DF registra uma média de 52 assaltos por dia


Patrícia Fernandes

“Você quer morrer ou prefere que seu filho morra no seu lugar?” A pergunta foi ouvida por uma vítima de assalto a mão armada, abordada por dois homens que invadiram sua casa, no Lago Sul, no último dia 14. O caso engrossa as estatísticas deste ano, que, até junho, já registrava 9,4 mil roubos a residências e pedestres no Distrito Federal, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF). Isso dá uma média de 52 casos por dia e, aproximadamente, dois por hora. O quadro causa temor à população e preocupa especialistas da área de segurança, principalmente porque nesta época do ano, o índice costuma ser maior devido às férias.

O modo como os bandidos agem assusta. “Eu estava na varanda com uma amiga quando surgiram dois indivíduos armados, anunciando o assalto”, contou a vítima assaltada no Lago Sul. As cenas seguintes, segundo o morador, foram de terror. “Amarraram minha amiga na beira da piscina e me levaram até o cofre. Retiraram tudo o que eu tinha e me deram uma coronhada na cabeça”, conta o homem, que prefere não ser identificado.

Dano emocional

Em meio aos momentos de tensão, ele destaca que só pensava na segurança do filho, de três anos, e da mãe, de 77 anos, que estavam sob o poder de um dos criminosos. “O meu maior medo era ouvir um tiro. Eles chegaram a dar até uma coronhada na minha mãe e ameaçaram meu filho com arma”, frisa.

Além dos expressivos prejuízos financeiros, já que os criminosos levaram 50 mil dólares, uma quantia em euro, dois celulares e um relógio, ele afirma que o maior dano é emocional. “O trauma fica. Fecho os olhos e o filme vem à mente”, observa.

Após o ocorrido, ele garante que pretende investir ainda mais na segurança. “Já me preocupava com isso. Agora quero o que o mercado tem de mais moderno.”

Quando o medo rouba a cena…

Há duas semanas, a servidora pública Selma Guimarães, 52 anos, também foi vítima da ação de criminosos. Ela conta que o medo se tornou seu companheiro desde que foi ameaçada com uma arma de fogo por um assaltante que a rendeu dentro de seu veículo, no estacionamento de uma academia no Sudoeste. “Como o fluxo perto da academia é alto, acabo levando um tempo maior para conseguir sair do estacionamento. Foi exatamente nessa hora, enquanto contornava, que ele anunciou o assalto”, conta. “Ele me jogou bruscamente para fora do carro, mandou eu não gritar e me ameaçou. Além do próprio veículo, também roubou objetos pessoais de alto valor, como tablet, relógio e 450 dólares”, assegura.

Selma fez boletim de ocorrência, mas até o momento, mas o suspeito nem o veículo foram capturados. “Os meus dias têm sido de muita apreensão. Nunca fui medrosa, nem os momentos ruins que vivi fizeram com que eu enxergasse risco em tudo”, desabafa.

Segundo a vítima, o problema da falta de segurança envolve vários setores. “A própria academia tem a sua parcela de responsabilidade. Afinal, a partir do momento em que ela presta o serviço, deve oferecer segurança aos alunos. Por outro lado, existe a responsabilidade do Estado nesse cenário”, opina. Indignada, ela diz que é um absurdo essa situação.

Dez minutos com uma arma na cabeça

O caso mais recente de assalto a comércio ocorreu no início da semana, em uma padaria no Sudoeste. Três homens entraram no estabelecimento nas primeiras horas da manhã. Estavam todos bem vestidos, um deles, inclusive, usava terno e gravata. Segundo o gerente da local, Renato Martins Fontoura, 35 anos, os criminosos demonstraram saber exatamente o que estavam fazendo. “Eles estavam firmes e seguros. Além disso, sabiam onde era o cofre”, conta.

Durante todo o assalto, que durou dez minutos, Renato esteve na mira de uma pistola. “Eles falavam que seu errasse a senha do cofre ia morrer. Toda vez eu erro, mas graças a Deus dessa vez foi diferente, acertei de primeira”, conta. Ele destaca que a integridade dos funcionários foi sua maior preocupação durante o assalto. “Eu tinha muito medo de fazerem algo com eles, mas ainda bem que os preservaram. Mas quando estava com a arma apontada para a minha cabeça, não conseguia pensar em nada”, salienta.

Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

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