Dia da Independência foi transformado em praça de guerra em Brasília

  O 7 de Setembro de 2013 foi marcado por protestos, vandalismo, agressões a jornalistas e manifestantes, bomba de gás lacrimogêneo, uso de cães adestrados, uso da cavalaria, spray de pimenta, jatos d’água, depredações, prisões e muita confusão em todo o país. Em Brasília, o clima esquentou logo depois do desfile militar, na Esplanada dos Ministérios. O evento terminou mais cedo para evitar que a presidente Dilma Rousseff fosse hostilizada por manifestantes.

Logo que terminou o desfile, um grupo de manifestantes portando faixas e cartazes seguiu em direção ao Congresso Nacional. Eles exigiam o fim da corrupção, do voto secreto e cadeia para os parlamentares condenados no processo do mensalão. O grupo tentou entrar no parlamento, foi impedido pelo fortíssimo aparato policial e começou o confronto.

A Esplanada, o Eixo Monumental, o início da W3 Norte e a Rodoviária do Plano Piloto se transformaram em uma praça de guerra. Uma concessionária foi depredada. Pelo menos 50 pessoas foram detidas pela Polícia Militar do Distrito Federal, durante os protestos no Dia da Independência. Entre os detidos 35 eram adultos e 15 adolescentes. A maioria das prisões ocorreu por “desacato” e dano ao patrimônio, mas apenas três ficaram efetivamente presas.

PM usa spray de pimenta contra manifestante para dispersar protesto em Brasília. (Foto: Eraldo Peres/AP)

Em apenas uma abordagem, numa loja de conveniência no Setor Hoteleiro Sul, 25 pessoas foram presas. Elas estariam próximo ao Estádio Nacional de Brasília e tinham corrido para o comércio na tentativa de fugir da pancadaria policial. Os adultos foram levados para o Departamento de Polícia Especializada (DPE) e os menores para a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA).

Manifestante é imobilizado por policiais na rodoviária do Plano Piloto, em Brasília (Foto: Fabiano Costa/G1)

Um grupo de manifestante da Marcha das Vadias foi encurralado na Rodoviária do Plano Piloto depois de um sobe e desce no Eixo Monumental. Policiais do Serviço Reservado da PM, conhecidos como P2, se infiltraram e filmavam os manifestantes.

Houve muita confusão. Com medo de possíveis saques, os comerciantes fecharam as lojas. Os manifestantes tentaram seguir para o Conjunto Nacional, mas foram impedidos pela tropa de choque. Eles bloquearam a via no sentido Norte Sul. Um ônibus teve o vidro de uma das janelas quebrado.

Manifestante é atingido por jato d’água da Polícia Militar diante do Museu da República, em Brasília (Foto: Felipe Néri / G1)

Os manifestantes gritavam palavras de ordem. Um homem estendeu uma bandeira do Brasil entre o grupo e os PMs na tentativa de pedir paz. As pessoas que precisavam pegar ônibus tiveram muita dificuldade. Pais e mães que estavam com filhos pequenos tentavam proteger as crianças.

Na confusão, a estudante Vislaine Passos, 17 anos, pediu paz. “Nós estamos sendo acuados e agredidos por tentar nos manifestar. Nossa arma é nossa voz. Vocês têm cassetete, gás de pimenta, bomba de gás lacrimogêneo e revólver. Não precisa usar tanta violência. Até parece que vocês não têm filhos e não fazem parte da sociedade”, disse a jovem com parte do rosto pintado de verde e amarelo.

Jornalistas lavam olhos após serem atingidos com spray de pimenta (Foto: Fabiano Costa / G1)

Depois de afastar os manifestantes próximo ao Estádio Nacional de Brasilia, policiais com cães correm atrás de dois fotógrafos: o da Folha, Fábio Braga (foto), e o fotógrafo Marcelo Marcelino. (Foto: André Coelho/Agência O Globo)

Fotógrafo da Reuters ficou ferido ao acompanhar protestos perto do Estádio Nacional de Brasília (Foto: Fabiano Costa / G1)

Fotógrafo é carregado por policiais após ficar ferido (Foto: Felipe Néri / G1)

O Sindicato dos Jornalistas tem a obrigação de tomar providência para proteger a categoria. Repórteres e fotógrafos sofreram agressões para não registrar imagens da violência de alguns policiais e nem conversar com suspeitos jogados em viaturas. Pelos menos dois fotógrafos ficaram feridos. Um deles teria sid0 mordido por um cachorro da PM, jogado ao chão, teve o equipamento danificado e precisou ser levado ao hospital.

Alguns policiais precisam entender que os jornalistas também estavam trabalhando e precisam ser tratados como cidadãos, profissionais e serem humanos. “A ditadura acabou, mas a PM não educa seus policiais e por isso eles tratam a população com tanta truculência”, disse um fotógrafo, que preferiu n ão se identificar, amigo de um dos profissionais feridos.


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