Comitiva acreana debate situação de haitianos em Brasília


Reunião ocorreu nesta terça-feira (21) na sede do Ministério da Justiça.
‘Fechamento de fronteira é uma questão superada’, diz Nilson Mourão.

Priscilla Mendes e Veriana RibeiroDo G1, em Brasília e do G1 AC

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Com capacidade para 300 pessoas, abrigo em Brasiléia atende 1.200 imigrantes (Foto: Veriana Ribeiro/G1)


Uma comitiva acreana, composta pela subchefe da Casa Civil, Nazareth Lambert, o secretário de Assistência Social, Antônio Torres e o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Nilson Mourão, foi recebida pela ministra substituta da Justiça, Márcia Pelegrini, para discutir a situação dos imigrantes que estão alojados no município de Brasiléia (AC). O encontro ocorreu nesta terça-feira (21) na sede do Ministério da Justiça, em Brasília (DF).

De acordo com a subchefe da Casa Civil do Acre, Nazareth Lambert, os ministérios devem apresentar um conjunto de medidas em uma próxima reunião, que deve ocorrer até o fim da semana que vem. “O desdobramento dessa reunião se dará na próxima semana. Um conjunto de medidas será apresentado entre os ministérios envolvidos nessa questão”, assegura.

Durante o encontro, foram apresentadas as dificuldades encontradas no abrigo de imigrantes em Brasiléia.

“Foi exposta a situação que é enfrentada na cidade de Brasiléia, a questão da fronteira, o acesso sanitário do abrigo, a questão das mulheres e crianças, além da necessidade de medidas em conjunto com o governo federal e o governo estadual para a melhoria do fluxo dessa situação”, afirma Nazareth.

Fronteiras abertas
Nilson Mourão, secretário de Justiça e Direitos Humanos do Acre, afirma que foi pactuado na reunião que o estado não irá fechar as fronteiras. “Essa questão de fechamento de fronteira já está superada. O Brasil vai manter sua tradição de fronteira aberta, isso é uma questão solucionada para nós. Eu pessoalmente fazia uma defesa dessa tese, mas foi superado”, diz.

Para ele, com as fronteiras abertas, é necessário construir um conjunto de medidas. “A política de fronteira aberta significa que as pessoas entram e devem ter acolhimento. Temos que tomar providência para fazer a gestão desses 1.200 que nós temos, com uma série de medidas imediatas e em seguida, traçar uma estratégia mais estável para esse problema”, acredita.

Reunião entre ministros
Antes, a situação dos haitianos no Acre já havia sido discutida durante em um encontro, de duas horas, que ocorreu na Casa Civil da Presidência da República, também nesta terça-feira (21).

Participaram da reunião, os ministros Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores), Manoel Dias (Trabalho e Emprego) e José Elito (Gabinete de Segurança Institucional) sob coordenação do ministro substituto da Casa Civil, Gilson Alceu Bittencourt. A titular da pasta, Gleisi Hoffmann, está de férias. Também estiveram presentes, a ministra substituta da Justiça, Marcia Pelegrini, e os secretários executivos da Defesa, do Desenvolvimento Social e da Secretaria de Direitos Humanos.

Entenda o Caso
O número de haitianos que está entrando pela fronteira do Brasil com o Peru quase triplicou em uma semana. Desde o último dia 9 de janeiro, entre 70 e 80 haitianos chegam a Brasiléia diariamente. Antes, o número variava entre 20 e 30 por dia. Em média, 1.200 haitianos permanecem no abrigo de imigrantes localizado em Brasiléia, que tem a capacidade de abrigar cerca de 300 pessoas. A baixa procura pela mão de obra dos imigrantes seria um dos principais fatores para a superlotação no local.

A imigração haitiana no Brasil começou em janeiro de 2010, após um terremoto no país caribenho provocar a morte de mais de 300 mil pessoas e deixar cerca de 300 mil deslocados internos. Segundo o governo do Acre, desde dezembro de 2010, cerca de 15 mil haitianos entraram pela fronteira do Peru com o Estado.


G1.com

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