Cura gay: quando a nova escolha é a heterossexualidade


Patrícia Fernandes

Trilhar um novo caminho exige coragem. E quando o tema é a orientação sexual, a situação é ainda mais delicada. A discussão do momento é: seria possível, depois que uma pessoa se declarar gay, ser “curada”? O polêmico projeto da chamada cura gay pode ser votado amanhã na Câmara Federal.

O JBr mostrou no último sábado que a proposta do também polêmico deputado Marco Feliciano susta artigos de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia que proíbem os psicólogos de propor a “cura” da homossexualidade a pacientes. Para alguns, essa orientação deve ser encarada como doença e, portanto, passível de cura. Outros, no entanto, alegam que a cura não tem fundamento.

O cabeleireiro Paulo Trindade, 43 anos, sempre admirou o universo feminino e, em algumas ocasiões, se vestia como mulher. Aliada à postura arrojada estava a sua certeza quanto à sua orientação sexual. Mas em determinado momento de sua vida, aos 33 anos, esse cenário se transformou. “Era travesti e só me relacionava com homens. Mas percebi que a minha vida não estava completa. Resolvi seguir a Bíblia e usar a minha fé para me guiar nesse novo caminho”, declara.

Evangélico, casado há dez anos e firme em sua decisão, Paulo destaca que é preciso lutar contra o desejo constantemente. “A vontade sempre vai ter, mas eu sou fiel ao caminho que escolhi”, ressalta. Ele conta que sua primeira experiência heterossexual foi com sua esposa. “No começo foi muito difícil. Ela foi muito compreensiva”, disse.

Para o estudante José (nome fictício), dois traumas sofridos na infância foram os responsáveis pela escolha pela homossexualidade. “Fui violentado aos cinco anos de idade, e depois aos oito. Desde criança só pensava em sexo”, ressalta. Em função da erotização precoce, ele diz que nunca sentiu atração por mulheres. “Eu nunca tive relações com mulheres: Aos 15 anos, me assumi para família”.

Ele, que já foi casado com um homem, conta que nunca foi feliz sendo gay. “Nunca fui à igreja tentar me curar de nada, mas sempre acreditei em Deus e que ele ia me mudar, pois eu nunca aceitei ser gay. Na verdade, não foi uma decisão deixar de ser homossexual, assim como não se escolhe ser. Eu só tinha certeza que eu era gay porque havia sido abusado”, conta.

Segundo ele, a mudança ocorreu da noite para o dia. “Foi algo sobrenatural. Eu dormi gay, e acordei ex-gay. Este mês completa um ano. Hoje não sinto mais excitação por homens”, relata. Para compartilhar sua história, ele mantém um blog: www.oexgay.com.

Para o professor Evaldo Alves, militante das causas LGBT, a afirmação de que a homossexualidade tem cura não procede. “A pessoa não é simplesmente homossexual, ela tem orientação homossexual. Isso é um absurdo criado pelos setores conservadores”, defende.

Segundo ele, a orientação sexual não é uma questão de escolha. “É a mesma coisa que a cor do cabelo e a cor dos olhos. Eu posso pintar o cabelo, mas em algum momento isso vai aparecer. Com a orientação sexual é a mesma coisa”, declara. O professor ressalta que é importante que os homossexuais se aceitem antes de tudo. “É preciso buscar ajuda psicológica”, argumenta.

Para a militante das causas LGBT Tatiane Lionço, a homossexualidade vai além do rótulo. “Tenho dificuldade de afirmar essas identidades. Existem pessoas que só vivem experiências homossexuais. Tudo depende de quem você encontra em sua trajetória”, declara. Segundo ela, algumas pessoas podem sofrer por não aceitarem seu próprio desejo. “A religião às vezes traz essa carga. Muitas pessoas podem sofrer em relação aos seus desejos”, diz.


Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br


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