Centro Cultural e Desportivo de Ceilândia nunca foi totalmente construído

Centro Cultural e Desportivo de Ceilândia nunca foi totalmente construído Os moradores da cidade aguardam há mais de três décadas a conclusão das obras. O descaso é tanto que o complexo inacabado abriga órgãos do governo, além de moradores de rua e usuários de drogas
Ana Pompeu

O local destinado ao centro cultural fica na QNN 13, na futura Praça da Juventude: previsão para construir pavilhões com cinemas, teatros e áreas de exposição

Uma cidade com mais de 404 mil habitantes, segundo a Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), Ceilândia se sente excluída do caldo cultural dos brasilienses. Cinemas, teatros, shows e exposições são rotina no Plano Piloto. Apesar disso, a cidade não perde a motivação. Desde a década de 1980, os moradores cobram a construção do Centro Cultural e Desportivo. As obras nunca foram concluídas. Depois de quase três décadas, mudanças de governo e impasses judiciais, apenas metade dos blocos previstos está de pé e nunca funcionou como deveria.

Na QNN 13, ao lado do Centro Educacional 7, ficam os blocos A e B. O primeiro seria um pavilhão de cursos, mas dá espaço também ao conselho tutelar de Ceilândia. O segundo abriga a Biblioteca Pública Carlos Drumond de Andrade. O conjunto das edificações formaria um “S”, mas apenas a primeira curva da letra foi feita (leia Para saber mais). Sem a outra parte, a cidade permanece carente de teatros, cinemas e espaços fixos para a cultura. A identificação do espaço também é deficiente. A placa do conselho tutelar se sobressai e dá a entender que ali só há aquele órgão. A pintura está desgastada, como um sinal de abandono.

Nesse contexto, pessoas como o ajudante de produção Aluísio Alves Carvalho, 53 anos, e a dona de casa Maria Gomes Carvalho Neta, 41 anos, nunca assistiram a um filme na telona. “Onde a gente mora não tem nada de recurso cultural para nos oferecerem. Tenho curiosidade de conhecer um cinema. Quem é que não tem?”, diz Aluísio. “A gente luta muito. Seria bom ter acesso a essas coisas todas.” O casal se preocupa com o futuro das duas filhas. “Sou só alfabetizado, mas sei que é de suma importância acompanhar a cultura”, afirma o ajudante de produção. A mulher concorda: “Faz diferença para a educação. Sem contar que é uma alternativa em uma comunidade tão violenta como a nossa”.


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