Confissões aleatórias de um ser humano brasileiro

Por Freddy Charlson

1 – Não gosto de Neymar. Não, não gosto. Acho até que sabe jogar bola, mas considero-o um moleque mimado, outdoor humano (lamenta um gol perdido levantando a camisa e mostrando a marca da cueca, associa-se a uma agência de publicidade e lança uma causa de gosto duvidoso) e um macaco (sem ironia, é ele quem o diz) e que se acha mais do que é. Além, obviamente, de ser um garoto-propaganda de tudo o que possa vender: de produtos materiais (vide o caso da foto com a banana e da hashtag “somos todos macacos”) a bens imateriais. Só digo isso.

2 – Dirigente do Comitê Olímpico Internacional, o COI, diz que preparativos para a Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, são os piores possíveis. Que está tudo errado e atrasado. Ao mesmo tempo (e há tempos), a Fifa reclama e lamenta do atraso das obras para a Copa do Mundo 2014, que está aí, a 40 dias de começar. Gente, eles não conheciam o Brazil?

3 – DG, dançarino do programa Esquenta, apresentado por Regina Casé, tinha ligação com traficantes, conforme mostram suas conversas no Facebook. Por isso, o rapaz que foi assassinado pela polícia na semana passada, na favela do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, é criticado e, principalmente, tem desmitificada sua imagem de bom moço. Difícil não ter relacionamento com algum traficante vivendo no morro, é uma questão de sobrevivência. Herói não era. Vilão, também não. Não por isso. Ao mesmo tempo, o programa bate seu recorde de audiência com a homenagem feita a DG. Não há almoço grátis.

4 – E os Boldrini continuam presos pela morte do menino Bernardo, caso que, a partir do Rio Grande do Sul, chocou o País. O pai foi, no mínimo, omisso. A mãe, no mínimo, um monstro. E a enfermeira, que aceitou participar para ganhar R$ 6 mil, é, no mínimo, o mínimo de ser humano. Assim como os Nardoni. Assim como Suzanne Von Richtofen. Assim como outros. Muitos outros.

5 – Não gosto de Luciano Huck. Nunca gostei do cara que considero coxinha, ultradireita, folgado, poluidor da natureza em Angra dos Reis, explorador da miséria alheia e sempre oportunista, vislumbrando oportunidades de negócios mesmo onde o que está em questão não é negócio, como a eterna luta contra o racismo. Rapidamente, sua grife criou uma camiseta, ao módico valor (?) de R$ 69,00 (dinheiro suficiente para comprar mais de 30 cachos de banana), com os dizeres#SomosTodosMacacos. Sim, Luciano, bem que você poderia criar uma camiseta tipo #SomosTodosMalas.

6 – Novo presidente do São Paulo Futebol Clube, time com a terceira maior torcida do País, Carlos Miguel Aidar, causa polêmica ao dizer que o jogador Kaká (aquele mesmo que bancava a bispa Sônia Hernandes, da Igreja Renascer, flagrada tentando entrar nos Estados Unidos com milhares de dólares dentro de uma Bíblia) tem a cara da equipe, por ser bonito e ter todos os dentes. Caro Aidar, vosmecê se esquece que a torcida do São Paulo não mora só no Morumbi, Jardins e Higienópolis. Ela é formada por gente de todo o País, com suas particularidades étnicas de um povo miscigenado e, na maioria, sem acesso aos serviços básicos de saúde e bem-estar. Ao pronunciar tal falácia, vosmecê ofende sua torcida, as outras torcidas e a todo o povo brasileiro. Porque não te calas?

7 – Em Osasco, na Grande São Paulo, um médico foi corretamente demitido por jogar Paciência no computador durante o horário de expediente. Pior, durante o atendimento a um paciente. A prefeitura instalou processo administrativo e lamentou a demissão, especialmente porque há carência de profissionais da área. Na boa, prefeito, melhor faltar médico do que contar com um “profissional” desse naipe em vossas fileiras.

8 – Em Goiânia, uma criança de dois anos sofreu necrose em uma narina e perdeu o septo nasal, num grave erro cometido por seis (sim, isso mesmo, seis) médicos. Durante 50 dias ela foi tratada por seis médicos de um plano de saúde privado, sem exame, como se estivesse com virose, gripe, sinusite e anemia. Sabe o que o bebê tinha?! Uma bateria de brinquedo dentro do nariz. Sabe o que os “profissionais” não fizeram? Pois bem, não apalparam o nariz, não pediram radiografia, não colocaram uma lanterna para examinar o local. Enfim, não fizeram nada.

9 – Depois de tudo o que aconteceu com sua mãe e seu pai, no passado, a jovem Luiza revela que quer viver com Laerte. Meu Deus, mais um golpe na tão fragilizada família brasileira.

10 – O Brasil é ou não é uma república de bananas?


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