Copa do Mundo: “Jeitinho” brasiliense encanta os turistas


Copa do Mundo: “Jeitinho” brasiliense encanta os turistas

A beleza da capital e a receptividade dos moradores são muito elogiadas por visitantes

Eric Zambon e Manuela Rolim
Um estrangeiro se aproxima do homem com colete amarelo e dispara: “I have to kill three hours”. Atencioso, o funcionário, sem pestanejar, responde. “Please go to the tourist center”. A proficiência em inglês e espanhol de Carlos Eduardo Fernandes, de 30 anos, o torna um dos coordenadores de táxi mais requisitados do Aeroporto de Brasília. Toda vez que um funcionário se enrola com a língua do cliente, ele acode. “Os turistas não querem conversar, querem indicações sobre aonde ir”, resume.

Formado em Turismo, Carlos Eduardo é supervisor contratado pelo Sindicato dos Permissionários de Táxis e Motoristas Auxiliares do DF (Sinpetaxi) para ajudar os turistas que chegam à capital a conseguir transporte. “Acaba que temos que dar dicas sobre pontos turísticos, restaurantes etc. Temos uma parceria com o Centro de Atendimento ao Turista (CAT) justamente para nos ajudar a dar essa assistência”, explica.

Ele diz que a primeira semana de Copa do Mundo trouxe grande movimento aos taxistas do aeroporto, mas garante que os cerca de 2,5 mil carros da frota estão aptos a atender a demanda. “Não vai ter situação de não conseguir táxi por aqui. Ainda não houve problemas, seja em relação a língua ou conseguir transporte, e nem haverá”, acredita.

O jornalista chinês Han Xiang Yang, da província de Shandong, está há quase um mês no País e, com seu inglês carregado de sotaque, garante não ter tido problemas para “se virar”. Ele chegou a Brasília na último sábado, vindo de São Paulo e elogiou os atendimentos recebidos. “Em São Paulo, não andava porque não me sentia seguro, mas aqui vou para todos os lugares. Achei a cidade fácil de se locomover”, elogiou.

Anfitriões
Suas críticas foram voltadas a questões que, segundo ele, não interferiram negativamente em sua experiência no Brasil até o momento. “O táxi de Brasília é muito caro, em comparação com outras cidades do mundo. Também não vi muitos voluntários da Fifa pela cidade, mas o povo é amável, o que compensa isso”, disse.

De partida na última sexta, ele achou o Aeroporto JK pequeno, especialmente em comparação com o da capital do seu país, Pequim, mas considerou a cidade bonita, de maneira geral.

Expectativas
Um grupo de amigos colombianos que acompanha sua seleção, no entanto, ainda teve pouco tempo para explorar a cidade. Suas expectativas são as melhores. “Pelo que vimos, a cidade é fácil de se andar. Além, claro de ser bastante bonita”, opinou Juan Goenaga, de 31 anos.

Ele e outros dois colegas viajam o País de motorhome.

Turista ocupa espaços

O Governo do Distrito Federal avaliou positivamente a primeira semana de Copa do Mundo na capital.

Segundo o secretário de Turismo do Distrito Federal, Luis Otávio Neves, o número de turistas na cidade está superando a expectativa.

Durante o Mundial, a Secretaria de Turismo registrou 14,5 mil pessoas atendidas na cidade em todos os seus 21 pontos.

Segundo levantamento da secretaria, pessoas de mais de 40 países diferentes foram atendidas na primeira semana do Mundial.
Comunicação sem muitos problemas
De acordo com o turista colombiano Oscar Andrés Oviedo, de 38 anos, a única crítica é em relação às distâncias. “A Fifa Fan Fest fica em um lugar bastante afastado. Também achei o povo de Belo Horizonte mais amável, porém fomos bem recebidos até o momento”, contou.
Seja no aeroporto ou em estabelecimentos, eles relataram que, quando falaram seu espanhol mais lentamente, foram perfeitamente compreendidos.
Turistas
Segundo estudo encomendado pelo Ministério do Turismo antes do início do Mundial, 490 mil turistas eram esperados para desembarcar no aeroporto de Brasília, sendo pelo menos 79 mil estrangeiros. A Secretaria de Turismo do DF, no entanto, em contato prévio com o JBr, havia informado uma estimativa de 600 mil.
Para atender a demanda, técnicos de atendimento a clientes passaram a trabalhar em dois turnos no aeroporto. “Fornecemos informações aeroportuárias de maneira geral, mas algumas turísticas também, especialmente depois do fechamento dos CAT’s”, explicou a supervisora Fernanda Araújo, de 38 anos.
“O que mais tem são pessoas que querem saber onde ficam os balcões de check-in, de informação, etc. É um atendimento diferenciado em até três línguas: inglês, espanhol e francês”, detalhou Fernanda. De acordo com a supervisora, para garantir um bom atendimento aos turistas, a equipe conta com nove técnicos no turno da manhã e 14 no turno noturno.

