Chumbo quente Sul Fluminense já tem 28 pré-candidatos para as eleições deste ano


Chumbo quente Sul Fluminense já tem 28 pré-candidatos para as eleições deste ano
                     
Mateus Gusmão

O calor que anda infernizando a vida de todos na cidade do aço e municípios vizinhos têm tudo para ser pinto – de hoje a outubro. Durante a Copa do Mundo, de 12 de junho a 13 de julho, poderá até dar uma amenizada, pois todos os brasileiros estarão torcendo pela seleção de Neymar & Cia. Mas, quando o campeão for conhecido e a página for virada, o clima vai esquentar de verdade em qualquer lugar. No caso do estado do Rio, por exemplo, Pezão (PMDB) dará início à sua arrancada para se eleger como governador enfrentando pesos pesados, como Lindbergh Farias (PT), Cesar Maia (DEM), Garotinho (PR), a comunista Jandira Feghali etc.
                         
No Sul Fluminense, o calor das eleições será igual ao do alto-forno da CSN. Ou pior. É que até agora pelo menos 28 políticos de Volta Redonda e Barra Mansa, entre outros – sem considerar os forasteiros – já estão afiando as garras para brigar pelos votos dos cerca de um milhão de eleitores disponíveis tanto para a Câmara quanto para a Assembleia Legislativa.

Pezão deverá contar com o apoio de cerca de 75 dos 92 prefeitos fluminenses. Na região, só o prefeito de Barra Mansa, Jonastonian Marins (PCdoB), não deverá lhe dar apoio. É que os comunistas devem lançar o nome da deputada federal Jandira Feghali como adversária de Pezão. Mesmo que ela desista da candidatura, o coração de Jonastonian deverá ficar balançando entre dois adversários diretos de Pezão: o senador Lindbergh Farias, do PT de Inês Pandeló, e o senador Marcelo Crivela, do PRB do vice-prefeito, pastor Jorge Costa. Há quem garanta que Jonastonian gostaria mesmo é de marchar com o grupo de Garotinho, a quem recentemente taxou de o melhor prefeito que Barra Mansa já teve, referindo-se talvez às obras que o ex-governador teria feito na cidade.

Barra Mansa
Em termos de Câmara e Alerj, a briga promete ser boa, muito boa, tanto em Volta Redonda quanto em Barra Mansa. Promete ser emocionante, desgastante, sofrida e milionária. E cheia de traições, como sempre ocorre, pois o número de eleitores atrai candidatos – endinheirados ou não – até da Cochinchina. Em Barra Mansa, por exemplo, Inês Pandeló (PT) – se escapar da Lei da Ficha Limpa – pode ter uma companhia que certamente não a fará nada feliz: a primeira-dama Maria José Cezar, mulher do prefeito Jonastonian e secretária de Assistência Social.

Maria José é filiada ao PCdoB de Jonastonian e o casal, segundo fontes, só vai falar da candidatura da primeira-dama quando algumas arestas forem aparadas no meio evangélico. É que os comunistas estariam tentando convencer o vice-prefeito, pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, Jorge Costa, a aceitá-la em dobradinha. Ele para a Câmara dos Deputados pelo PRB e ela para a Alerj pelo PCdoB. Com a dobradinha Maria-Jorge, o prefeito Jonastonian teria que trabalhar exclusivamente pela vitória dos dois, deixando de apoiar candidatos aliados e ainda os deputados que já ajudaram a cidade com suas emendas parlamentares.

Outro político que também pode ficar triste com a dobradinha Maria-Jorge é o vereador Pissula (PT), que brada aos quatro ventos que tentará uma vaga na Alerj por entender que Pandeló não se livrará da Lei da Ficha Limpa. Vale lembrar que Pissula é da base aliada de Jonastonian na Câmara e teria o nome lançado, caso Pandeló não possa ser candidata, para evitar que um petista de peso, como Marcelo Cabeleireiro, hoje presidente da Câmara, se sinta tentado a se lançar na disputa, com um objetivo mais ousado: se candidatar a prefeito em 2016.
                     

Outros políticos de Barra Mansa também podem surpreender e lançar candidatura para cimentar o caminho até 2016. É o caso do vereador Rodrigo Drable (PMDB), jovem e bom de voto, que pode ser chamado para uma ‘missão partidária’: sair candidato a uma vaga na Alerj. Ele é amigo do poderoso Eduardo Cunha, líder da bancada do PMDB na Câmara, e pode muito bem fazer dobradinha com o mesmo, pensando em suceder Jonastonian.

Os tucanos de Barra Mansa também andam sonhando alto. O vereador Leiteiro, que ganhou grande visibilidade como presidente da Câmara, estaria prestes a lançar sua candidatura a deputado estadual. Teria até acumulado uma boa poupança, como bom mineiro. Mas Leiteiro pode ceder o ninho a dois jovens. Daniel Volpe, filho do advogado Ricardo Maciel, um dos caciques do PSDB é um deles. O nome de Daniel chegou a ser cotado quando das eleições municipais, mas os tucanos preferiram poupá-lo. Não deveriam. Além deles, o PSDB pode surpreender lançando um nome novo e feminino: o de Paula Torres, hoje temida pelos comunistas por fazer uma crítica feroz e construtiva ao prefeito Jonastonian, a quem chegou a apoiar em 2012. Hoje, Paula Torres está arrependida e não esconde isso de ninguém, pois ainda sonha em ser feliz. Como tucana, é claro.

