COPA 2014: A campeã do mundo Espanha, que estreia hoje, é uma das favoritas e será a mais bem-paga caso repita a dose; jogadores e federação, porém, acham a façanha “pouco provável”. Incrível, não? Confiram

Jogadores da seleção espanhola desembarcam, no último sábado, em Curitiba (com Xabi Alonso em primeiro plano): confiança em baixa? (Foto: Jaelson Lucas – SMCS)

Enquanto a seleção da Espanha, atual defensora do título mundial, se aclimata em Curitiba para a estreia contra a Holanda hoje, em Salvador, às 16 horas, reverbera ainda na imprensa do país ibérico o assunto extracampo mais polêmico deste mundial: os 720 mil euros que cada um dos 23 convocados ganhará caso o bicampeonato seja conquistado em 13 de julho.

A cifra, equivalente a cerca de R$ 2,2 milhões e 20% maior do que a embolsada pelos astros da Roja com o título de 2010 – por exigência dos atletas -, é de longe a mais alta entre as oferecidas pelas 32 federações participantes da Copa.

Muito superior ao já estratosférico montante de R$ 1,3 milhão proposto pela segunda melhor pagadora, a “nossa” CBF, se a turma de Felipão e Parreira abocanhar o hexa.

Argumentação

A revelação, ocorrida na semana passada, causou uma chuva de críticas de todos os setores políticos espanhóis. Os ataques visavam a discrepância entre os valores exorbitantes acordados com os craques e o cenário de crise que há pelo menos seis anos assola o país, onde um quarto da população economicamente ativa está desempregada.

Como argumento de defesa, utilizou-se o fato de que nenhum outro elenco vale tanto – e, consequentemente, movimenta tanto – quanto o de Iniesta, Xavi e companhia: 675 milhões de euros, contra 609 milhões da Alemanha e 507 milhões do Brasil, segundo levantamento recente.

O Brasil campeão em 1958 na Suécia, com Garrincha (primeiro à esquerda entre os agachados) e Pelé (terceiro à esquerda entre os agachados); o bicampeonato consecutivo, que veio quatro anos depois no Chile, foi o segundo e último da história das copas (Foto: Bettmann/CORBIS)

Também foi lembrado que um “repeteco” constituiria uma façanha histórica, já que ninguém obtém duas taças consecutivas desde a dobradinha 1958-1962 conseguida pelo Brasil. E antes da geração de Pelé e Garrincha, apenas a Itália fora capaz do mesmo feito, em 1934 e 1938 — quando, porém, com todo o respeito, as copas não eram lá essas coisas.

Complexo de vira-lata
No meio da discussão, passou batido a quase todo mundo, mas não a este blog, a seguinte informação divulgada – infelizmente sem citação de fonte – pelo jornal El Periódico, de Barcelona: “Tanto a Federação Espanhola quanto os jogadores eram conscientes das críticas que o acordo provocaria, mas ambas as partes consideram pouco provável que um novo título mundial seja conquistado”.

O jornal é sério e dispõe de credibilidade suficiente para confiar na informação.

Então, como assim?

Quer dizer que a atual campeã e uma das favoritas para 2014 vem para a briga já se sentindo derrotada?

E, ainda por cima, utilizando a “pouca probabilidade” de ganhar o bicampeonato como argumento para pedir mais dinheiro?

O grande goleiro e capitão Iker Casillas ergue a taça na África do Sul em 2010: primeiro e merecido título de “La Roja”, a ex-”Fúria” (Foto: RTVE)

Já imaginaram Felipão pleiteando a José Maria Marin não R$ 1,3 milhão, mas 1,6 milhão, dizendo algo como “não se preocupe, a gente não vai ganhar mesmo”?

Será que estamos diante da volta do complexo de vira-lata dos espanhóis no futebol, que até ganharem duas Eurocopas (2008 e 2012) e sua primeira Copa (2010) sabiam listar de trás para frente todos os seus vexames, injustiças ou azares nos gramados?

La Roja ainda mete medo
Tudo bem que a equipe de Vicente Del Bosque não vem fazendo grandes exibições, e não é de hoje; que craques de destaque na África do Sul, como Xavi e Villa, já não são os mesmos; que a derrota por 3 a 0 para o Brasil na final da Copa das Confederações, no ano passado, foi incontestável; que as ausências, por lesão, de campeões do mundo como o goleiro Víctor Valdés e o atacante Jesús Navas, além da revelação Jesé, serão sentidas; e que os jogadores, estando no final da temporada europeia – a maioria tendo disputado importantíssimas finais – estão cansados.

Mas a seleção espanhola ainda mete medo, e muito. E tem, a seu favor, a experiência de quem já faturou uma Copa – e a “despressurização” que o título inédito trouxe -, além a presença de boas caras novas no elenco, como Koke e Juanfran, do grande Atlético de Madrid de Simeone, o jovem Azpilicueta, do Chelsea, e ele, a fera brava Diego Costa.

Diego Costa em treino com a Espanha em março: um dos grandes atacantes em atividade (Foto: Juan Carlos Hidalgo – EFE)

Um dos maiores atacantes do mundo na atualidade, o sergipano naturalizado espanhol roubou a vaga de favoritos de Del Bosque em outros tempos como Negredo, Soldado e Llorente — que, como já vimos em post anterior, nem foram convocados.

A partir de hoje, quando começam os jogos do “grupo da morte”, como a imprensa espanhola tem chamado a chave de Espanha, Holanda, Chile e Austrália, saberemos qual versão de La Roja prevalecerá no Brasil.

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