Comissão da ONU investiga abusos na República Centro-Africana


Comissão da ONU investiga abusos na República Centro-Africana

A crise na RCA se intensificou em março de 2013, quando a coligação Séléka, de maioria muçulmana, derrubou o governo do país majoritariamente cristão, até então presidido por François Bozizé

Integrantes da comissão de inquérito com mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) para investigar as violações dos direitos humanos na República Centro-Africana (RCA) seguiram hoje (10) para a capital do país, Bangui, onde iniciam amanhã (11) os trabalhos. Liderada pelo advogado Bernard Acho Muna, de Camarões, que foi procurador-chefe adjunto para o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, a comissão também é integrada pelo ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do México Jorge Castañeda e pela advogada de direitos humanos da Mauritânia Fatimata M’Baye.

A comissão deve investigar os abusos na RCA desde o início de 2013 e tem como mandato “parar todos os avanços em direção a um genocídio”, informou Muna. “A minha experiência em Ruanda mostrou-me que um genocídio começa sempre com a propaganda a incitar o ódio. Esperamos que a nossa presença e o fato de investigarmos constituam um sinal para que as pessoas que organizam a propaganda não passem à ação”, acrescentou.

A crise na RCA se intensificou em março de 2013, quando a coligação Séléka, de maioria muçulmana, derrubou o governo do país majoritariamente cristão, até então presidido por François Bozizé. Com isso, houve uma escalda de violência sectária, com o registro de milhares de mortos e de centenas de deslocados.

“É necessário acabar com a impunidade e garantir que os que cruzaram a linha vermelha sejam responsabilizados”, informou o presidente da comissão.

Depois de três dias em Bangui, o grupo irá a outras zonas do país. Durante a missão de duas semanas, estão previstos encontros com autoridades governamentais, chefes de aldeias e representantes de organizações não governamentais, comandantes das forças da União Africana e da França no país. A comissão deverá entregar um primeiro relatório ao Conselho de Segurança da ONU em junho.

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