Tem mais. A briga promete ser tão quente em Barra Mansa por uma vaga na Alerj, que até Ruth Coutinho – sumida desde que perdeu as eleições de 2012 na chapa de Inês Pandeló – pode tentar ressurgir das cinzas. Ela deixou o PP do amigo e senador Dornelles, e se filiou ao PR de Garotinho e tem tudo para fazer bonito. Muito mais do que alguns que a legenda já lançou no passado.
Volta Redonda
              

Na cidade do aço a chapa também vai ficar quente até outubro. Políticos locais terão que brigar e muito para conseguirem se manter na Alerj ou deixarem de ser suplentes. O deputado Edson Albertassi (PMDB) – que teve votos em 91 das 92 cidades do Rio em 2010 – tentará a reeleição. E tem tudo para conseguir manter sua cadeira, preparando-se para, finalmente, tentar subir as rampas do Palácio 17 de Julho, onde sonha estar em 2017. É o caso também de Gustavo Tutuca (PMDB), ainda secretário de Ciência e Tecnologia, que tentará a reeleição para se candidatar a prefeito de Piraí, terra de Pezão.

O ex-prefeito Gotardo Netto (PSL), exercendo a vaga de Tutuca como deputado estadual, pretende deixar de ser suplente e garantir por mais quatro anos uma cadeira na Alerj. Para isso, percorreu a região e distribuiu emendas parlamentares para a maioria dos prefeitos. Nelson Gonçalves (PSD) também está disposto a deixar de ser suplente com cargo a partir de 2015. Além dos votos dos voltarredondenses, Nelsinho espera contar com os votos de legenda para se eleger facilmente. É que o apresentador Wagner Montes, um campeão de votos, tem tudo para sair vitorioso e eleger outros seis ou sete candidatos do PSD – isso, é claro, se concorrer realmente à Alerj.

Se por um lado uns querem continuar na Casa de Leis Estadual, outros sonham em chegar lá. É o caso de Granato, presidente da Câmara de Volta Redonda. Ele já sonhou em ser prefeito, deputado estadual e até federal. Nunca conseguiu. Tentará de novo e, para que isso ocorra, ficou um ano como secretário de Obras do governo Neto (a quem combatia no passado) percorrendo todos os bairros da cidade, fazendo obras e conhecendo melhor as lideranças locais. Granato, entretanto, terá que vencer uma ‘maldição’. É que todos os presidentes da Câmara (cargo que ocupa atualmente), quando se candidataram à reeleição ou a cargos maiores, foram derrotados. Para escapar da maldição, Granato foi até buscar ajuda externa, fechando dobradinha com o poderoso e polêmico deputado federal Eduardo Cunha (PMDB).
                       

Já o PT de Volta Redonda vive uma incógnita. Ninguém sabe dizer se a deputada estadual (suplente) Cida Diogo (PT) vai pedir votos para ela nas eleições de 2014. A princípio, ela diz que não. Que vai batalhar apenas pela eleição do senador Lindbergh Farias. Na cidade do aço há quem entenda que Cida não ganha nem pra síndica de prédio. Mas, que abram os olhos: se Lindbergh vier a ganhar, ela estará com os olhos voltados para o Palácio 17 de Julho. Aí, quem aparece com chances de sair candidato à Assembleia Legislativa é o barbudinho Paiva, hoje vice-prefeito de Volta Redonda. Só que o vice de Neto já tentou se tornar deputado estadual em 2010, pode repetir em 2014 para, em 2016, se candidatar a prefeito. Cida e Paiva, como se vê, vão se digladiar mais uma vez.

O empresário Rogério Loureiro (PPS), que saiu dos campos do Voltaço para ingressar na política em 2010 como vice de Zoinho, também deverá sair para deputado estadual. Dinheiro e apoio ele terá, até da CSN. A empresa, por exemplo, já liberou uma verba de mais um milhão – que vai abater do Imposto de Renda – para que o Volta Redonda invista nas divisões de base. Em época de eleições, um grande negócio, não acham? Mas que Rogério Loureiro fique atento a uma jogada extra-campo. É que outro derrotado nas eleições de 2012, o médico e ex-vereador Jair Nogueira (PV), deverá se lançar candidato a deputado estadual. Detalhe: com apoio do deputado federal Zoinho (PR).

Há ainda quem vai tentar pela primeira vez uma cadeira na Alerj. É o caso do comunista Neném,

vereador de Volta Redonda, que nas eleições municipais passada contou com a ajuda de peso de D. Munira, mãe do prefeito Neto. Ele terá que torcer para que Jonastonian não traia Pezão e trabalhe por ele em Barra Mansa. Entre o PMDB de Neto e o PCdoB de Jonastonian, Neném fica com o primeiro e vai chorar de raiva se não obter bons votos na cidade vizinha. O mesmo deve acontecer com Marquinho Motorista, também do PCdoB, que já se lançou como pré-candidato à Alerj. Sonha que como fênix pode ressurgir das cinzas após perder a eleição para vereador em 2012.

