Cresce número de denúncias de assédio sexual em ônibus do DF

Cresce número de denúncias de assédio sexual em ônibus do DF Até abril, foram registrados praticamente metade do número de casos ocorridos em todo o ano passado


De janeiro a abril deste ano, foram registradas 20 denúncias de assédio sexual no interior dos ônibus. O número equivale a praticamente metade dos casos ocorridos em todo o ano passado (42). Em relação ao primeiro quadrimestre de 2013, houve aumento de 33%. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública, com base em levantamento feito em todas as delegaciais de polícia do DF, e mostram que as mulheres estão mais dispostas a reagir a esse tipo de abuso.

“Não tenho dúvidas de que muito disso se deve à campanha contra o assédio sexual nos ônibus que lançamentos este ano. A campanha mostra para a mulher que ela não está sozinha nessa luta e que pode contar com o nosso apoio, com o apoio da Secretaria, da polícia, enfim, do GDF, do Estado”, afirmou a secretária da Mulher, Valesca Leão.

A campanha contra o assédio sexual no transporte público foi lançada pela Secretaria da Mulher em março, numa parceria com as secretarias dos Transportes e da Segurança Pública. Com o slogan “Assédio sexual no ônibus é crime. Denuncie. Ligue 190”, a campanha orienta as mulheres a acionar a polícia sempre que se sentirem alvo desse tipo de abuso.

Além de cartazes nos ônibus e spots nos rádios, a campanha promoveu a distribuição de cartilhas com informações sobre o que configura assédio, como esse crime é legalmente tipificado, como a mulher pode se defender e como os demais passageiros podem ajudar a vítima, ficando ao lado dela e servindo de testemunha caso o agressor seja levado à delegacia.

Apoio – A secretária Valesca Leão disse que o crescimento das denúncias mostra também que a sociedade brasiliense está mais consciente desse problema. “Queremos o apoio da população para que possamos fazer mais parcerias e também o apoio dos meios de comunicação para fortalecer nossa luta. A população tem aceitado bem a campanha e tem usado as ferramentas que o Estado disponibiliza”, acrescentou ela.

Alessandra Plácida, 35, gerente comercial, afirma que a campanha ajuda a população a compreender que assédio sexual no ônibus é crime grave. “Além de conscientizar a mulher e os demais passageiros, serve de alerta para os agressores. Esse trabalho tem que continuar sendo levado adiante para mais pessoas”, frisou.

Para a estudante Larissa dos Santos, 17, moradora de Brazlândia, o assédio sexual no ônibus humilha a vítima e causa indignação. “As pessoas não têm o respeito que deveriam ter com as mulheres. Muitas vezes, as mulheres não denunciam porque sentem vergonha, medo ou por não saber o que fazer. Então, essa campanha tem uma importância muito grande e enfatiza o conhecimento de que temos algo a fazer contra isso e não dá para fingir que não acontece”, defendeu ela.

A secretária Valesca Leão concorda com a estudante e acrescenta que “a luta contra o assédio é grande e para conquistar a vitória é preciso vencer também o preconceito histórico contra a mulher, além do medo e da vergonha.”

A campanha da Secretaria da Mulher desenvolve ainda atividades de conscientização para motoristas e cobradores. Afinal, eles podem vir a se tornar parceiros importantes para as mulheres quando surgirem casos de assédio sexual no interior dos veículos em que trabalham.

O motorista Euclides Moreira, 40, que faz a linha Rodoviária-Guará, disse que a informação e o conhecimento são fundamentais no combate ao assédio. “Eu já presenciei essa falta de respeito. Às vezes, o ônibus nem está tão cheio e o indivíduo já vai se encostando na mulher. Temos que agir para evitar isso”, disse ele.

Já Arnaldo dos Santos, 36, motorista que trabalha na linha Rodoviária-Águas Lindas, destacou que, além da campanha, o cidadão deve ser consciente do seu papel e agir “Eu já presenciei uma cena de assédio sexual quando fazia a linha de Brazlândia e fiquei revoltado. Levei o sujeito para a delegacia e só abri a porta do coletivo no local. Fizemos uma ocorrência. Tem que ser assim”, exemplicou ele.

Fonte: Secretaria da Mulher do Distrito Federal

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