Dependentes consomem crack antes do 1º dia de trabalho na Cracolândia


Dependentes consomem crack antes do 1º dia de trabalho na Cracolândia
‘Estado’ flagrou mulher com uniforme de varredor de praça usando a droga; Prefeitura diz que comportamento era esperado e que é preciso manter a persistência.

Bruno Ribeiro e Sérgio Castro – O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – A primeira manhã da Operação Braços Abertos – conjunto de ações voltadas à redução de danos que inclui fornecimento de casa, alimentação, emprego e assistência médica para moradores da Cracolândia, no centro de São Paulo – deu mostras do tamanho do desafio que o programa da gestão Fernando Haddad (PT) deve enfrentar nos próximos meses. Já com os uniformes do novo emprego, de varredor de praças, parte dos dependentes caminhou da Rua Helvetia para o Largo Coração de Jesus, onde ainda há tráfico de drogas, e fumaram pedras de crack antes de ir trabalhar, nesta quinta-feira, 16.

Sérgio Castro/Estadão

Com uniforme, dependente fuma crack no Largo Coração de Jesus, na Cracolândia

A reportagem contou oito atendidos pelo programa entre a multidão que ainda permanece ali. Pouca gente, em relação aos cerca de 300 dependentes que estão no programa.

A Operação Braços Abertos consiste em custear o aluguel de quartos para os ex-moradores da favela da Cracolândia, fornecer três refeições por dia, dar emprego na varrição de praças (com jornada de quatro horas diárias e salário de R$ 15/dia) e manter acompanhamento médico para eles.

A secretária municipal de Assistência Social, Luciana Temer, diz que a Prefeitura está preparada para “ser bombardeada” por críticas ao projeto, mas diz que a proposta é de longo prazo e é preciso persistência. “É uma construção. É um programa da (secretaria) de Saúde. Todos os outros aspectos, de trabalho e assistência, são complementares”, disse. “Teve um grupo que até disse que precisava ir usar a droga, insistia. Não dá para impedir. Mas é importante eles voltarem para o trabalho e se manterem conectados”, disse.

O prefeito Fernando Haddad (PT) esteve lá na manhã desta quinta. Ouviu perguntas dos atendidos. “É só até a Copa? Até quando vai durar?”, questionou um deles. O prefeito disse que o programa está sendo feito “para dar certo” e que ele não tem prazo de término.

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