Na volta, saudade da capital é forte
Uma semana após a abertura do Mundial, a opinião dos turistas que visitaram a capital é unânime: Brasília vai deixar saudade. A cidade, definitivamente, caiu nas graças dos estrangeiros que, mesmo em clima de despedida, não se cansam de elogiar, entre muitos outros aspectos, a arquitetura.
Além disso, a organização nas ruas da capital foi ressaltada por muitos torcedores, assim como a cordialidade dos brasilienses e a facilidade de comunicação.
Para o colombiano Oscar Hurtado, 39 anos, Brasília se destacou entre as cidades-sede da Copa. “Além da beleza, que impressiona qualquer visitante, a cidade é muito bem distribuída, o que facilita o deslocamento dos turistas. Os moradores também foram muito amáveis e prestativos”, comemora o economista, que chegou com um grupo de amigos na última quarta-feira e foi embora ontem. “Já estamos com saudade da alegria que fomos recebidos, mas Brasília está na lista de lugares que temos que voltar com mais tranquilidade”, acrescenta.
Outro torcedor da Colômbia, o engenheiro Carlos Gonzalez, 35 anos, compartilha da mesma opinião. Desde a última segunda-feira na capital com a família, ele afirma que a cidade conquistou o coração dos filhos pela arquitetura dos principais monumentos. “Já estou de partida, mas fiquei encantado com a beleza da Catedral, do Museu Nacional, do Congresso e do Estádio Mané Garrincha. Também não posso deixar de destacar a simpatia das pessoas, tudo no Brasil é festa e isso é contagiante”, assegura.
Para o turista alemão, o bancário Klaus Van Husen, 49 anos, que esteve em Brasília há 23 anos, a limpeza da cidade é outro diferencial. “Os bairros e pontos turísticos são muito limpos e organizados”, diz.

Dicas

Evite carona com pessoas desconhecidas e jamais utilize o transporte alternativo. Além disso, opte pelo serviço de táxi registrado em empresa e não particular.
Não circule pelos pontos turísticos da cidade com muito dinheiro no bolso. Escolha o cartão como forma de pagamento.
Tome cuidado ao sair de bancos e caixas eletrônicos.

Comércio satisfeito com a alta clientela
O comércio também está comemorando a invasão dos turistas na cidade, principalmente, o setor hoteleiro. Isso porque os estrangeiros ocuparam quase todos os quartos disponíveis nos dias de jogos em Brasília. No Albergue da Juventude, por exemplo, os torcedores que chegaram para acompanhar a partida entre Colômbia e Costa do Marfim lotaram não apenas os cômodos, mas também o camping, com 150 barracas.
“Desde o início da Copa, a procura é muito grande, mas os colombianos foram os que conseguiram ocupar 100% dos quartos. Mesmo assim, a preferência deles é pelo camping”, comemora o gerente do albergue Herbet Pacheco, ressaltando que todos os estrangeiros deixaram a capital muito satisfeitos com a cidade e também com o Entorno.
Entretanto, Herbet acrescenta que muitos turistas reclamaram do preço da hospedagem e alimentação. “Eles (turistas) ficaram surpresos com a taxa do camping, que normalmente é gratuito para eles”, completa o gerente.

Pontos negativos

A lista de elogios quando o assunto é a impressão que os turistas tiveram de Brasília, de fato, é enorme. No entanto, alguns pontos foram criticados pelos visitantes. Entre eles, o elevado custo da hospedagem, transporte e alimentação.
Diante disso, muitos estrangeiros buscaram alternativas mais baratas, como os albergues. Esse foi o caso do torcedor da Colômbia, o gerente David Gutierrez, 31 anos, e os amigos. Segundo ele, a maioria dos hotéis e pousadas já estavam ocupados e o restante disponível era muito caro, assim como a comida nos principais restaurantes da cidade, que também impressionaram pelo valor dos pratos. “O albergue foi uma excelente alternativa, pois fica perto do Mané Garrincha, além de ser uma opção mais em conta. No geral, não temos do que reclamar da cidade, fomos recebidos com muita alegria por todos”, admite David.

Transporte

Para os irmãos colombianos, a médica Beatriz Rios, 31 anos, e o economista Gustavo Rios, 27 anos, a capital também foi aprovada. Entretanto, Beatriz ressalta que, além da hospedagem e a alimentação serem caras, a despesa com o transporte também é alta. “Estou apaixonada por Brasília, mas é preciso ter carro para desfrutar de tudo o que a cidade oferece, já que os lugares são distantes. Por isso mesmo, o transporte deveria ser mais barato e acessível, principalmente, no período da Copa. Um plano para melhorar o serviço de transporte seria interessante, pois o táxi é muito caro”, declara a colombiana, ressaltando, no entanto, que a segurança da capital merece parabéns.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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