Caso Villela: Relatos levam à filha

Após a tramitação de um processo que já soma mais de 13 mil folhas, os acusados do Caso Villela, enfim, foram levados a júri popular. Leonardo Campos Alves, 47 anos, e Francisco Mairlon Barros Aguiar, 24, começaram a ser julgados no Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF). Embora ainda não ocupe o banco dos réus no júri popular, o nome da filha do casal, Adriana Villela, esteve no centro do primeiro dia de sessão em muitos momentos. 

Leonardo e Francisco são acusados, pelo Ministério Público, de serem os autores do assassinato do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), José Guilherme Villela, de sua esposa, Maria Carvalho Mendes, e da empregada do casal, Francisca Nascimento da Silva (leia a memória).

Ao todo, 17 testemunhas foram convocadas. Sete da acusação e cinco comuns (convocadas pela defesa e pela acusação). Destas, quatro são de Leonardo e apenas uma de Francisco. Os depoimentos continuam hoje.

Polícia

Além de familiares de Francisco, dois delegados foram ouvidos ontem: Renato Nunes, de Montalvânia (MG), e Julião Ribeiro, da Coordenação de Crimes contra a Vida (Corvida), do DF.

O primeiro a falar, Nunes explicou que Paulo (que na época era cunhado de Leonardo Campos) teria sido convidado por Campos para participar do crime, supostamente encomendado pela filha do casal, Adriana Villela.

O delegado questionou a atuação de agentes da 8ª DP (SIA), que conduziram a apuração do caso em conjunto com a sua delegacia e estavam com a custódia de Leonardo. Ele disse que os policiais utilizavam métodos “pouco ortodoxos para conseguir suas confissões”.

O delegado disse, ainda, que acreditava que atentados sofridos por Neilon (tio de Leonardo), conhecido como matador de aluguel, poderiam ser queima de arquivo, e o orientou a escrever uma carta explicando o que sabia sobre o crime, caso acontecesse alguma coisa.

Neilon aceitou a sugestão e, em carta, atribuía a autoria a Paulo e Leonardo e o mando a Adriana.

Julião Ribeiro, por sua vez, disse que Adriana estaria no apartamento no momento do crime, ou no máximo dois dias depois. Ele também se mostrou convencido de que o ex-porteiro teve ajuda para cometer o crime, a mando de Adriana.

Memória

O ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, a mulher dele, Maria Carvalho Mendes Villela, e a empregada do casal, Francisca Nascimento da Silva, foram assassinados com golpes de faca, em agosto de 2009, dentro do apartamento da família, na 113 Sul. Os corpos foram encontrados três dias após o homicídio. Na época, peritos não encontraram digitais ou outros indícios dos autores do crime. A primeira hipótese foi de latrocínio – roubo seguido de morte.

Defesa da ré

A arquiteta Adriana Villela nega a autoria do crime. Ela atribui sua condição de suspeita à investigação conduzida pela delegada Mabel Alves de Faria. Adriana acredita que Leonardo e os demais suspeitos são os autores do triplo homicídio.

Investigação se arrasta por quatro anos

Leonardo e Francisco respondem por homicídio qualificado por motivo torpe, praticado por meio cruel (que dificulta a defesa da vítima), e por furto qualificado. Além de Leonardo e Francisco, Paulo Cardoso e Adriana Villela também respondem pelo homicídio. Ela é apontada pela promotoria como mandante do crime. Paulo segue preso, mas Adriana recorreu e aguarda o julgamento dos recursos em liberdade.

Apesar de o assassinato ter sido cometido em 2009, a instrução processual – fase na qual se apura a existência do crime – começou apenas em novembro de 2011. De lá para cá já foram mais de 120 horas de audiência. Agora começou a fase de pronúncia, que transfere o julgamento para o povo.

Provas

Igor Abreu, advogado de Leonardo Campos, diz que a estratégia da defesa continua sendo a negação da autoria do crime. “Vamos tentar adiar o julgamento. Isso porque requisitamos o anexo de novas provas aos autos do processo desde 2010 e até agora elas não foram disponibilizadas”, afirma.

Entre as provas citadas por Igor está a de um exame de audição que comprovaria a surdez parcial de Leonardo. Segundo o advogado, foi disparado um tiro próximo ao ouvido de seu cliente durante tortura praticada por agentes da 8ª DP (SIA), para que ele confessasse.

“Ele só deu essa declaração porque foi torturado e se sentiu ameaçado”, reforça.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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