Com o PPCUB, Setor Sudoeste ganhará mais 4 mil moradores


Com o PPCUB, Setor Sudoeste ganhará mais 4 mil moradores

É o que prevê o plano, prestes a ser votado, ao permitir a criação de nova quadra residencial

Carla Rodrigues

Mais de 700 páginas, divididas entre artigos, anexos e muitas expressões técnicas, complexas até para especialistas em arquitetura e urbanismo. Assim é o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCub). O projeto possui ainda 72 planilhas de Parâmetros Urbanísticos e de Preservação (PURps), onde se encontram as principais alterações nos conceitos e na legislação de uso e ocupação do solo em áreas tombadas, como o Sudoeste e o Eixo Monumental. 
Essas planilhas revelam a intenção de criar novas quadras, em um dos metros quadrados mais caros de Brasília, o Sudoeste. O projeto prevê a construção de 22 prédios residenciais e seis comerciais, erguidos em um terreno localizado entre os parques do Sucupira e o do Bosque. A ideia é acomodar ali aproximadamente quatro mil pessoas. 
De acordo com o primeiro projeto para o local, “os empreendimentos terão quatro quartos cada e contarão com acabamento diferenciado, sofisticada área de lazer e várias vagas de garagem por apartamento”.
Inchaço
Contudo, além mudar a paisagem natural da área, composta basicamente por Cerrado, o projeto traria ainda mais inchaço para o trânsito do Eixo Monumental e do Setor de Indústrias Gráficas (SIG), que já sofrem com recorrentes engarrafamentos. “O grande problema é que o PPCub está sendo montado de uma maneira que incha o Plano Piloto. Todas as mudanças propostas acarretam em um inchaço sem haver estímulo ao sistema de transporte público de qualidade”, avalia o especialista em trânsito, Carlos Penna. 
Diante do cenário, o especialista prevê um futuro de caos no DF. “Não teremos para onde fugir. A situação vai ficar de tal maneira travada que as pessoas não conseguirão mais se locomover. Ontem, a Avenida das Nações ficou congestionada das 15h até as 18h. Um acidente fez isso. Uma tesourinha fechada fez isso. Em Brasília, hoje, qualquer coisa já congestiona. O Plano Piloto não tem condições de receber mais moradias. Caso isso aconteça, a cidade vai ficar saturada”, aponta. 
Contradições
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) também chegou a se mostrar contrário à construção da Quadra 500. Para o órgão, a Lei Orgânica do DF não permite que existam mais quadras próximo ao Eixo Monumental. Porém, depois de ações judiciais, o Tribunal de Justiça (TJDFT) liberou a obra. Decisão que foi enviada ao Jornal de Brasília pela Secretaria de Habitação (Sedhab), como resposta aos questionamentos sobre o item. 
Sem saber o que construir no Eixo
Outro projeto na mira do Conplan diz respeito à ocupação de parte do Eixo Monumental. A intenção é erguer o Memorial João Goulart, entre a Praça do Cruzeiro e a Catedral Rainha da Paz. O projeto foi o último do arquiteto Oscar Niemeyer aprovado para a cidade. 
Porém, o secretário da Secretaria de Habitação e presidente do Conplan, Geraldo Magela, afirmou que “o PPCub não define o que será construído e muito menos como será a gestão dos espaços que serão construídos. Estas definições serão tomadas quando o governo decidir o que será construído”. 
Especulação
A votação das alterações nas planilhas e mapas que ilustram o PPCub ficou para a próxima terça-feira. A pergunta que fica para especialistas é: “Ele é objeto de especulação imobiliária?” A resposta, muitos já têm na ponta da língua. “Fazem parte do Conplan as poderosas associações do mercado imobiliário e da construção civil do DF. Lá se vão 16 votos com o governo, certo? Isso, além de movimentos populares por moradias”, salienta Marta Crisóstomo, do grupo Urbanistas por Brasília. 
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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