Câmara Federal

A luta por uma cadeira na Câmara Federal será mais árdua do que muitos querem. O deputado Zoinho (PR) vai tentar a reeleição com as benções do ex-governador

Garotinho. O partido, inclusive, aposta que ele conseguirá uns 70 mil votos. E é mais ou menos isso que ele terá que conseguir se quiser se reeleger. Terá que enfrentar os adversários e, pior, muitos dos eleitores que o viram pagar o maior mico dos últimos anos, quando disse que não existe político honesto. Atirou no próprio pé e isso, certamente, será cobrado.

Já o ex-craque Deley de Oliveira (PTB), deputado federal por duas vezes e hoje suplente, não pagou nenhum mico, como seus adversários apregoam, citando a derrota que sofreu quando se lançou candidato a presidente do Fluminense. “Foi uma estratégia”, argumenta um dos seus aliados, garantindo que Deley soube aproveitar o marketing esportivo para ficar na mídia local e estadual, principalmente. E ganhou aliados por todo o estado do Rio. Tricolores ou não.

                       

O deputado estadual Edson Albertassi está disposto a investir na eleição da Câmara. Não como candidato, é óbvio, pois não é a sua praia. Deve lançar um nome novo da família, o do radialista Betinho Albertassi, que comanda o programa Fato Popular na Rádio 88FM desde que a emissora perdeu seu grande âncora, o radialista Dário de Paula. Os dois chegaram a brigar no passado, nada tão sério que impedisse que Betinho virasse a estrela da rádio evangélica, com penetração em todas as cidades da região. Se o nome do sobrinho não emplacar, Albertassi deve apoiar a candidatura da vereadora América Tereza. Política tradicional da cidade do aço, ela já conseguiu realizar um dos dois sonhos que alimenta: o de ser prefeita de Volta Redonda, mesmo que por apenas dois dias. O segundo, que é chegar à Câmara Federal, ainda depende de alguns ‘ses’.

Outro que poderia contar com o apoio de Albertassi é o vereador e ex-prefeito Paulo Baltazar (PRB), já que ambos são evangélicos e aliados dia sim outro não. Mas há quem garanta que Baltazar está bem mais comedido do que no passado e não teria tanta força no partido que o abrigou nas eleições de 2012. Foi eleito com ajuda de Albertassi, mas o empresário-parlamentar não esconde de ninguém que um dos seus sonhos seria eleger Jackson Emerick (de Barra Mansa) para o mesmo cargo. Filiado ao PRTB, Jackson teve votação expressiva em 2010 e é o primeiro suplente da legenda.
                  

O ex-vereador e ex-deputado estadual Ademir Melo (PSD) é outro que anda sonhando em se mudar, de mala e cuia, para Brasília. Detalhe: espera que o deputado estadual Wagner Montes (PSD) saia como candidato a deputado federal. E aposta que, se isso ocorrer, a legenda poderá eleger de seis a sete candidatos. Ele incluído, é claro. O que Ademir e todos os outros citados nesta reportagem devem atentar é que a política é a arte de engolir sapo. Muitos poderão desistir. Outros serão levados a desistir. Que eleições existem, por enquanto, de dois em dois anos. E que outubro é logo ali.

Vídeo divulgado na internet pode atrapalhar Lindbergh

O senador Lindbergh Farias já foi lançado como pré-candidato do PT à sucessão de Cabral. E exige que o partido deixe o governo Cabral no dia 28 de fevereiro. Mas, é bom que ele coloque as barbas de molho, pois já está sendo acusado de pagar com traição a quem sempre lhe deu a mão. A denúncia está nas redes sociais, via Youtube, e mostra que, quando em campanha ao Senado, ele teria feito juras de amor a Cabral e Pezão e teria afirmado até que política tem fila. Que sabia que o próximo candidato do grupo, do qual ele queria fazer parte, seria Pezão. O vídeo foi publicado pela Juventude do PMDB do Rio e teria sido feito em um comício em 2010, na Barra da Tijuca.

“Essa grande liderança que vai ser governador do Estado do Rio de Janeiro é meu amigo fraterno, que eu adoro e sei que todos os prefeitos adoram”, discursou Lindbergh, sendo aplaudido por todos. Quem quiser conferir o vídeo completo, pode acessar em http://www.youtube.com/watch?v=aDabBBlJTKM.

Os textos e as fotografias veiculadas nas páginas do aQui se encontram protegidos por direitos autorais, sendo vedada sua reprodução total ou parcial para finalidades comerciais, publicitárias ou qualquer outra, sem prévia e expressa autorização de Jornal Aqui Regional. Em hipótese alguma o usuário adquirirá quaisquer direitos sobre os mesmos. E no caso de utilização indevida, o usuário assumirá todas as responsabilidades de caráter civil e/ou criminal.

About A Politica e o Poder

%d blogueiros gostam disto: