chegar a um lugar ou alcançar um objetivo. OU SER FELIZ.

Não são poucas às vezes ao longo de nossas existências que simplesmente sentimos que devemos mudar alguma coisa em nosso comportamento, em nossas atitudes, em nossas opiniões, em nossos conceitos. 
                    Nem sempre se trata de grandes mudanças, nem sempre são estas urgentes ou graves, nem sempre são radicais. Os motivos que deflagram a necessidade de não mais permanecermos agindo ou vivendo da mesma forma é que determinarão a magnitude e a urgência das mudanças. Estas, nem sempre, são conscientes. Operam-se sem que conscientemente sintamos o processo. Mas já se sabe que grande parte de nosso comportamento, nossas atitudes e nossas reações constituem reflexos, num primeiro momento, pelo menos, do nosso inconsciente, e não do nosso consciente. Talvez por isto, conseguimos muitas vezes, apesar dos aparentes obstáculos (conscientes), mudar. 
                  Entretanto, falemos aqui da mudança consciente. Algumas vezes, descobrimos que precisamos mudar um comportamento através de um conselho ou sugestão de um amigo. Outras, devido a uma experiência completamente inusitada e que nos trouxe conseqüências que nos levaram a repensar nossa vida. Existem ainda momentos em que descobrimos que alguma situação não mais nos satisfaz, ou que não estamos agindo da melhor forma, ou que um defeito nosso atrapalha não apenas nossa vida como também a vida dos que conosco convivem. E aí, queremos, devemos e muito provavelmente podemos mudar.
                Nestes e em outros casos, o ponto de partida para a mudança e adoção de novo comportamento e novas atitudes será a adoção de uma outra visão, uma nova postura, um caminho diferente, quando não totalmente contrário ao que viemos palmeando.
                Mas como é difícil mudar!! Trata-se de arrancar hábitos longa e cuidadosamente arraigados, interromper vícios que nem percebíamos ter e desaprender e descontinuar vários comportamentos que, por ignorância, julgávamos corretos. E, consequentemente, toda uma vida estruturada nesses hábitos, vícios e comportamentos será modificada, muito ou pouco. Ou quase totalmente.
               Para se mudar é necessário, em princípio, que haja um motivo. Acho que isto é um ponto pacífico. Não creio que alguém de repente queira mudar sem uma razão muito forte para tal. Seja a razão grande ou pequena, grave ou frívola, interna ou externa, ela se apresenta nos atinge, e interrompemos nossa caminhada. Olhamos para trás, olhamos para a frente, olhamo-nos aqui e agora. E decidimos.
              Como vimos à mudança, ou o conjunto de mudanças, poderá apresentar variados níveis de urgência, complexidade ou gravidade. A questão que gostaria de abordar neste ensejo é: por que, mesmo sendo necessário, mesmo sendo urgente, mesmo sendo grave, existe tanta resistência em se aceitar que é preciso mudar? E por que existe resistência ainda maior em se empreender a necessária mudança? Meu caro Alvino Filho foi nesse ponto que passei a maior parte indagando a minha duvida e te confesso foi necessário muito estudo para se chega a uma incerteza.
              Ocorrem-me quatro razões, todas inerentes a nossa condição de seres humanos e que cito aqui em ordem aleatória: (i) ignorância, (ii) falta de maleabilidade, (iii) falta de humildade e (iv) resistência a tudo o que seja novo, diferente do que sempre acreditamos e/ou que dê muito trabalho.
                        Todos os seres humanos ignoram mais os do nosso pacato Município tem impregnado dentro dos seus pensamentos uma forte ideologia. Uns ignoram menos que outros, mas todos nós ignoramos alguma coisa, várias coisas ou muitas coisas. Ignorância não precisa (e não deve, aliás) ser explicada. Ignora-se porque se ignora. A partir do momento em que se deixa de ignorar, não se ignora mais. Nem mistério nem trocadilhos. Nenhuma ofensa. Nenhum defeito. Nenhum terrível mal. São meramente fases do crescimento e do aperfeiçoamento do ser humano. À parte questões metafísicas, nascemos ignorando praticamente tudo, e, à medida que crescemos e nos desenvolvemos, o número de coisas por nós ignoradas tende a decrescer.
                Maleabilidade é outra característica que ou crescemos aprendendo ou precisaremos aprender mais tarde, na vida adulta, pois definitivamente na convivência com outras pessoas constataremos que maleabilidade é uma qualidade das mais cruciais. Quanto mais tarde resolvermos aprender a ser maleáveis e flexíveis, muito mais murros em faca de ponta daremos, acrescentando problemas aos existentes.
                   Falta de humildade é uma questão muito controversa. Conheço poucas pessoas que têm a braveza de se confessar arrogantes. Não preciso ir muito longe: quando me criticam, dizendo que fui arrogante, digo que é meu jeito de falar, que fui mal interpretado. Mas quando fico quietinho comigo mesmo, acabo me confessando que fui, sim, arrogante.
                 Mas não usemos como exemplo o extremo oposto da humildade, que é a arrogância. Digamos falta de humildade, ou pouca humildade. Nem todo mundo que não é humilde será necessariamente arrogante, acho. E ainda assim, o mais comum é se ouvir: “eu sou humilde”“Eu sou humilde em admitir meus erros”. Será isto verdade?A dúvida surge quando me pergunto se é preciso se anunciar humilde. Não acredito que seja necessário. Quando se é humilde, essa afirmação torna-se desnecessária; a própria pessoa se abstém de tentar convencer os outros (ou a si mesma?) desse fato.
                Nem sempre reconhecer um erro implica humildade. Nem sempre quando se pede perdão isto significa que se está exercendo a humildade. O reconhecimento de um erro E a mudança para que o erro não mais se repita, isto, sim, será uma atitude humilde. Pedir perdão, quando for o caso, E passar a agir diferentemente, constituem uma atitude humilde. Qualquer coisa diferente não revela nem humildade, nem aprendizado, nem pedido verdadeiro de perdão.
                   E, por último, mas não menos importante, nossa resistência natural a coisas absolutamente novas, mormente as que vão de encontro a tudo que pensávamos ser o correto. Sobre essa resistência não é preciso falar muito. A própria História se encarrega de nos fartar de exemplos.
               Aliás, podemos aqui reunir as quatro razões mencionadas e constatar por que tanto se humilhou, julgou, condenou e matou. Muito sofrimento, muitas mortes ou muitos adiamentos do desenvolvimento e aperfeiçoamento do homem, da ciência, do saber em geral, ocorreram exatamente com base nelas: julgou-se, condenou-se, humilhou-se e/ou se matou por ignorância, por falta de maleabilidade, por falta de humildade, por resistência ao novo.
                   E ainda, por preconceito (cujas bases são essas mesmas razões), por medo (sendo a ignorância seu alicerce mais forte), por covardia, por soberba e por temor de se perder o poder, o reinado, as glórias. Quanto não se rechaçou progresso, de desenvolvimento, de sabedoria, de beleza, de amor verdadeiro e de paz!
                Felizmente, muitas coisas mudaram. A História está hoje narrando coisas de forma diferente, embora não totalmente livre de preconceitos e ignorância. Mas ao menos inovações costumam ser bem-vindas. Até porque até chegarem a nós como inovações, estas já foram testadas e aprovadas em sua eficácia. A boa-nova é que se dá um voto de confiança para que se realizem os necessários testes. Hoje não se joga na fogueira alguém que anuncia uma descoberta fenomenal ou pelo menos muito interessante, que venha facilitar ou melhorar a qualidade de vida, ou qualquer outra invenção que possa de alguma forma ser útil ou agradável.Já com o homem, em suas atitudes individuais, muito pouco mudou. E por que tão pouco mudou com o ser humano em seus julgamentos e em suas atitudes, quando seria muito mais fácil ele simplesmente olhar o exemplo geral para ver que, se funciona com relação ao todo, deve funcionar com relação a si próprio?
               Por que motivo insistimos em velhos hábitos que não se mostram mais úteis ou, principalmente, benéficos? Por que não falamos bem, se aprendemos a forma correta de pronunciar uma palavra ou construir uma sentença? Por que continuamos com a mesma forma de trabalho, se existe uma (que já tentaram nos ensinar, para o nosso próprio bem, aliás) que diminuirá em muito o tempo que gastaremos? Por que em princípio somos contra, sem nos darmos (enfatize-se, NOS darmos) uma chance de aprender?“Não! O que importa é que essa é a minha opinião, e tenho dito! Imagina se vou mudar! Tenho minhas ideias e não mudo um milímetro. Mudar para quê? Já estou velho para essas coisas. Estou muito bem desta forma. Vai dar muito trabalho!”
               Pensemos bem, isso faz algum sentido? Esses argumentos são inteligentes ou, no mínimo, razoáveis? Dá mais trabalho mudar do que despender meia hora diariamente para executar uma tarefa, quando poderemos executá-la em dez minutos? Estamos mesmo muito velhos para melhorar? Quem sabe quanto tempo ainda viveremos insistindo em padrões errados, métodos cansativos e atitudes que impedirão nosso crescimento? Por acaso tenho certeza de que vou morrer amanhã ou depois? Coisa mais sem sentido!
                   Quando adolescente li uma frase bem interessante: “só os idiotas não mudam de ideia”. E é verdade. Só alguém destituído de inteligência, de discernimento e totalmente embrutecido não muda de ideia. Existem pessoas que preferem se dobrar a se quebrar, ao passo que outras jamais se dobram, mas quando precisam se dobrar quebram-se com a maior facilidade. É com isto que deveríamos nos preocupar, não é com voltar atrás, quando necessário, mas com o fincar pé e, mais à frente, sucumbir, sem que houvesse a menor necessidade.
                      Podem observar. Quanto mais teimosa e irredutível for uma pessoa, quanto mais se negar a mudar, muitas das vezes só pelo prazer de mostrar que não muda, mais facilmente ela dará com os burros n’água. Ou pelo menos, em alguns casos, despenderá muito mais tempo e esforço para resolver um problema, realizar um trabalho, chegar a um lugar ou alcançar um objetivo. OU SER FELIZ.
                 Mas não importa, desde que não mude seu modo de ser, desde que prove que é irredutível, pois afinal de contas isto seria uma clara demonstração de fraqueza, de personalidade fraca… Do que mais?Não acho que mudar seja demonstração de nada disso. Muito pelo contrário, demonstra tão-somente que se mudou um modo de ser. E daí? Para dizer a verdade, acho que modo de ser é uma expressão muito forte para se aplicar a tudo que é hábito que temos. Prefiro modo de agir ou modo de estar a modo de ser. Modo de ser parece-me tão definitivo!E afinal de contas, o que de mais certo existe na vida que não sejam mudanças? Estarei eu simplesmente a negar uma coisa que a vida nos ensina a cada momento, da qual a natureza é o exemplo maior e que sem ela sequer teríamos chegado aonde chegamos? Se não mudássemos não sobreviveríamos.
                 E o fato de se mudar sempre que for necessário jamais significará que a pessoa tenha uma falha de caráter, que não tenha opiniões formadas e ideias próprias e que só saiba papaguear ou imitar os outros.Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Nem vou bancar o turrão nem vou imitar tudo e todos, sempre. A mudança precisa ter fundamento. Só posso (ou, antes, devo) mudar algo que esteja me incomodando, atrapalhando minha vida, preocupando, aperreando alguém, que percebi estar errado. Enfim, porque realmente preciso mudar E desejo mudar. E sei que posso mudar.               
               De outra forma, ficarei eternamente em um ou outro extremo: ou não mudarei absolutamente nada, para mal e infelicidade todos, ou viverei mudando, para perplexidade geral de um Município de um Estado e de uma Nação. Wanderson de Souza Silva        

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