Copa do Mundo 2014 Dilma, atrasada, diz na Fifa que estádio ‘é o mais simples’


Ela fez Blatter esperar antes de encontro marcado justamente para falar sobre atrasos nas obras. Mas tanto ela como o cartola procuraram mostrar otimismo.

Dilma se encontra com o presidente da Fifa, Joseph Blatter, em Zurique, na Suíça (AFP)

“Essa será uma grande Copa”, afirmou Blatter, que apenas há duas semanas havia dito que nunca havia visto um país-sede tão atrasado na preparação para o torneio.

A presidente Dilma Rousseff garantiu nesta quinta-feira, em Zurique, na Suíça, durante encontro na sede da Fifa com o presidente da entidade, Joseph Blatter, que as cinco arenas ainda não entregues pelo país-sede estarão prontas para a Copa do Mundo – segundo ela, fazer estádio “é o mais simples” em meio a todos os preparativos para o torneio. Antes e depois da reunião, que durou cerca de uma hora e 40 minutos, Dilma e Blatter tentaram mostrar que o governo e a entidade estão unidos e que há otimismo na contagem regressiva para o evento. Foi a primeira visita de Dilma Rousseff à sede da Fifa – e a presidente, que discutiria, entre outras coisas, o descumprimento dos prazos assumidos pelos brasileiros, chegou atrasada para o compromisso.

A presidente recorreu a um termo que tem adotado com cada vez mais frequência para promover o evento, dizendo que ele será a “Copa das Copas”. Também reiterou que os torcedores estrangeiros não terão problemas no país. “Podem vir ao Brasil. Vocês serão recebidos de braços abertos”, disse. Ela não quis, porém, responder às perguntas dos jornalistas sobre a situação do estádio de Curitiba, que está ameaçado de ser retirado do torneio em razão dos atrasos nas obras. Nem ela nem Blatter aceitaram responder aos questionamentos dos jornalistas. Em uma iniciativa coreografada, Dilma e Blatter deram as mãos, sorriram e trocaram elogios mútuos.

“Essa será uma grande Copa”, afirmou Blatter, que apenas há duas semanas havia dito que nunca havia visto um país-sede tão atrasado na preparação para o torneio. Nesta quinta-feira, no entanto, as críticas foram deixadas de lado pelo presidente da Fifa. “Não haverá problemas. No final tudo se resolve, principalmente no Brasil”, disse Blatter, que agora afirma estar acostumado ao “jeitinho brasileiro”. Dilma também deu suas garantias de que o Mundial será um sucesso. “Estamos preparados”, insistiu. Um dos objetivos da reunião foi o de mostrar que o Brasil estará totalmente comprometido com a Copa. O encontro, no entanto, acabou sendo adiado porque Dilma se atrasou, fazendo o cartola esperar.

O que ficou só na promessa para o Mundial

Estádios privados

O ministro do Esporte do governo Lula prometia uma Copa totalmente privada, sem uso de dinheiro público nas arenas. Entre as doze sedes do Mundial, porém, só três (São Paulo, Curitiba e Porto Alegre) são empreendimentos particulares – e mesmo essas obras dependem de financiamento de bancos estatais e generosos incentivos públicos.

Seis pontos vulneráveis do Brasil em 2014

Dores de cabeça nos aeroportos

No decorrer da Copa das Confederações, muitos visitantes reclamaram das falhas na infraestrutura aeroportuária brasileira. Em sedes como Belo Horizonte e Rio de Janeiro (Galeão), deram de cara com aeroportos em obras. Em Salvador, viram um terminal ficar cheio d’água após um temporal. E em quase todas as sedes, sofreram com pequenos transtornos que já viraram rotina para os passageiros brasileiros – e que fazem a experiência de voar no país ser muito mais desagradável. Exemplos: a constante troca de portões de embarque, que faz o viajante zanzar de um lado para outro nos momentos que antecedem o voo, e a longa espera nas esteiras de retirada de bagagens. Além da baixa qualidade dos serviços oferecidos em muitos aeroportos brasileiros, há um outro obstáculo para a Copa: ela está marcada para um período do ano em que muitos aeroportos, principalmente no Sul e no Sudeste, ficam fechados por causa da neblina. Garantia de fortes emoções para quem tiver voos marcados para os dias de jogos em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo (Congonhas) e Rio de Janeiro (Santos Dumont).

Fonte: Revista Veja com Estadão Conteúdo – 23/01/2014

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