos meios convencionais? Eu me encontrei em um lugar que posso usar isso a meu favor”, diz.

Durante este mês, o grupo de palhaças fará diversas apresentações pelo DF, durante a terceira Temporada de Palhaças no Mês da Mulher (TPMs).

Agenda do TPM

Todos os sábados de março

Teatro Eva Herz (Livraria Cultura Iguatemi)

Entrada: R$ 20,00 (inteira),

R$ 10,00 (meia)

Domingo é dia de teatro

Livraria Cultura do Iguatemi

Entrada: Franca

Hoje

Em Alto e Bom Som (DF) – Palhaça Cenoira

Intérprete: Ana Felícia Castelo Branco

Direção: Manuela Castelo Branco

Participação Especial: Banda de Percussão Batalá

Dia 16

Lago dos Cisnes Saltitantes – Palhaça Hipotenusa

Intérprete: Ana Vaz

Direção: Ana Vaz

Dia 23

Treuer wie feuer (Áustria) – Fiel como Fogo – Brenda Feuerle

Intérprete: Elke Riedmann

Direção: Rosemie Warth

Dia 30

Concessa Tecendo Prosa

(MG) – Concessa

Intérprete: Cida Mendes

Direção: Iolene de Stéfano

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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